A peregrinação de agosto é marcada pela presença de migrantes e pela oferta de trigo por parte dos peregrinos. Este ano, o 13 de agosto assinala também os 70 anos do Museu do Santuário de Fátima. Foto: SF

O Santuário de Fátima recebe nos dias 12 e 13 de agosto a Peregrinação Internacional Aniversária, que será presidida pelo núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, e integra a tradicional peregrinação do migrante e do refugiado.

A Cova da Iria prepara-se para receber mais uma das grandes peregrinações internacionais aniversárias que, entre maio e outubro, evocam as aparições de Nossa Senhora aos três Pastorinhos em 1917 e reúnem milhares de peregrinos em Fátima.

A peregrinação de agosto, que inclui a Peregrinação Nacional do Migrante e do Refugiado, será presidida pelo núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, e terá como uma das marcas a presença de peregrinos ligados às comunidades migrantes e à mobilidade humana. A Comissão Episcopal da Mobilidade Humana definiu para esta edição o tema “Da fragilidade à Esperança”.

A peregrinação de agosto inclui a Peregrinação Nacional do Migrante e do Refugiado Foto arquivo: Pedro Nasper

Entre os momentos simbólicos da peregrinação estará, uma vez mais, a oferta de trigo pelos peregrinos, durante a celebração do dia 13. O cereal é destinado ao fabrico das hóstias utilizadas nas celebrações do Santuário e a tradição cumpre este ano a sua 86.ª edição.

O gesto começou em 13 de agosto de 1940, quando um grupo de jovens da Juventude Agrária Católica, proveniente de 17 paróquias da Diocese de Leiria, ofereceu 30 alqueires de trigo ao então bispo diocesano, D. José Alves Correia da Silva. Desde então, a oferta foi mantida e alargada a peregrinos de outras dioceses portuguesas e do estrangeiro.

A tradição mantém uma ligação direta à vida quotidiana do Santuário, já que o trigo é utilizado na produção das hóstias necessárias às celebrações eucarísticas. Em 2025, os dados divulgados pelo Santuário registaram 5.605 quilos de trigo e 352 quilos de farinha oferecidos ao longo do ano, valores que mostram a dimensão que o gesto foi adquirindo muito para além da peregrinação de agosto.

Dois dias de celebrações na Cova da Iria

Milhares de fiéis são esperados na peregrinação de 12 e 13 de agosto em Fátima. Foto arquivo: mediotejo.locais.net/

O programa de 12 de agosto inclui, às 17:30, a Procissão Eucarística, seguindo-se, às 21:30, o Rosário internacional na Capelinha das Aparições, a bênção das velas e a Procissão das Velas. A programação da noite prossegue com a celebração da Palavra e momentos de oração.

No dia 13 de agosto, a programação começa às 07:00 com a Procissão Eucarística, seguindo-se, às 09:00, o Rosário na Capelinha das Aparições. Às 10:00 realiza-se a celebração da Missa, com a bênção dos doentes e a Procissão do Adeus, que encerra a peregrinação.

A tarde do dia 12 contará ainda com uma conferência de imprensa promovida pela Obra Católica Portuguesa de Migrações, dedicada à peregrinação e às questões relacionadas com as migrações.

Os três pastorinhos -Francisco, Lúcia e Jacinta -, em 1917

A aparição que aconteceu nos Valinhos

A peregrinação de agosto tem uma particularidade histórica em relação às restantes celebrações aniversárias.

Embora a grande concentração de peregrinos aconteça nos dias 12 e 13, a aparição que esta peregrinação evoca é a quarta aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos, ocorrida a 19 de agosto de 1917, nos Valinhos.

A ermida original, construída em 1919, no local onde se encontrava a azinheira das Aparições. Créditos: Santuário de Fátima

A 13 de agosto daquele ano, os três Pastorinhos – Lúcia, Francisco e Jacinta – não chegaram à Cova da Iria para a aparição prevista. Tinham sido levados para Vila Nova de Ourém pelo administrador do concelho, onde foram interrogados e permaneceram até 15 de agosto.

Já no dia 19 de agosto, quando se encontravam nos Valinhos, Nossa Senhora terá aparecido novamente às três crianças, pedindo-lhes que continuassem a ir à Cova da Iria no dia 13 e a rezar o terço diariamente. É esta quarta aparição, ocorrida fora da data habitual das peregrinações, que está na origem do enquadramento religioso da celebração de agosto.

Multidões acorreram à Cova da Iria, em 1917. Foto: DR

As Peregrinações Internacionais Aniversárias constituem, atualmente, os principais momentos do calendário do Santuário. A de maio é habitualmente a mais participada, tendo reunido mais de 450 mil peregrinos nos dias 12 e 13 de maio de 2025, segundo o Santuário.

A peregrinação de agosto mantém, além da dimensão religiosa, uma forte ligação à mobilidade humana e às comunidades migrantes, sendo por isso um dos momentos do calendário de Fátima em que a presença de portugueses residentes no estrangeiro e de comunidades migrantes em Portugal assume particular expressão.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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