Foto: mediotejo.net

O Centro Cultural do Entroncamento recebeu o primeiro concerto do FestFado Ribatejo Na sexta-feira, dia 6, e os ecos da música da saudade misturaram-se com os da solidariedade na gala em que as receitas reverteram a favor da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento (AHBVE). A iniciativa amadrinhada pela fadista Dora Maria levou António Pinto Basto ao palco, juntou fado e sevilhanas, e revelou uma nova faceta musical de Filipe Santos.

Se o concelho do Entroncamento tivesse os 13,8 metros quadrados indicados pelo apresentador do FestFado Ribatejo, posteriormente corrigidos para quilómetros, a densidade populacional no que respeita a fadistas seria, provavelmente, a mais elevada do mundo. A plateia do Centro Cultural esteve praticamente cheia para assistir ao espetáculo e a maioria das vozes juntou-se às dos fadistas Dora Maria, a madrinha do evento, e António Pinto Basto, o cabeça-de-cartaz.

Atuação de António Pinto Basto. Fotos: mediotejo.net

Com eles, no palco, estiveram os músicos Luís Ribeiro (guitarra portuguesa), Pedro Pinha (viola) e Fernando Maia (viola baixo), que também acompanharam quatro vozes do fado menos conhecidas, uma vertente desta iniciativa que passa pelos concelhos do Entroncamento e Alpiarça na sua terceira edição. Outra caraterística é o elemento surpresa e a primeira surgiu com dança do grupo de sevilhanas “Sombreros y Peinetas” ao som do fado interpretado por Dora Maria.

Chegou então a vez de Miguel Simples, natural do Sardoal e atualmente a morar no Luxemburgo, subir ao palco que cedeu a Catarina Dionísio, uma jovem de Queluz com 16 anos. As luzes azuis e vermelhas dos holofotes iluminaram ainda Carlos Filipe, natural de Santarém e antigo comerciante do Entroncamento, e Matilde Mascate, com 14 anos e residente em Casa Branca, no concelho de Abrantes.

Filipe Santos e Matilde Mascate foram duas revelações da noite. Fotos: mediotejo.net

As atuações foram intercaladas pela segunda surpresa da noite, quando o músico Filipe Santos apareceu para provar a Dora Maria que o desafio para cantar fado tinha sido aceite. Uma nova faceta musical revelada perante a plateia que foi soltando diversos “ah fadista” e pouco depois seria brindada com a atuação de António Pinto Basto, conhecido por sucessos como “Rosa Branca” ao longo de uma carreira que supera o meio século.

O humor do artista também marcou o espetáculo cujas receitas reverteram na totalidade a favor da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento (AHBVE). A beneficência volta a marcar presença a 19 de maio, data do segundo e último espetáculo do FestFado Ribatejo no concelho, que leva o fado de Rodrigo ao Centro Cultural com um concerto solidário em prol Santa Casa da Misericórdia do Entroncamento (SCME).

O grupo “Sombreros y Peinetas” atuou ao som do fado de Dora Maria. Fotos: mediotejo.net

O FestFado Ribatejo é uma iniciativa conjunta conjunta da fadista Dora Maria, a Câmara Municipal do Entroncamento e a Câmara Municipal de Alpiarça e realiza-se entre os meses de abril e julho. O evento chega a Alpiarça no dia 2 de junho com Diogo Carapinha, no Polo Enoturístico da Casa dos Patudos, e continua com Ana Laíns a 22 de julho, durante o Festival do Melão.

Partilhamos alguns momentos da noite desta sexta-feira proporcionados por António Pinto Basto e Filipe Santos. Silêncio, que se vai cantar o fado…

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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