Pedro Rosa, presidente da Câmara Municipal de Sardoal. Foto: mediotejo.net

As Festas do Concelho de Sardoal são, para Pedro Rosa, mais do que um conjunto de concertos e iniciativas. Nas primeiras festas que acompanha enquanto presidente da Câmara Municipal – que se realizam entre 18 e 22 de setembro –, o autarca destaca o espírito de comunidade e de acolhimento que considera distinguir a celebração, num momento que marca também, para os sardoalenses, o regresso à rotina depois do período de férias.

“No Sardoal ninguém é de fora” é, nesse sentido, uma expressão que resume a forma como o autarca sardoalense entende estas festas e a relação entre a população local e quem visita o concelho por estes dias.

A programação deste ano procura manter esse caráter transversal, conjugando música, cultura, tradição e desporto, mas também dando espaço à produção e aos saberes locais. Entre os destaques apontados pelo presidente estão a “Mostra de Saberes e Sabores”, o envolvimento dos artesãos e a presença dos produtores de vinho do concelho, a par da exposição “O Tempo das Mulheres”, de Alfredo Cunha, no Centro Cultural. A renovação do espaço destinado às associações surge igualmente como uma aposta na qualidade e nas condições de acolhimento, procurando transformar aquela zona num espaço de convívio que vá além da programação musical.

A entrevista realizada pelo mediotejo.net permitiu também fazer um balanço do primeiro ano de mandato, ainda que este não esteja concluído. Pedro Rosa considera que o executivo está a cumprir o que se propôs, apesar da necessidade de adaptar prioridades perante acontecimentos como a tempestade Kristin. Entre os trabalhos em curso aponta a ampliação do parque empresarial, a revisão do PDM, a nova creche municipal e projetos na área da habitação, defendendo uma estratégia assente na qualidade de vida, nos serviços, na cultura e no desporto para atrair e fixar população.

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Estas são as primeiras Festas do Concelho que acompanha enquanto presidente da Câmara. Que significado tem para si viver este momento enquanto responsável pelo município?

Com uma grande responsabilidade. É verdade que eu já tenho 12 anos de experiência nesta casa, integrei a equipa do presidente Miguel nos últimos 12 anos, primeiro como vereador, depois como chefe de gabinete, e sempre tive uma parte destas festas que era da minha responsabilidade, normalmente questões mais relacionadas com o desporto… mas agora é diferente. O peso da responsabilidade é muito grande, porque agora há que mandar fazer e controlar se está a ser feito, e quando as coisas correm bem o mérito é de todos, mas quando correm mal é o presidente que tem que assumir.

As Festas do Concelho são também um momento de encontro da comunidade. O que é que gostaria que esta edição representasse para os sardoalenses e para quem vos visita nestes dias?

Eu acho que, acima de tudo – e esse é o espírito de todos os arraiais populares que vão acontecendo, sendo que a nossa festa aqui no concelho marca o final destes arraiais populares –, aquilo que eu gostaria era que as pessoas que vêm ao Sardoal sintam as festas da mesma forma como nós sentimos: com o calor, com o acolhimento, com o saber receber, porque eu acho que é isso que nos caracteriza.

O saudoso Luís Gonçalves, ex-vereador desta Câmara, tinha um slogan que eu também uso sempre que tenho a oportunidade, que é “no Sardoal ninguém é de fora”, e, portanto, acho que isso diz muito sobre a forma como nós recebemos as pessoas.

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As festas, normalmente, dos municípios, eu diria que de Norte a Sul do país, são quase todas iguais, mas eu acho que as nossas são diferentes. São diferentes por todo o espírito que, ao longo dos anos, se foi construindo em torno destas festas. Temos uma festa que decorre essencialmente na zona nobre da vila e que conta com a participação de toda a comunidade, desde os particulares ao comércio, às associações, sobretudo às associações, a quem eu deixo também um grande agradecimento.

É este espírito de comunidade e de família que eu acho que agrada às pessoas que nos visitam. Portanto, não é apenas uma festa assente num cartaz. Se calhar, o que menos importa, às vezes, é quem vem ao palco. É sobretudo o ambiente que se consegue criar e acho que é isso que torna as nossas festas distintivas.

Para o sardoalenses, não descurando as nossas solenidades por altura da Semana Santa, este é o ponto mais alto do ano. Eu até irei dizer isso quando for a inauguração: este momento marca quase o renascer do ciclo anual da vida das pessoas.

É um momento em que terminam as férias e começa a vida profissional dos sardoalenses. É o momento em que os alunos ingressam na faculdade ou regressam à faculdade, em que os alunos do ensino regular regressam à escola, em que os nossos imigrantes e os migrantes regressam a outras zonas do país, regressam aos seus países e aos seus locais de acolhimento.

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Portanto, eu acho que este é quase como, eu diria usando aqui uma expressão menos comum, o grito do Ipiranga, em que há que aproveitar ao máximo estes últimos tempos antes de voltar outra vez à normalidade. E acho que as nossas festas são tudo isso. Não são apenas cartazes de palco, são cultura através das exposições que temos, é o desporto que este ano tem uma expressão muito grande e, portanto, é todo este envolvimento.

O programa deste ano procura juntar música, cultura, tradição, desporto e participação da comunidade. Quais são, para si, os principais destaques desta edição?

Um ponto que é sempre de destacar, pela importância que tem no nosso território e sobretudo nos territórios de interior e de baixa densidade, tem a ver com a nossa Mostra de Saberes e Sabores, que tem a ver com o envolvimento dos nossos artesãos, em que cada um mostra um pouco de si, mas também aquilo que no geral nos caracteriza, que é este conjunto de produtos endógenos que o Sardoal tem e dos quais também este artesanato e a doçaria fazem parte integrante.

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Este, se calhar, é um dos pontos que merece destaque. É de muito valor o trabalho que as mulheres, sobretudo as mulheres, fazem nesta área. É claro que também temos artesãos homens, mas isso também é falar das mulheres aqui para fazer um bocadinho a ponte com a exposição que temos no Centro Cultural, “O Tempo das Mulheres”. É uma exposição de um famoso fotógrafo, um fotojornalista. O Sardoal tem muitos valores nesta área, mas o nosso Centro Cultural tem por hábito também acolher grandes nomes nacionais e Alfredo Cunha, com esta exposição “O Tempo das Mulheres”, também marca aqui a importância da mulher na comunidade, não só na vida social, na vida familiar, mas também na vida profissional.

E eu acho que nunca é demais reconhecermos a importância das mulheres na nossa sociedade. Acho que esta exposição espelha um pouco esta importância. Eu até diria, num dos textos da nossa brochura, em que a Maria Antónia Palha diz que “somos mulheres ou homens por uns jogos de acaso”, não é? E acho que é um pouco isso que nós temos que entender. As questões da igualdade de género são para valorizar a cada dia que passa.

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Outro dos destaques é a presença dos produtores de vinho do concelho…

Sim, os nossos produtores de vinho continuarão a ter sempre destaque e as nossas vinhas continuarão a ter destaque, sempre que houver oportunidade para promover o território e promover os nossos produtos endógenos. O Sardoal tem características muito particulares no que diz respeito à vitivinicultura. Temos vinhos de excelente qualidade e associados também a estas quintas, outros produtos que também advêm das explorações agrícolas.

Sempre que houver oportunidade, eles estarão connosco. Eu considero que o turismo tem diversas variantes. Nós valorizamos imenso o turismo religioso, mas esta nova tendência também do enoturismo, que está a surgir, é importante para a valorização daquele trabalho que se faz durante aquele ano e que depois acaba por estar todo traduzido naquele copo de pouco mais de um decilitro. Acho que é o ouro em bruto que temos ali. Eles vão estar connosco certamente a fazer provas para quem quiser, a fazer as vendas normais e, portanto, farão parte integrante da festa.

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Este ano houve também uma intervenção no espaço das associações, com novas estruturas e melhores condições. O que esteve na origem desta mudança?

Aquilo que nós pretendemos é realmente trazer qualidade, qualidade para a festa, qualidade na forma como recebemos as pessoas. Percebemos há algum tempo que o espaço que nós sempre apelidamos de espaço jovem, que é o espaço das associações, até porque o tipo de música que vamos passar neste palco jovem é mais dedicado a uma camada mais jovem, tinha uma parafernália de equipamentos com os quais nós não nos identificávamos.

Com todo o respeito que as marcas de distribuição de cerveja têm e que nós precisamos muito delas, o termos barraquinhas de todo o tipo e mais algum, não nos agradava. E aquilo que nós fizemos foi trazer um pouco mais de qualidade, disponibilizarmos nós – e isso tem todo um custo – as barraquinhas às associações para que elas possam ter mais condições para trabalhar e outra imagem também para receber as pessoas.

Vai ter um espacinho também onde as pessoas se podem sentar e podem tomar a sua bebida, mas também podem petiscar qualquer coisa, porque uma das sugestões que deixámos às associações foi que não nos fiquemos apenas pela cerveja ou pelas bebidas brancas, pelos cocktails. Tentem trazer também qualquer coisa para que as pessoas possam comer, porque a oferta já não é aquilo que era há muitos anos atrás. É uma oferta de qualidade.

As associações que estão a ocupar os espaços maiores, neste caso o Centro Social dos Funcionários do Município, o Grupo Desportivo e Recreativo “Os Lagartos” e a Filarmónica União Sardoalense vão ter os seus restaurantes com bastante capacidade. Mas ainda assim, espero eu que a capacidade não seja suficiente. O desafio que colocámos às associações foi esse: tragam mais qualquer coisa. Vamos criar aqui espaços também com mais intimidade, que não seja apenas um espaço para chegar à meia-noite para desfrutar do palco jovem, que seja uma zona que também possa ser utilizada a partir do final do dia.

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Quando se organiza um evento destas dimensões, quais são os maiores desafios? Passam por fechar um cartaz apelativo, preservar a identidade do certame?

Eu acho que esses dois são grandes desafios, aliado ao desafio financeiro. Nós tínhamos estipulado, em sede de orçamento, um valor que pretendíamos gastar, só que também sabemos que o mercado se altera. Existem ajustes, as empresas também já não praticam os mesmos preços que praticavam no ano anterior e, portanto, tudo isso carece de reflexão.

É óbvio que o desafio é sempre criar um cartaz que seja apelativo e que seja o mais diversificado possível. Porque não podemos cair na tentação de criar um cartaz apenas dedicado para os jovens, ou um cartaz dedicado apenas para a faixa etária mais idosa. Tem que ser um cartaz diversificado e que permita ir a todos os públicos. Eu acho que isso este ano foi conseguido, mas claro, obriga a um investimento adicional.

A questão de fechar os processos de contratação é sempre uma asfixia para os serviços. E aqui deixar o apreço para eles, porque às vezes são os obreiros silenciosos deste processo. Neste momento, os serviços, desde os serviços operacionais aos serviços técnicos e administrativos aqui do edifício, andam todos a trabalhar horas sobre horas para que tudo corra bem e que, no final, tudo esteja fechado e pronto a abrir a festa.

Foto: mediotejo.net

Sendo este o seu primeiro ano enquanto presidente da Câmara, estas festas permitem também fazer um primeiro balanço do caminho percorrido. Que balanço faz destes primeiros meses à frente do município?

Uma coisa é aquilo que nós sentimos aqui deste lado, outra coisa é aquilo que é a perceção. Eu penso que os sardoalenses estão agradados com o trabalho que estamos a fazer, também fruto de termos ressuscitado algumas iniciativas que lhes diziam muito, nomeadamente a Feira do Fumeiro.

Para nós, eu penso que estamos a cumprir aquilo que nos propusemos. O trabalho da gestão autárquica é um trabalho também, muitas vezes, de prioridades e de termos que nos adaptar também àquilo que são as circunstâncias que influenciam as nossas decisões. Exemplo disso foram os acontecimentos com a tempestade Kristin. Só neste momento é que estamos nos processos de contratação de algumas das obras, mas obrigou-nos a rever algumas ações e também, em termos de trabalho aqui dentro, a canalizar os esforços para outros lados.

Ainda assim, eu acho que, e volto a dizer, acho que estamos a cumprir com aquilo que nos tínhamos proposto. Os projetos que trazíamos em carteira e que já tinham sido contratualizados no passado, estamos a dar-lhes seguimento. Estamos também a trabalhar com muito afinco na ampliação do nosso parque empresarial e na revisão do nosso PDM, que é um instrumento muito importante para o desenvolvimento económico do Sardoal. Portanto, acho que estamos a conseguir aquilo que nos propusemos.

É óbvio que às vezes as pessoas têm sempre a tendência a olhar mais para aquilo que é a sua particularidade ou a sua proximidade. E quando falo disto, falo da erva aqui, da valeta ali… Mas eu acho que até mesmo neste sentido também temos conseguido fazer aquilo que nos propusemos.

Há alguma área ou projeto que queira ainda concretizar até ao final deste primeiro ano?

Não. Até ao fim deste primeiro ano, e já vamos a caminhar para o último trimestre, é cumprir aquilo que era o objetivo: fechar, lançar todas as candidaturas que ainda estavam em construção, conseguir até ao final do ano terminar a nova creche municipal, terminar as obras ou, pelo menos, adiantar o mais possível as obras da nossa Igreja Matriz. Mas, como digo, o dia a dia às vezes vai-nos empurrando para a frente, vai-nos puxando para trás. Até ao final do ano, no que diz respeito a grandes investimentos, não se perspetivam grandes obras.

Estamos neste momento a preparar algumas candidaturas no âmbito da habitação, para aquilo que já tínhamos sinalizado com a nossa Estratégia Local de Habitação e aqui refiro-me a um aviso recente que surgiu no âmbito da habitação acessível. Esperamos nós também que o concurso que temos da urbanização da Fonte da Estrada tenha acolhimento e, portanto, que venha a ter propostas para construção. É um investimento que nos importa muito. Sabemos que é um investimento que vai demorar algum tempo a concretizar-se, a construção ainda é grande, mas estamos a trabalhar para que as coisas vão acontecendo.

Feira do Fumeiro regressou ao Sardoal em 2026. Foto: CMS

Os territórios de menor dimensão enfrentam dificuldades na captação e fixação de população. O que está a ser feito pelo Sardoal nesse sentido?

Sim, eu diria que todos os territórios neste momento sentem essa ambição. Têm essa ambição, até porque no passado e sobretudo os territórios de baixa densidade sofreram com o êxodo das suas famílias para os grandes centros. Curiosamente, o paradigma está-se a inverter e, portanto, as pessoas começam a procurar cada vez mais a tranquilidade e esta tranquilidade acho que é algo que nos caracteriza.

Quem esteve antes também entendeu que é por via da qualidade de vida que nós podemos atrair pessoas, é claro, sem descurar aqui as questões que têm a ver com a atração de empresas e de emprego, que também é muito importante.

Mas esta qualidade de vida que nós pretendemos, não só ao nível dos serviços que disponibilizamos, seja a escola, seja a saúde, seja até mesmo os serviços mais básicos, como aqueles que temos na nossa Loja do Cidadão, aliados àquilo que é a outra parte, que às vezes não é tão entendida como prioritária, como é o caso da cultura e do acesso ao desporto, eu acho que tudo isso faz do Sardoal um território bom para se viver.

Não podemos ficar fechados nos nossos 92 quilómetros quadrados. Hoje em dia, as barreiras geográficas são apenas no papel, não podem passar do papel porque trabalhamos todos em comunidade e em território. Não podemos achar que o Sardoal tem que ter tudo e as oportunidades todas. Temos é que criar condições para que as pessoas aqui possam estar e possam desenvolver a sua atividade económica, mas que também, se assim o entenderem, possam facilmente deslocar-se e vir para o Sardoal. E dando um exemplo que é o meu exemplo: durante 16 anos nunca deixei, mesmo trabalhando fora, de vir dormir ao Sardoal.

Foto: CMS

Para terminar, que mensagem gostaria de deixar aos sardoalenses nesta edição das Festas do Concelho?

A mensagem, acima de tudo, é uma mensagem de agradecimento. De agradecimento a todos aqueles que se envolvem neste processo. A Câmara, por si, não teria esta possibilidade se todos não abraçassem este objetivo e não fizessem parte das nossas festas. Portanto, é um agradecimento à comunidade sardoalense, às associações, às empresas, aos privados também, que fazem destas festas umas festas diferentes: são as nossas.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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