Alberto Caveiro vai deixar a presidência da Associação dos Bombeiros de Fátima Foto: mediotejo.net

O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fátima, Alberto Caveiro, não se vai recandidatar à liderança da instituição, cujas eleições decorrem em março. Em declarações à comunicação social à margem da doação de um terreno à Associação, na segunda-feira, 5 de fevereiro, o responsável afirmou-se “cansado e desmotivado” com a forma como a luta político-partidária acabou por dominar o projeto para o novo quartel dos Bombeiros.

Alberto Caveiro dirigiu a Associação Humanitária nos últimos seis anos, tendo acumulado três mandatos. O projeto para o novo quartel, estimado em 1,5 milhão de euros, foi a grande ambição desta direção, que viu a previsão de localização ser continuamente mudada dado o facto de não existirem terrenos próprios. Em fevereiro de 2017, apesar de não terem conseguido avançar com uma candidatura a fundos comunitários, a localização estava prevista para os Caneiros, na chamada Fátima velha, existindo um acordo com o município de Ourém para realizar a aquisição, com expropriação de terrenos para utilidade pública.

Em dezembro, com um novo executivo e uma nova cor política na Câmara Municipal, o presidente do município, Luís Albuquerque, avançou que o projeto para o novo quartel iria ser revisto, dado os novos eleitos não terem gostado do estado em que haviam encontrado todo o processo.

“Estou cansado e estou desmotivado”, acabaria por confessar Alberto Caveiro aos jornalistas, na sequência da questão do mediotejo.net sobre se o terreno doado na segunda-feira por um particular poderia resolver a situação. Não tendo a dimensão necessária ao projeto, o problema mantém-se e o responsável não encara com bons olhos uma nova mudança de localização. “Se houver terrenos temos tudo pronto para avançar com a obra”, frisou, “se mudarmos a localização quase que aposto que são mais três anos pela frente, porque o processo terá que começar do zero”, com todo um conjunto de aprovações que são necessárias a este tipo de empreendimento.

Em março a direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fátima vai a eleições e Alberto Caveiro não se vai recandidatar. “Não me sinto com forças necessárias para continuar”, salientou. Apesar de sair com o sentimento de “dever cumprido”, a construção do novo quartel não parece ir avançar em breve, mantendo-se o problema da falta de condições para servir Fátima nos picos de maior movimentação.

“Quando se metem bandeiras políticas onde não se devia meter, acontece isto”, desabafou, defendendo que o tema do novo quartel devia ter unido o coletivo. Segundo referiu, existem os fundos necessários para avançar com a obra. O único problema é mesmo a falta de terrenos, que acaba por inviabilizar o arranque dos trabalhos. Foi assim peremptório ao afirmar que a justificação avançada pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares de que a Associação de Bombeiros não teria entregue a candidatura a fundos comunitários nos prazos estabelecidos “é uma mentira”.

Sobre a falta de condições, Alberto Caveiro deu a título de exemplo a necessidade da corporação de adquirir uma autoescada, um investimento de cerca de 500 mil euros. “Não podemos ter um carro destes à chuva”, constatou.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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