Aviso colocado esta segunda-feira no posto de combustível do Intermarché de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Aos poucos, com o cair da noite, a sub-região do Médio Tejo foi-se iluminando e cerca da 01h00 já a nergia estava reposta nos 11 municípios do Médio Tejo. A Protecção Civil estimou, cerca das 21h00 de ontem, que 80% do território tinha já a energia reposta. “Várias zonas do país ainda estão às escuras. Tivemos a sorte de ter aqui o Castelo de Bode e quando a produção arrancou foi logo colocando energia nas linhas”, explicou ao mediotejo.net o comandante da Protecção Civil do Médio Tejo, David Lobato.

A falha geral de energia que se verificou em Portugal e Espanha gerou muitos constrangimentos nos serviços públicos, a par de uma corrida aos supermercados e postos de abastecimento de combustível. Mas o pior parece já ter passado, tanto na região como no país, confirmou na noite de ontem David Lobato.

“É expectável que amanhã [hoje] a situação esteja praticamente toda resolvida, mas alguns pontos da nossa sub-região estão ainda sem energia elétrica e vão manter-se assim pelo menos durante mais algumas horas. Neste momento (21h00), o que a E-Redes nos informa é que tem que colocar energia nos pontos críticos”, disse David Lobato.

ÁUDIO | DAVID LOBATO, COMANDANTE DA PROTEÇÃO CIVIL DO MÉDIO TEJO

“Portanto, aqui já está colocada a energia nos hospitais, em infraestruturas críticas e infraestruturas essenciais. Agora vamos ver o que é que a E-Redes consegue também pôr nas restantes zonas durante o dia de amanhã, mas estamos em crer que a a situação ficará 100% resolvida.” O que se veio a confirmar.

Ainda não era meio-dia e a falta de eletricidade já causava transtornos no trânsito em Abrantes, devido aos semáforos inoperacionais e congestionamentos em várias vias principais da cidade.

Chegaram a formar-se filas de vários quilómetros para a única bomba de gasolina a funcionar – a do supermercado Intermarché, que possui geradores por estar incluída na rede de abastecimento de emergência das autoridades nacionais.

O trânsito acumulou-se ao longo de vários km devido à afluência ao posto de combustível do Intermarché de Abrantes. Foto: mediotejo.net

A Polícia de Segurança Pública teve que intervir para orientar o tráfego em cruzamentos críticos, nas zonas centrais da cidade e nas proximidades dos postos de combustível. A Avenida D. João I foi uma das principais artérias afetadas, obstruindo o tráfego automóvel até à entrada na A23 (Alferrarede).

No sentido oposto, a fila de carros à espera para entrar na bomba do Intermarché depressa bloqueou a circulação na chamada rotunda das oliveiras, levando à formação de uma fila de vários quilómetros, que chegou a estender-se até à rotunda do Aquapólis. Muitos automobilistas, depois de 20 ou 30 minutos de progressão muito lenta, optavam por fazer inversão de marcha.

Para tentar minimizar o caos, foram organizadas duas filas em sentidos opostos, procedendo ao abastecimento de forma alternada.

Posto de combustível em Abrantes manteve funcionamento com recurso a geradores. Foto: mediotejo.net

Nuno Alves, um dos responsáveis pelas bombas de combustível do Intermarché de Abrantes, afirmou ao mediotejo.net que tanto o supermercado como o posto de abastecimento conseguem manter-se em funcionamento por bastante tempo, com recurso a geradores. Mas, segundo explicou, a situação foi “muito inesperada” e obrigou a uma gestão em tempo real. “Nestas situações tem que se gerir conforme se consegue… não agrada a ninguém, mas vamos tentando esticar a corda e vendo como é que se garante que não sai ninguém prejudicado, tanto quanto possível”, referiu.

Sobre a capacidade temporal para garantir um “normal” funcionamento, adiantou que o posto tem responsabilidades acrescidas por ser um posto de abastecimento destinado também às forças de emergência e autoridades, pelo que tem de manter algumas reservas. “Há limites que temos de garantir, mas neste momento é um bocadinho difícil dizer quando é que esses limites se irão atingir”, explicou, admitindo alguma incerteza quanto ao tempo em que será possível manter a operação sem restrições.

O responsável destacou ainda que, neste tipo de situação, a principal dificuldade reside na gestão da circulação no posto de combustível. “A grande limitação é a organização do funcionamento do posto, nomeadamente as entradas. Acabamos por ter de fazer um grande esforço para garantir alguma organização.”

Nas filas para o posto de combustível do Intermarché, em Abrantes, sobrava tempo para os automobilistas trocarem dois dedos de conversa. Foto: mediotejo.net

Paulo Santos, residente na cidade, foi um dos muitos condutores que se deslocaram ao local. Em declarações ao nosso jornal, explicou que a ida ao posto foi uma medida de “prevenção”, uma vez que “não se sabe quantos dias poderemos ficar sem eletricidade”.

“Já estou aqui há cerca de 30 minutos e ainda tenho alguns carros à minha frente… O pior de tudo é o calor, que já começa a tornar insuportável o interior do veículo”, relatou.

Sobre a necessidade de abastecimento, Paulo Santos frisou que depende do automóvel para a sua atividade profissional e que gasta muito gasóleo nas deslocações diárias. Com receios de que a falha energética se pudesse prolongar, admitiu: “Não sabemos se é para durar… há quem diga que pode demorar mais de dois dias a ser restabelecida. Ainda não sei se há limitações, vou tentar atestar o depósito para garantir que, pelo menos, consigo trabalhar amanhã.”

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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1 Comment

  1. Na “economia que mata”, o individualismo está a atingir o limite. Sempre que o “pânico” se instala “açambarcamos”… papel higiénico, garrafas de água e combustível?

    Se não sabemos quanto tempo vai demorar a “ameaça”, de que serve “atestar o depósito para garantir que, pelo menos, consigo trabalhar amanhã”? Adiar o “fim do mundo” por mais um dia? O meu carro é mais importante que uma ambulância?

    Frágeis, dependentes e egoístas. Que futuro podemos esperar?

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