No dia do ambiente que se celebrou na última terça-feira dei por mim a pensar, com alguma revolta, no oportunismo político de alguns dirigentes a propósito da emergência climática. Provavelmente alguns dos que agora acordaram para o assunto, são os primeiros a atirar papéis pela janela do carro, que deixam água a correr sem necessidade ou que são incapazes de separar o lixo doméstico.
São demasiados os vêem na ecologia uma oportunidade política, porque fica bem e porque finalmente parece dar votos. As questões ambientais e a sustentabilidade não podem ser apenas uma prioridade atual, deve ser sempre um dos eixos centrais da agenda de qualquer governo, partido ou geração. O ambiente não pode ser uma nova prioridade, devia ter sido uma espinha dorsal de qualquer programa político.
Se há partido que tem no seu ADN, e no seu trabalho, a causa ambiental é o PSD e a JSD – apesar de algumas pessoas se esquecerem disso. O tema do ambiente foi sempre central nos programas e ações do PSD, embora não fosse a sua única prioridade. Vejam quem aprovou as primeiras e principais leis de defesa do ambiente, de planeamento e gestão do território, as reservas naturais, o travão do nuclear, a redução dos sacos de plástico, o corte nas rendas excessivas da energia, etc etc. Nomes como Carlos Pimenta, Jorge Moreira da Silva, Carlos Borrego, José Eduardo Martins fizeram muito menos propaganda e muito mais pelo ambiente.
Foram jovens dirigentes do PSD que fundaram uma das mais antigas associações ambientalistas portugueses. Foi um Eurodeputado do PSD que fez o principal e o primeiro Relatório do Parlamento Europeu sobre as Alterações Climáticas. Alguns dos melhores exemplos de iniciativas ligadas à sustentabilidade, ao ambiente e à proteção da orla costeira ocorrem em autarquias que são do PSD como Cascais, Maia, Braga ou Ovar só para dar alguns exemplos. Quando o PAN apareceu saudei a oportunidade porque fazia falta um partido ecologista em Portugal. Os Verdes da PCP eram uma fraude política e demasiadas vezes o PSD tinha ficado sozinho nesta causa. Entretanto também já tinha surgido o BE que nos últimos anos tem feito alertas importantes.
Hoje alguns partidos dizem que vão levar para a UE a causa da emergência climática como se fossem ensinar alguma coisa à instituição que mais fez pelo ambiente nos países como Portugal. É à União Europeia que devemos o fim das lixeiras a céu aberto, as principais directivas e regulamentos a proteger o meio ambiente, a proteger as espécies e o território, o REACH, programa LIFE, o financiamento da investigação e investimento nas energias limpas e renováveis, a descarbonização, a promoção da eficiência energética, sem esquecer a liderança política global do combate ás alterações climáticas e o papel nas cimeiras do clima.
O ambiente precisa de todos nós, não apenas de alguns,
Querer mais é bom, dizer que o mundo começou agora é mau!
