Fátima esteve quase irreconhecível nos meses de maio de 2020 e 2021 , devido à pandemia de covid-19. Fotografia: mediotejo.net

Em declarações aos jornalistas no sábado, 30 de maio, dia em que reabriram as missas comunitárias, o Reitor do Santuário de Fátima, Padre Carlos Cabecinhas, considerou ser “ainda prematuro podermos falar na peregrinação de agosto”. O Cardeal D.António Marto falou nessa possibilidade a 12 de maio, mas “não sabemos se vai ser possível”.

Carlos Cabecinhas abordou aos jornalistas as várias medidas de segurança implementadas no Santuário de Fátima para prevenir o Covid-19. “Determinámos percursos dentro dos espaços celebrativos e temos equipas acolhedoras nos espaços fechados. No espaço aberto, vamos ter uma trilha sonora chamando a atenção para uma série de normas e procedimentos de segurança. Fizemos a colocação de alguns painéis exteriores para quem acede ao Santuário ter a perceção de um conjunto de procedimentos que deve observar. Estamos confiantes de que é seguro vir ao Santuário e participar nas nossas celebrações”, sublinhou.

Admitindo que este “será um ano com menos peregrinos”, Carlos Cabecinhas constatou que “vai demorar até se recuperar de novo aquilo que era o afluxo normal de peregrinos ao Santuário”.

“Há algum medo, não em relação a Fátima. É um medo genérico em relação àquilo que possa ser o espaço de contaminação com o novo coronavírus e demora algum tempo a recuperar essa confiança, mas penso que a pouco a pouco ela se vai recuperando. Mas, não tenho dúvidas de que este ano vai ser um ano com muito menos peregrinos em Fátima”, disse.

O padre acredita que, lentamente, seja possível recuperar a confiança dos peregrinos nacionais, mas “em relação aos grupos de estrangeiros será muito difícil”.

“Viagens e peregrinações foram canceladas. Reorganizar tudo para quem tem de vir em viagem de avião e de prever alojamento, vai ser um processo de retoma muito lento”, acrescentou.

Neste sentido, o sacerdote considerou prematuro falar na peregrinação de agosto, a peregrinação dos migrantes, uma vez que neste momento não é possível garantir que será realizada.

“Para todas as igrejas cristãs, mas para o Santuário, que vive da presença dos peregrinos, este foi um tempo particularmente doloroso, por vermos este espaço vazio, sem peregrinos, mas também um grande estímulo, porque nos obrigou a sermos criativos e a procurar irmos ao encontro daqueles que não podiam vir até nós”, afirmou Carlos Cabecinhas.

O padre admitiu que presidir a uma missa num espaço sem aglomerados de pessoas “é uma sensação de alguma estranheza”, mas que “se conjuga com a responsabilidade necessária”.

Explicando que nos espaços fechados estão assinalados os lugares onde é possível sentar com o devido distanciamento de segurança, o reitor disse que a preocupação que o Santuário tem transmitido se deve à “responsabilidade”.

“Não queremos, de forma alguma, que quem vem possa sentir o Santuário como uma ameaça para si”, conclui.

c/LUSA

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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