Patente até 30 de janeiro de 2027, a mostra “A linha do tempo: 30 anos do Atelier do Massimo” reúne trabalhos de 121 autores, representativos das várias gerações que passaram pelo atelier desde a sua criação, em 1996.
A exposição propõe uma viagem pela evolução artística do projeto, através de desenhos e pinturas executados em diferentes épocas e recorrendo a técnicas como grafite, carvão, aguarela, óleo, acrílico e técnicas mistas.
Na sessão inaugural, o vereador com o pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Abrantes, Luís Filipe Dias, considerou que a exposição representa “uma festa da Arte, uma festa da Cultura” e um momento importante para a cidade, sublinhando o contributo do atelier para a formação artística de centenas de pessoas ao longo de três décadas.
O autarca lançou ainda o desafio para que o percurso volte a ser celebrado dentro de dez anos, desejando a continuidade do projeto.




Um dos momentos mais emotivos da cerimónia aconteceu com os testemunhos de duas das primeiras alunas do atelier, Isabel Borda d’Água e Ana Paula Remédios, que recordaram o impacto que a aprendizagem da pintura teve nas suas vidas.
Isabel Borda d’Água contou que chegou ao atelier com a expectativa de aprender a pintar, mas encontrou primeiro uma exigente aprendizagem do desenho, que hoje reconhece como essencial. Mais do que a componente técnica, destacou o ambiente criado naquele espaço, onde fez amizades que perduram até hoje.
“Era um espaço em que convivíamos uns com os outros e onde, de facto, o Massimo nos ensinou muita coisa”, afirmou, recordando os primeiros anos do atelier.
Também Ana Paula Remédios recordou as aulas frequentadas depois do trabalho como um tempo dedicado a si própria e incentivou outras pessoas, sobretudo após a reforma, a experimentarem a pintura.
“O Massimo é fantástico porque, para além de uma pessoa aprender uma técnica, ao fim do dia quando se vem estar com ele, ele põe-nos sempre bem-dispostos e saímos com outro espírito”, afirmou.
Visivelmente emocionado, Massimo Esposito agradeceu a presença de antigos e atuais alunos e sublinhou que o principal objetivo do atelier sempre foi criar uma comunidade para além da aprendizagem artística.
“Realmente eu tentei fazer isto, não digo uma família, mas amigos; tentar ser próximos uns dos outros, não só ensinar uma técnica”, disse, agradecendo igualmente à Câmara Municipal de Abrantes pelo apoio e aos alunos por tornarem possível o percurso iniciado há 30 anos.

O artista lembrou que o projeto nasceu na sequência de uma proposta apresentada ao então presidente da Câmara, Nelson de Carvalho, para a criação de uma escola de pintura. A ideia, inicialmente pensada como uma experiência de poucos meses, transformou-se num projeto com três décadas de atividade e cerca de 600 alunos.
Dirigindo-se aos participantes na exposição, fez questão de salientar que o mérito da mostra lhes pertence.
“Eu gosto muito de poder apresentar estes quadros como se fossem meus, mas são vossos”, afirmou, convidando ainda os visitantes a deixarem opiniões e sugestões no livro da exposição, por considerar que “a crítica é sempre boa” e contribui para crescer.

Durante os cerca de seis meses em que estará patente, a exposição será acompanhada por um programa de workshops, oficinas e ações de mediação cultural dirigidas a escolas, famílias e público em geral.
