Após quatro adiamentos de conclusão da obra na ponte metálica sobre o Tejo, condicionamentos de trânsito e descontentamentos relativos à largura dos passeios e à colocação dos candeeiros no tabuleiro da ponte que liga Abrantes ao Rossio ao Sul do Tejo, eis que surge outro senão: desde a conclusão da obra, em agosto, que a ponte continua sem iluminação. Maria do Céu Albuquerque, presidente da CMA, disse na reunião de executivo desta terça-feira, que “a esta altura não podemos continuar à espera indefinidamente”, tendo já contactado a Infraestruturas de Portugal para manifestar o seu desagrado com a situação.

A autarca relembrou que, após a conclusão das obras, a CMA manifestou-se a fim de “ficar responsável pelo pagamento das iluminárias e pela sua manutenção”, porém, o processo não tem avançado e a ponte permanece sem iluminação, causando certo transtorno a peões e automobilistas.

“Nós só podemos ter contrato a partir do momento em que a iluminação esteja ligada. E isso é da responsabilidade das Infraestruturas de Portugal. Não foi feito na altura, e pelo que sabemos estão agora a fazer esse procedimento. Pediram-nos na semana passada, contactos de empreiteiros locais que possam fazer a ligação do ramal para que depois a CM possa pedir o abastecimento efectivo da eletricidade”, esclareceu Maria do Céu Albuquerque.

“O engenheiro Alcindo Duarte Cordeiro, responsável distrital da IP, não nos dá grande justificação em relação a esta matéria mas nós temos insistido frequentemente, e ontem mesmo fiz questão de ser eu a fazê-lo para mostrar o nosso desagrado, porque anoitece muito mais cedo, há pessoas a circular à noite, e pese embora as proteções que foram agora instaladas, de qualquer modo não é seguro nem para os peões nem para os automobilistas”, frisou a autarca.

A ponte surgiu com iluminação decorativa na véspera da inauguração da conclusão das obras, em agosto de 2016. Foto: mediotejo.net
A ponte surgiu com iluminação decorativa na véspera da inauguração da conclusão das obras, em agosto de 2016. Foto: mediotejo.net

João Caseiro Gomes, vice-presidente da câmara municipal, disse ao mediotejo.net que a CMA assumiu um protocolo com a IP logo após a conclusão da obra no sentido de avançar com o processo de responsabilização pelo abastecimento e manutenção da iluminação da ponte rodoviária, porém, é necessária ligação ao ramal, algo que “é da competência do dono de obra e da IP”, considerando que o tempo de espera é já “excessivo”. O vereador referiu que a autarquia não pode impor um prazo, mas que irá continuar a “pressionar” no sentido de que a ligação seja feita o mais rapidamente possível. “Não está nas nossas mãos”.

O mediotejo.net havia noticiado em agosto que a ponte estaria de cara lavada para receber o ministro do Planeamento e das Infraestruturas Pedro Marques, sendo que, nessa altura, a ponte estava iluminada.

Segundo o vice-presidente João Caseiro Gomes o facto deveu-se ao momento de testes efetuado com o contador de obra. “Quando foi concluída a obra, eles fizeram um teste para ver se a iluminação estava em condições de ser dada como finalizada. Fizeram esse teste, acabou a obra e fecharam o contador uma vez que o contador, sendo de obra, não poderia continuar a fazer abastecimento de iluminação pública.”

Da parte da CMA o processo será “célere”, segundo informou o vice-presidente, uma vez que “os quadros e as zonas estão devidamente identificados e preparados”.

Contactada pelo mediotejo.net, fonte oficial da IP disse que “a Infraestruturas de Portugal está a desenvolver os procedimentos necessários com vista à ligação da iluminação na Ponte Metálica de Abrantes, tendo referido ter sido “elaborado por parte da EDP o estudo para execução do ramal de ligação da instalação existente na Ponte à rede da EDP”.

Nas respostas pode ler-se ainda que “após a conclusão desse estudo, a IP irá contratar um empresa credenciada para a construção do ramal de ligação”, tendo feito notar que, “apenas com a concretização do ramal e obtida a certificação da instalação, será possível efetuar a contratação do fornecimento de energia elétrica”.

Falta de iluminação pública em ponte sobre o Tejo preocupa autarca de Abrantes. Foto: mediotejo.net
Falta de iluminação pública em ponte sobre o Tejo preocupa autarca de Abrantes. Foto: mediotejo.net
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Este é o cenário na ponte metálica sobre o Tejo, que liga Abrantes e Rossio ao Sul do Tejo. Foto: mediotejo.net

Segundo se pode ler na resposta da IP, “estima-se que já no decorrer do próximo mês seja possível efetuar a ligação da iluminação pública na Ponte Metálica de Abrantes”.

Recorde-se que o contrato da empreitada para a reabilitação da ponte metálica de Abrantes sobre o Tejo, obra orçada em cerca de 3 milhões de euros, a executar em 18 meses, foi assinado pela Câmara de Abrantes e pela Estradas de Portugal (EP) a 30 de janeiro de 2014, tendo a intervenção arrancado em setembro do mesmo ano, com a previsão de conclusão dos trabalhos para final de 2015.

Durante a segunda fase de intervenção, e desde fevereiro de 2015, na ponte que liga Rossio ao Sul do Tejo a Abrantes, com uma extensão de 368 metros, a circulação a veículos pesados ficou interditada, ficando o trânsito condicionado a uma faixa de rodagem para os veículos ligeiros, com circulação alternada e regulada por semáforos.

O transporte público de passageiros teve, desde então, uma circulação permitida até 20 toneladas, os peões podiam andar por um dos passeios da ponte e a circulação livre era permitida apenas para ambulâncias, bombeiros e forças de segurança em situação de emergência.

Os desvios foram devidamente sinalizados ao longo dos percursos alternativos, sendo que as pontes mais próximas para ultrapassar o rio eram as de Alvega/Mouriscas e de Chamusca, a cerca de 20 e 30 quilómetros, respetivamente.

A obra deu-se por terminada 2 anos depois da assinatura do contrato, em agosto deste ano, altura da conclusão de trabalhos de adequação, nomeadamente de passeios, prevendo rebaixamento de lancil de acesso a passadeira e relocalização de báculo de semáforo e construção de rampa.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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