Santarém é o distrito com mais águias-pesqueiras registadas em Portugal. Foto: José Freitas

A águia-pesqueira, como muitas outras aves que procuram zonas de invernada com condições favoráveis ​​para escapar às baixas temperaturas e à consequente limitação de alimentação, encontrou na península uma zona privilegiada para ela, embora este fenómeno de invernada seja relativamente recente, como as fontes do rio Miguel y A Fundação Aves de Portugal disse à Efe.

As alterações globais, incluindo as alterações climáticas e o uso do solo, bem como o aumento da população reprodutora, são algumas das razões que, segundo estas fontes, motivam o aumento da invernada desta ave de rapina na península.

O censo, realizado graças à participação voluntária de 573 observadores de 65 entidades, entre ornitólogos e profissionais, destacou a importância da ciência cidadã como ferramenta de grande valor e utilidade para poder abranger este tipo de trabalho.

Os dados divulgados revelam que 83% da população invernante está concentrada em Portugal e na Andaluzia, onde foram registados 196 e 150 exemplares, respetivamente.

Noutras comunidades autónomas a presença também é significativa, como na Galiza com 20 indivíduos invernantes, na Catalunha com 16 indivíduos, na Extremadura e Valência com 9 indivíduos em cada caso e 7 na Cantábria.

Espécimes invernantes também foram registados nas Astúrias, com 4 exemplares, em Castilla y León e Euskadi com 3 exemplares em cada comunidade autônoma, enquanto em Múrcia e Castilla-La Mancha foi registrada a presença de um exemplar invernante.

Por províncias, a presença mais importante é registada em Cádiz com 64 indivíduos invernantes, 54 em Santarém (Portugal), 45 em Lisboa (Portugal), 29 em Sevilha, 24 em Aveiro (Portugal), 16 em Tarragona e 13 na Corunha.

As águias-pesqueiras, de acordo com dados censitários, concentravam-se nas zonas costeiras da Península Ibérica, e principalmente na costa sudoeste do Atlântico.

Por bacias hidrográficas, destaca-se a sua presença nas do Tejo, do Guadalquivir, do Odiel e do Guadalete.

Os dois censos anteriores realizados para esta espécie renderam um total de 359-387 exemplares no inverno de 2016-2017 e 493-509 exemplares no inverno de 2018-2019, neste caso, contados na Península Ibérica, nas ilhas Baleares Ilhas e norte de Marrocos.

A águia-pesqueira é uma das aves de rapina com menor presença na Península Ibérica e a situação da espécie na bacia mediterrânica é crítica, uma vez que possui uma população escassa e altamente fragmentada.

Até 2012, quase 200 filhotes de águia-pesqueira da Finlândia, Escócia e Alemanha foram soltos em Cádiz (reservatório do rio Barbate) e Huelva (Parque Natural Marismas del Odiel).

Graças aos esforços feitos nos últimos anos, existe agora uma população reprodutora estabelecida e crescente.

EFE

Agência de Notícias de Portugal

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