Falta de especialistas pode obrigar ao encerramento de maternidades - Comissão. Foto: DR

“Manifestamos a nossa apreensão e repúdio pela proposta de encerramento de maternidades, amplamente anunciada e feita pela “Comissão nomeada pelo governo”, afirma a CUSMT, tendo defendido que o Médio Tejo “tem de ter maternidade a funcionar 24 horas, todos os dias”.

“A curto prazo não estou a ver outra solução”, adiantou à agência Lusa o médico Diogo Ayres de Campos, ao salientar que a concentração de recursos, que pode implicar o encerramento ou junção de maternidades, não constitui uma proposta final do grupo de trabalho que lidera.

Nos últimos meses, diversos hospitais do país têm enfrentado dificuldades em organizarem escalas completas de especialistas, o que tem obrigado ao encerramento ou ao funcionamento condicionado dos serviços de urgência de obstetrícia e de blocos de partos.

Essa situação levou mesmo o Ministério da Saúde a criar a Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia/Obstetrícia e Bloco de Partos, mas os constrangimentos têm-se mantido em vários hospitais ao longo das últimas semanas.

De acordo com o primeiro levantamento da comissão, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) necessita de mais cerca de 200 especialistas.

Segundo Diogo Ayres de Campos, a primeira versão do documento a apresentar ao Governo está numa fase muito adiantada, mas “precisa ainda dos comentários dos membros todos do grupo de trabalho”.

“Temos uma reunião do grupo no dia 14 e, se não houver comentários adicionais, estamos prontos para entregar ao Governo no dia 15, mas o mais provável é haver comentários e sugestões”, explicou.

De acordo com o coordenador da comissão, entre o dia 15 e o final do mês, o documento deverá ser enviado ao executivo de António Costa, que “tomará as decisões que entender” sobre esta matéria.

A falta de especialistas em ginecologia e obstetrícia é mais evidente em Lisboa e Vale do Tejo, Algarve a Alentejo, adiantou ainda Diogo Ayres de Campos.

Segundo o especialista, as alternativas ao encerramento de maternidades nessas regiões “implicam medidas do Governo que são mais difíceis” de implementar.

Uma dessas alternativas passa pela contratação de mais especialistas para o SNS, o que “implica, do ponto de vista salarial, tornar as carreiras mais interessantes”, adiantou o coordenador da comissão, ao recordar que a diferença de vencimentos entre os setores privado e público “é muito grande”.

Outras das opções seria reduzir o número de médicos nas equipas de urgência, o que obrigaria, de acordo com Diogo Ayres de Campos, a trabalhar com a Ordem dos Médicos e a reduzir o número de pessoas que vão às urgências de obstetrícia e ginecologia, uma “coisa que não se faz de um dia para o outro”.

“O caminho deve ser por aí, mas a curto prazo, não estou a ver outra alternativa senão concentrar recursos para fazer face a esta dificuldade que há em ter as equipas completas” nos hospitais, reconheceu o especialista.

Ayres de Campos salientou, ainda, que o encerramento de maternidades pode passar por várias soluções, que até não são inovadoras, tal como “já aconteceu várias vezes em Portugal no passado”.

“Uma coisa é o encerramento do bloco de partos, outra coisa é o encerramento das consultas. Ou seja, poderá haver soluções em que os partos são todos concentrados no mesmo local, mas as consultas de obstetrícia continuam a funcionar nos mesmos hospitais”, exemplificou.

No âmbito da rede de referenciação, a comissão está a “definir para cada tipo de hospital o número de especialistas, juntamente com o número de enfermeiros especialistas e não especialistas, de acordo com o número de nascimentos”.

No entanto, Diogo Ayres de Campos admitiu algum “grau de incerteza” sobre o futuro do trabalho da comissão devido à demissão da ministra da Saúde, Marta Temido.

“Estivemos a trabalhar com a equipa que estava no ministério, com a senhora ministra, e estamos disponíveis para continuar com a nova solução que for encontrada para o Ministério da Saúde”, assegurou.

Mário Rui Fonseca

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