Vários antigos e atuais autarcas da região receberam a distinção que o jornal quis fazer ao Poder Local, assinalando os 50 anos das primeiras eleições autárquicas em liberdade. Foto: Arlindo Homem

Na última década, o mediotejo.net publicou mais de 70 mil histórias da região. No passado domingo, 27 de setembro, foi a vez de a região se juntar para ajudar a contar a história do jornal, num momento de celebração coletiva.

O Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida, em Abrantes, encheu-se para assinalar o 10º aniversário do jornal que nasceu com a ambição de ser um ponto de encontro para os 250 mil habitantes da região do Médio Tejo.

Na abertura da cerimónia, Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes e da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, deixou de lado o discurso que levava escrito para falar “olhos nos olhos” sobre a importância que atribui ao jornalismo de proximidade.

Manuel Jorge Valamatos louvou o trabalho do jornal ao longo dos últimos 10 anos, em nome do concelho de Abrantes e da CIM do Médio Tejo. Foto: Arlindo Homem

“Qualquer comunidade sem jornalismo é seguramente muito mais frágil e mais pobre”, afirmou, defendendo que “é importante que esteja presente na vida das nossas comunidades e que seja feito com competência”.

O autarca reconheceu que há notícias que os responsáveis políticos “não gostam de ler”, mas considerou necessário saber lidar com o escrutínio público e conviver com diferentes opiniões quando os factos são verdadeiros.

Em nome da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e da cidade de Abrantes, Valamatos disse ter “muito orgulho” no trabalho desenvolvido pelo mediotejo.net, recordando o papel desempenhado em momentos particularmente exigentes, desde a pandemia aos incêndios ou às recentes cheias e tempestades.

“São sempre os primeiros a fazer chegar a informação a quem é preciso”, frisou, defendendo um maior reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos jornalistas locais, em geral, e do mediotejo.net em particular, pelo que fez nos últimos dez anos.

“É essa mensagem, verdadeiramente, que eu quero deixar, com este sentido de proximidade: falamos de jornalistas que conheço há muito tempo e que respeito muito. E a comunidade do Médio Tejo inteira, todos os nossos municípios, precisamos de vós para continuar a fazer este trabalho, para informar bem as nossas pessoas e para conseguirmos construir um futuro melhor para todos, mais justo e também mais capaz.”

“Uma região, um jornal“

Quando o mediotejo.net foi fundado, não existia nenhum órgão de comunicação social que cobrisse de forma equilibrada todos os concelhos do Médio Tejo. Na altura, era mais fácil para um habitante de Abrantes saber o que acontecia em Washington do que conhecer a atualidade de concelhos vizinhos, como Torres Novas ou Tomar.

Além disso, muitas das decisões com impacto direto na vida dos cerca de 250 mil habitantes da região – nas áreas da saúde ou dos transportes público, por exemplo –, passavam já pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e pela articulação entre todos os presidentes das câmaras municipais da região, e não existia essa percepção pública.

Foto: Arlindo Homem

Foi nesse contexto que nasceu o mediotejo.net, inspirado por uma ideia que continua a ser a sua assinatura: “Uma região, um jornal”.

Desde o início, o mediotejo.net quis tirar partido do meio digital e plataformas móveis, com a ambição de ser o jornal que andaria no bolso de toda a gente, sempre atualizado, e que não se limitaria a ter notícias para ler, mas também para ver e ouvir.

Mais do que um site de notícias, era preciso usar todas as plataformas para chegar a diferentes públicos, e esse conceito foi sendo reforçado ao longo dos anos, através do YouTube, Facebook, Instagram, X, TikTok, Linkedin e outras redes sociais, e recorrendo a formatos muito diversos, desde a simples partilha de notícias a “liveblogs” e transmissões em direto, de newsletters distribuídas por email a mensagens de alerta no telemóvel, alcançando milhares de pessoas diariamente.

Em 10 anos, o mediotejo.net conquistou uma média anual de 5 milhões de leitores. Foram publicadas mais de 70 mil notícias, reportagens e entrevistas e o jornal produziu também um documentário em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar, sobre a poluição no rio Tejo. Outro ponto marcante foi a transmissão em direto de debates entre todos os candidatos nos concelhos da região, nas eleições autárquicas de 2017, 2021 e 2025, o que nunca tinha acontecido em 50 anos de democracia.

Este percurso foi marcado também pelo reconhecimento de várias instituições nacionais e internacionais. O mediotejo.net foi eleito “Melhor Jornal Regional do Ano” nos Prémios SAPO, em 2020, recebeu apoios da Comissão Europeia e da Google para projetos jornalísticos e de inovação, foi selecionado para um programa de mentoria da Associação Mundial de Editores de Jornais, é desde 2022 um dos órgãos de comunicação selecionados para escrever todos os dias os “Destaques” da Google Notícias e obteve o 2º lugar a nível nacional no Prémio de Jornalismo da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, entre outras distinções.

Foto: Arlindo Homem

Mas o momento de celebração do caminho percorrido serviu igualmente para olhar para os desafios atuais e futuros. Num tempo marcado pela inteligência artificial e pela velocidade com que as “fake news” circulam e impõem a sua narrativa, a direção do jornal reafirmou a importância de ouvir pessoas, confrontar versões e confirmar os factos.

“Um jornal de proximidade não existe apenas para dizer o que aconteceu. Existe para fazer perguntas, escrutinar quem decide, ouvir quem raramente é ouvido, revelar as conquistas de pessoas e projetos, acompanhar os problemas das comunidades e, também, preservar memória”, foi sublinhado pela direção.

E existe também para dar “boas notícias” sobre o que de melhor acontece na região, e essa é uma marca do jornalismo do mediotejo.net desde o primeiro dia. Foi precisamente por isso que a festa não poderia celebrar apenas os 10 anos de história do jornal e distingiu o percurso de 10 personalidades que têm feito a diferença, ligadas ao serviço público, cidadania, cultura, conhecimento, criatividade, talento e inovação.

Foi um escolha necessariamente simbólica. Não foram escolhidos “os melhores” nem foi criado qualquer tipo de ranking, tal como foi explicado na sessão.

10 anos, 10 homenagens

A primeira homenagem foi coletiva, para assinalar os 50 anos das primeiras eleições autárquicas realizadas em democracia, em 12 de dezembro de 1976. O mediotejo.net distinguiu o Poder Local e os autarcas que, ao longo de cinco décadas, ajudaram a transformar os seus concelhos e a construir uma lógica de cooperação regional que foi iniciada na Associação de Municípios do Médio Tejo, criada em 1988, passando pela posterior Comunidade Urbana e pela atual Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

Manuel Jorge Valamatos recebeu simbolicamente a distinção, enquanto presidente da CIM, acompanhado por todos os antigos e atuais autarcas presentes na cerimónia.

Da memória política e coletiva passou-se para outra memória, construída através de imagens. Paulo Jorge de Sousa fotografa o Sardoal e a região desde os anos 80 e guarda no seu arquivo quatro décadas de pessoas, tradições, festas, património e acontecimentos.

O presidente da Câmara de Sardoal, Pedro Rosa, recebeu a distinção atribuída ao fotógrafo Paulo Jorge de Sousa. Foto: Arlindo Homem

Mas há outras contas que ajudam a explicar esta homenagem: desde o nascimento do mediotejo.net, aceitou o desafio de publicar todos os domingos uma fotografia acompanhada por uma pequena história.

Mais de 500 domingos depois, a sua “Crónica Fotográfica” continua a ser publicada no jornal, sem uma única falha. Pelo meio, Paulo Jorge de Sousa acompanhou para o jornal momentos marcantes da atualidade, durante grandes incêndios, a pandemia de covid-19, a Volta a Portugal em bicicleta ou a visita do Papa Francisco a Fátima, entre muitas outras reportagens.

Uma homenagem devida, por tudo o que tem feito pela fotografia, pela cultura e pela memória da nossa região, e por dez anos de amizade e generosidade com o mediotejo.net.

Paulo Constantino, fundador do proTejo, com os diretores do jornal, Mário Rui Fonseca e Patrícia Fonseca. Foto: Arlindo Homem

O Tejo esteve também entre os homenageados – ou, mais exatamente, quem há anos luta pela sua defesa. O proTEJO – Movimento pelo Tejo, com sede em Vila Nova da Barquinha, foi distinguido pela persistência na defesa da qualidade da água, dos ecossistemas, dos caudais ecológicos e de uma gestão sustentável do rio, levando preocupações nascidas no território para o debate nacional e europeu. O seu fundador, Paulo Constantino, destacou a importância de existir um jornalismo capaz de manter estas matérias na agenda, apontando as preocupações ambientais, as alterações climáticas, a água e os rios como temas que o mediotejo.net tem sempre acompanhado.

De Vila Nova da Barquinha, a viagem das homenagens seguiu para Cem Soldos, no concelho de Tomar. O BONS SONS, que assinalou 20 anos em 2026, foi distinguido não apenas como festival de música mas como projeto comunitário. Durante alguns dias, uma aldeia inteira transforma-se no recinto de um festival, fazendo das ruas, largos e espaços improváveis palcos para bandas nacionais, num projeto sem fins lucrativos construído com o envolvimento da população e cujas receitas regressam por inteiro à comunidade.

Felipe Cartaxo recebeu a distinção atribuída ao festival BONS SONS. Foto: Arlindo Homem

 “É uma coisa que temos em comum, o BONS SONS e o mediotejo.net: a resistência e resiliência. Nós fizemos 20 anos e vocês 10. Que sejam muitos mais”, disse Felipe Cartaxo, presidente do Sport Club Operário de Cem Soldos, ao receber a distinção.

De Tomar esteve presente também Patrícia Sampaio, que conquistou nos Jogos Olímpicos de Paris uma medalha de bronze no judo, depois de um percurso iniciado ainda criança na Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, clube que continua a representar.

A distinção foi partilhada com Igor Sampaio, seu irmão e treinador, e reconheceu também o clube tomarense e todos aqueles que criaram condições para que uma atleta formada numa cidade do Interior pudesse chegar a um pódio olímpico e se mantenha na liderança do ranking mundial.

Patrícia Sampaio recebeu a distinção ao lado da vice-presidente da Câmara de Tomar, Célia Bonet, do seu irmão e treinador, Igor Sampaio, e do presidente e diretor desportivo da SF Gualdim Pais, clube tomarense que continua a representar. Foto: Arlindo Homem

A judoca revelou ainda uma ligação pessoal ao jornalismo: licenciou-se nesta área, movida também por alguma frustração que sentia, enquanto atleta, com o jornalismo desportivo. “Sê a mudança que queres ver no mundo”, recordou, explicando que foi essa ideia de Gandhi que a levou a querer estar também “do outro lado”.

Foto: Arlindo Homem

A homenagem seguinte bateu a uma porta em Torres Novas onde o tempo parece andar mais devagar. Adelino Pires, alfarrabista e proprietário da livraria D’Outro Tempo, foi distinguido pela dedicação à memória escrita da região e também como representante de um comércio tradicional feito de conhecimento, conversa, relação humana e portas abertas.

Chamado de surpresa para receber a distinção – como sucedeu com os restantes homenageados –, resumiu numa frase a relação que mantém há décadas com a profissão que escolheu por vocação: “Posso dizer que o livro é um abraço”.

A homenagem ao alfarrabista Adelino Pires, de Torres Novas, visou distinguir também o comércio tradicional de excelência que dá vida às vilas e cidades da região. Foto: Arlindo Homem

Dos livros especiais de um alfarrabista passou-se para os milhares de livros disponíveis para todos na Rede de Bibliotecas Públicas do Médio Tejo, distinguida pelo papel que desempenha na promoção da cultura, do conhecimento, da inclusão digital e da coesão territorial.

Formalizada em 2018, a rede consolidou a cooperação entre as bibliotecas dos municípios da Comunidade Intermunicipal, permitindo partilhar recursos e aproximar as populações do conhecimento num território onde as distâncias nem sempre se medem apenas em quilómetros.

Luís Dias, vereador da Cultura de Abrantes e bibliotecário de formação, destacou as bibliotecas enquanto “centros de encontro” que contribuem para formar cidadãos mais bem informados, deixando também uma palavra aos profissionais que diariamente lhes dão vida.

Alguns dos autarcas presentes receberam a distinção para a Rede de Bibliotecas Públicas do Médio Tejo. Foto: Arlindo Homem

Em Tramagal, no concelho de Abrantes, tradição, conhecimento e inovação cruzaram-se na homenagem ao enólogo e produtor Nuno Falcão Rodrigues, do Casal da Coelheira.

A distinção chegou um dia depois de o vinho “Casal da Coelheira Private Collection Alicante Bouschet 2023” ter recebido o Prémio de Excelência na Gala dos Vinhos do Tejo, numa noite em que a casa de Tramagal arrecadou ainda mais três medalhas de ouro.

Foi mais um capítulo de um percurso com duas décadas de prémios nacionais e internacionais e que, em 2010, levou um rosé do Casal da Coelheira a receber a mais alta distinção no Concurso Mundial de Bruxelas, como “o melhor do mundo”.

Nuno Falcão Rodrigues não esteve na cerimónia por motivos de saúde, tendo a distinção sido recebida por Margarida Rodrigues, sua esposa e companheira enóloga, que agradeceu o trabalho sempre atento do mediotejo.net ao longo dos anos, noticiando os prémios conquistados.

Margarida Rodrigues, enóloga do Casal da Coelheira. Foto: Arlindo Homem

A celebração seguiu para Mação e para destacar o percurso científico que tem desbravado há décadas um caminho com dois sentidos: leva Mação ao mundo e traz investigadores de várias geografias até ao território.

O arqueólogo e investigador Luiz Oosterbeek, professor do Instituto Politécnico de Tomar, presidente do Instituto Terra e Memória e diretor do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação, foi distinguido pelo trabalho desenvolvido nas áreas da arqueologia, património, investigação e ligação entre conhecimento científico e comunidades.

É a prova de que é possível fazer ciência com dimensão internacional a partir de um território do interior e colocar simultaneamente esse conhecimento ao serviço das populações.

Em representação de Luiz Oosterbeek, ausente no estrangeiro, a investigadora Anabela Borralheiro agradeceu a distinção, frisando a ideia de que “não há democracia sem imprensa livre”.

Margarida Borralheiro representou Luís Oosterbeek, recebendo a distinção ao lado do presidente da Câmara de Mação, Fernando Martins. Foto: Arlindo Homem

Luiz Oosterbeek enviou uma mensagem de reconhecimento e de parabéns para o jornal, de que também tem sido um colunista regular.

Depois da memória, do ambiente, da cultura, do desporto, dos livros, do vinho e da ciência, a décima homenagem fez-se com música. Em 1987, um grupo de amigos começou a ensaiar numa quinta em Tomar. Chamava-se Quinta do Bill. Quase quatro décadas depois, a banda criada por Carlos Moisés, Rui Dias e Paulo Bizarro continua na estrada e a atrair milhares de pessoas aos seus concertos.

Carlos Moisés, dos “Quinta do Bill”. Foto: Arlindo Homem

O mediotejo.net quis distinguir uma carreira construída com persistência e identidade própria, mas também uma ligação às origens que o sucesso nunca apagou: os “Filhos da Nação” nunca deixaram de ser orgulhosamente filhos desta região.

“Não estava à espera disto, pensei que vínhamos todos era homenagear o mediotejo.net”, confessou Carlos Moisés, arrancando risos à sala, antes de agradecer a relação construída ao longo dos anos com o jornal.

Sete olhares sobre o jornalismo de proximidade

As homenagens foram intercaladas com testemunhos em vídeo de jornalistas, editores e diretores de outros meios de comunicação social do país, convidados a olhar para os 10 anos do mediotejo.net e para o papel do jornalismo de proximidade.

Nuno Francisco, diretor do Jornal do Fundão, que este ano celebrou o seu 80º aniversário, destacou a resiliência demonstrada ao longo da última década. Na sua opinião, o percurso do mediotejo.net é um exemplo da relevância do jornalismo de proximidade, que continua a representar “um porto seguro de confiança para os cidadãos”. O jornalista enalteceu ainda a forma credível, próxima e apaixonada como o jornal tem representado a região do Médio Tejo.

A diretora do Sul Informação, Elisabete Rodrigues, sublinhou a forte ligação à comunidade, considerando que o mediotejo.net é “um jornal de proximidade no verdadeiro sentido da palavra”. Além da cobertura informativa da região, destacou o envolvimento do projeto nas causas e problemas locais, bem como a aposta na inovação e nas novas tecnologias aplicadas ao jornalismo. A responsável desejou ainda que o jornal “viva mais algumas décadas”, por considerar que a região necessita de um projeto com estas características.

Já a jornalista Patrícia Matos, da NOW, recordou que o mediotejo.net surgiu numa altura em que os jornais digitais regionais eram ainda pouco comuns, demonstrando desde cedo capacidade para antecipar tendências e olhar para o futuro. Atualmente, afirmou, é uma referência para os leitores da região e uma fonte de informação para diversos meios de comunicação nacionais, destacando a capacidade da equipa para se reinventar num contexto particularmente difícil para os media regionais.

A diretora de A Mensagem de Lisboa, Catarina Carvalho, aproveitou a ocasião para defender a importância do jornalismo local em Portugal. Na sua perspetiva, o país precisa de meios de comunicação próximos das comunidades e capazes de contar as histórias das pessoas, considerando que projetos como o mediotejo.net desempenham um papel fundamental nesse objetivo.

Para Hália Santos, professora de Jornalismo na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes do Instituto Politécnico de Tomar, o mediotejo.net foi além da simples divulgação de notícias, contando histórias que retratam a comunidade sob múltiplas perspetivas. A académica elogiou o rigor, a criatividade e a inovação do projeto, considerando-o atualmente “imprescindível à comunidade do Médio Tejo”.

Por sua vez, Pedro Almeida Vieira, diretor do Página Um, realçou a importância da imprensa local como instrumento de fiscalização do poder e o trabalho fundamental que o mediotejo.net tem feito ao serviço da comunidade.

Também Pedro Santos, jornalista e editor da Divergente e da Comunidade Cultura e Arte, apontou o mediotejo.net como um dos órgãos de referência do jornalismo local em Portugal. Apesar dos obstáculos que afetam os projetos jornalísticos fora dos grandes centros urbanos, considerou que o jornal conseguiu afirmar-se como um meio essencial para a região, contribuindo para a informação dos cidadãos e para o reforço do papel cívico e democrático do jornalismo.

Onze concelhos, onze encontros em 2027

Se a tarde de domingo serviu para olhar para os primeiros 10 anos, houve também espaço para antever o que se pretende conquistar no futuro. Entre os projetos anunciados para 2027 está a intenção de transformar as 10 distinções entregues no aniversário numa iniciativa a repetir em cada um dos 11 concelhos da CIM, reconhecendo pessoas, associações, instituições, empresas e projetos que fazem a diferença em cada município.

No final, os homenageados juntaram-se a todos os presentes para uma fotografia de grupo e para um brinde no terraço do antigo edifício Carneiro, ao som da música da nova rádio digital integrada no site, desenhada para o foco, bem-estar e produtividade, e que se tornou pública nesse momento, em edição experimental.

Com o agradecimento a todos os que ajudaram a escrever a história do mediotejo.net ao longo destes 10 anos – jornalistas, colaboradores, parceiros, instituições, anunciantes e, sobretudo, leitores –, ficou também renovado o compromisso de continuar a trabalhar para “dar voz à região”. Enquanto houver estrada para andar.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Sou diretora do jornal mediotejo.net, diretora editorial da Médio Tejo Edições e da chancela de livros Perspectiva. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

Deixe um comentário

Leave a Reply