Foto: DR

O futuro do painel de azulejos da antiga Escola da União Fabril, em Alferrarede (Abrantes), continua dependente da decisão judicial que envolve o processo de deslocalização de uma farmácia para o edifício. Certo é que, durante a remoção da fachada, o painel acabou por se desprender, tendo os azulejos caído e ficado irremediavelmente danificados. A informação foi avançada pelo vereador João Gomes durante a reunião do executivo municipal de Abrantes.

Segundo o vereador, a Câmara Municipal reuniu entretanto com o promotor da obra, que já terá respondido à notificação enviada pelo município relativamente à remoção do painel.

De acordo com os esclarecimentos prestados em reunião de executivo, quando foi iniciada a intervenção na fachada, o reboco encontrava-se solto e os azulejos apresentavam um elevado grau de degradação, resultante do envelhecimento do edifício. Durante a remoção da fachada, o painel acabou por se desprender na totalidade, tendo os azulejos caído e ficado irremediavelmente danificados.

ÁUDIO | João Gomes, vereador na Câmara Municipal de Abrantes

João Gomes explicou que a autarquia decidiu embargar a obra devido à ausência de notificação e de licenciamento prévio para a remoção do painel de azulejos. Ainda assim, garantiu que todas as restantes intervenções no imóvel estão a decorrer de forma legal, motivo pelo qual o município autorizou a retoma dos trabalhos no restante edifício, mantendo apenas por concluir a zona correspondente ao antigo painel.

O vereador revelou ainda que o promotor manifestou a intenção de prosseguir com a recuperação da habitação e apresentou dois cenários possíveis para o futuro do edifício, diretamente relacionados com o pedido de deslocalização de uma farmácia para aquele local.

Foto: mediotejo.net

Esse processo encontra-se atualmente suspenso, aguardando decisão de um tribunal administrativo, no âmbito de um litígio que envolve outro pedido de deslocalização de farmácia no concelho.

De acordo com João Gomes, o promotor já dispõe de orçamento para a reposição integral do painel de azulejos, respeitando a traça original, a mesma fisionomia e o mesmo lettering.

Contudo, caso a deslocalização da farmácia venha a ser autorizada, essa reposição poderá não avançar nos moldes originais, uma vez que as farmácias não admitem a coexistência de outra designação no edifício, considerando inadequada a manutenção da palavra “escola” na fachada.

Nesse cenário, o promotor admite a criação de um novo painel que preserve o espírito do lugar, mas sem referência à antiga Escola da União Fabril. Se, por outro lado, a deslocalização da farmácia não for autorizada, o painel será reposto exatamente como existia, salvaguardando a memória histórica do edifício.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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