“Aldeia viva”, assim se carateriza a aldeia de Pereiro, no concelho de Mação, localidade que carrega aos ombros a responsabilidade de enfeitar todos os verões as suas ruas para receber milhares de visitantes. Reconhecida como Capital das Ruas Enfeitadas, todos os anos, no fim de semana que antecede o último domingo do mês de agosto, lança os seus festejos tradicionais com direito a bailarico, convívio entre moradores e petiscada. Este ano não será, com certeza, exceção. Em 2016 também embarcámos na viagem e fomos espreitar as novidades pelas ruas floridas do Pereiro de Mação, e este ano parece que a responsabilidade acresce: a associação da localidade trabalha com a autarquia para uma candidatura a Património Cultural Imaterial.
Estávamos em 2013 quando foi registada a marca. Pereiro tornava-se oficialmente a Capital das Ruas Enfeitadas, pela mão da Associação Desportiva e Cultural do Pereiro. Aqui a projeção nacional foi enorme, levando a que milhares de ‘forasteiros’ – como dizem os habitantes da pequena aldeia – lá se deslocassem na altura do certame.
Aqueles que eram os tradicionais festejos em honra da padroeira, Nossa Senhora da Saúde, começaram a ganhar outros contornos. Aliás… Ganharam flores. As ruas do Pereiro passaram a ser ornamentadas pela população, no âmbito das cerimónias religiosas algures na década de 40 do século XX.
A tradição começa por enfeitar as ruas com arcos e bandeiras, até que, anos mais tarde, começam a surgir as ornamentações com flores de papel.
“Uma forma de assinalar a passagem da procissão da padroeira”, momento em que todos os moradores enfeitavam as suas portas e fachadas.
Com algumas ameaças da chuva em pleno mês de agosto, eis que se introduzem as flores de plástico. Mais duradouras, com outro tipo de maleabilidade. E com todas as cores possíveis e imaginárias. E já que as decorações duravam mais tempo… Os festejos também podiam seguir.
Aqui, o segredo é a boa-vontade e a criatividade dos poucos habitantes, já de certa idade, que desejam continuar a alegrar a vista de quem os visita.
“Trata-se de uma tarefa que exige um trabalho laborioso praticado ao longo do ano por parte de muita gente que sente orgulho na sua aldeia e luta para que ela permaneça uma “aldeia viva”, palavras de António Maia, vice-presidente da Associação Desportiva e Cultural do Pereiro.
Nuno Neto, presidente da mesma Associação, responsável pela organização do evento, acredita que “o grande evento que a Associação desenvolve são os seus festejos e as Ruas Enfeitadas”. Para o responsável este é o momento que exige aos habitantes “muito trabalho, muita dedicação”.
A vontade da associação é continuar a desenvolver este seu “projeto”, que orgulha “e dá vida a esta terra”.
Este foi um ano em cheio para o Pereiro de Mação, sendo que a 16 de fevereiro foi submetida candidatura às “7 Maravilhas de Portugal – Aldeias de Portugal”, pelo vice-presidente da associação, António João Maia. Porém, a aldeia não ficou entre as 7 pré-finalistas na categoria de ‘Aldeias rurais’ num global de 49 pré-finalistas a votação até agosto, seguindo-se as 14 finalistas das quais se irão apurar apenas 7 no dia 3 de setembro.
Mas não fica por aqui, pois também este ano, em finais de março, o município de Mação, através dos serviços do Museu Municipal, entregou à Associação Desportiva e Cultural do Pereiro de Mação um Dossier de Pedido de Inventário a Património Cultural Imaterial da Romaria da Senhora da Saúde e Suas Ruas Enfeitadas, após esta associação ter solicitado apoio, no âmbito do Apoio às Associações, para preparação da Candidatura.
O estudo e levantamento para a candidatura foi feito pelos técnicos do Museu Municipal e analisado pelos membros da referida associação, seguindo-se apresentação à Direção Geral do Património Cultural para análise. Aguardemos o desfecho de mais um projeto desta pequena aldeia, que não baixa os braços perante um futuro pouco risonho em termos de sustentabilidade.
