Foto: mediotejo.net

Em nota informativa publicada na página do Facebook da instituição hospitalar, a meio da tarde de sexta-feira, o CHMT indica que “vai ter constrangimentos durante este fim de semana”, ou seja, não vai receber utentes em serviço de urgência, entre as 9h00 de sábado, dia 7 de outubro, e as 9h00 de segunda-feira, 9 de outubro.

Neste período de 48 horas, “a Urgência de Ginecologia-Obstetrícia e Bloco de Partos da Unidade Hospitalar de Abrantes do CHMT vão estar encerrados ao exterior, apenas assegurando prestação de cuidados às utentes já admitidas na Instituição”, pode ler-se.

Segundo a mesma nota, “as grávidas da área de influência do CHMT que entrem em trabalho de parto deverão ligar para a linha SNS 24 (808 24 24 24) para saber qual o Serviço de Urgência da região para o qual se devem dirigir, no âmbito do plano “Nascer em Segurança” no SNS. Em caso de emergência, deverão ligar 112”.

O CHMT recorda ainda na nota informativa que a Maternidade e Serviço de Urgência de Ginecologia-Obstetrícia, instalada em Abrantes, “tem assegurado ininterruptamente assistência às grávidas do Médio Tejo e de toda a região do Ribatejo, desde o passado mês de junho” e que este “é um constrangimento pontual, que está relacionado com a doença súbita de um dos elementos da equipa de médicos obstetras, que em tão curto espaço de tempo não foi possível ultrapassar”.

Doenças súbitas na origem do fecho de urgências também em Tomar e Torres Novas

A Urgência Básica da Unidade Hospitalar de Torres Novas, do Centro Hospitalar Médio Tejo (CHMT) esteve encerrada entre as 20h00 de terça-feira e as 08h00 de quarta-feira, devido a “indisponibilidade súbita” do médico que asseguraria a escala.

Episódio idêntico aconteceu na Urgência do hospital de Tomar, na noite de sábado para domingo. também devido a “indisponibilidade súbita do médico externo que assegurava regularmente a escala da Urgência Básica”, indicou, na ocasião o CHMT.

A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) já se pronunciou sobre os encerramentos noturnos (temporários) no Serviço de Urgência Básica em Tomar, e depois também em Torres Novas, tendo afirmado que estas situações “resultam de muitos anos de políticas erradas na formação e gestão de recursos humanos no SNS – Serviço Nacional de Saúde”.

A CUSMT, em comunicado, pede aos responsáveis que “tomem as medidas necessárias e urgentes para garantir os necessários cuidados de saúde de qualidade e proximidade à população” do Médio Tejo.

Oposição em Tomar preocupada com o estado da saúde e o encerramento das urgências

Durante a reunião do executivo tomarense, na segunda-feira, o vereador Tiago Carrão (PSD), alertou para a situação que se vive no concelho ao nível da saúde, tendo referido que o encerramento das urgências em Tomar no fim de semana passado, é “um cenário” que preocupa, tendo afirmado “que se vai repetir”.

“Na Assembleia Municipal acho que lhe ficou muito mal dizer que compreendia esse encerramento, mas o que não se compreende é porque é que o hospital de Tomar é sempre o parente pobre na família do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT)”, afirmou o vereador social-democrata, dirigindo-se ao presidente da Cãmara, Hugo Cristovão (PS).

ÁUDIO | Tiago Carrão (PSD), vereador na Câmara Municipal de Tomar

Segundo avançou o Jornal Público, a recusa de médicos às horas extraordinárias tem condicionado as urgências em diversos hospitais do país, em que se inclui o Hospital de Tomar, que integra o Centro Hospitalar de Tomar.

Em causa está a recusa por parte dos profissionais em trabalhar para além das 150 horas previstas na legislação, o que antecipa um agravar da situação até ao final do mês

Foto: Pexels

Tendo em conta a gravidade da situação, que ameaça estender-se a outros hospitais, o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, já solicitou uma reunião de caráter urgente com o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, antecipando que cerca de 25 hospitais possam não estar em condições de assegurar urgências essenciais nos próximos meses devido à falta de médicos, avança o jornal Expresso.

O presidente da autarquia tomarense, Hugo Cristóvão, deu conta de que perante os presidentes de Câmara do Médio Tejo, o Conselho de Administração do CHMT manifestou as dificuldades que se antecipavam para o presente mês de outubro.

“Só quem de facto veja zero notícias e não perceba o que está a acontecer no país. Essas dificuldades e repito, no caso do Centro Hospitalar, eu não disse Tomar, disse CHMT, iriam obrigar a constrangimentos nas várias unidades em vários setores, porque havia várias situações a acontecer”, afirmou.

ÁUDIO | Hugo Cristóvão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

Por um lado, está em causa a questão da recusar dos médicos em fazer mais que as 150 horas extraordinárias, “e estamos a falar num limite anual, o que quer dizer que estando nós em outubro (…) essas 150 horas já passaram há muito tempo. É quase impossível que um médico chegasse a outubro sem ter esgotado essas 150 horas”, acrescenta.

Por outro, a contribuir para a falta de profissionais, está o facto de “vários médicos se estarem a preparar para os exames para a especialidade e também estão mais limitados naquilo que podem fazer, a juntar com algumas baixas e uma outra saída”.

Tendo conhecimento da falta de recursos humanos, o CHMT deparava-se com duas opções, segundo referiu o autarca. “Os turnos e escalas já estão feitas para o mês de outubro e podia deixar que acontecessem essas falhas no período em que aquele médico estava escalado e não ia poder fazer ou, sabendo que essas situações iriam acontecer, reorganizar os turnos e tentar programar as ausências”.

Hugo Cristóvão, presidente da Câmara Municipal de Tomar. Foto: mediotejo.net

Colocados “entre a espada e a parede”, Hugo Cristóvão afirma que a melhor opção é, de facto, a programação, uma vez que permite atempadamente avisar as comunidades. “Foi isso que o Conselho Hospitalar fez. Não é à Câmara que compete fazer isso. Era o que faltava também. Portanto, creio que no caso de Tomar foi apenas uma noite (…), o que não quer dizer que não venha a acontecer novamente porque o que nos foi dito é que seriam dois fins de semana”, afirma.

O autarca tomarense, embora compreenda os motivos que levaram ao sucedido, referiu não poder “pactuar com a situação”, tendo sublinhado a necessidade de encontrar formas de a resolver.

“O facto de dizermos que percebemos não quer dizer que eu e outros autarcas do Médio Tejo não tenham deixado muito claro perante o presidente do Conselho de Administração que não podemos pactuar com a situação, que têm de ser encontradas formas de a resolve”, concluiu.

Direção-executiva do SNS reúne-se sábado com hospitais devido à crise nas urgências

A direção-executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai reunir-se durante o dia de sábado com administrações dos hospitais, que estão a enfrentar dificuldades em completar as escalas das equipas de urgência.

A informação foi avançada hoje ao final do dia por vários órgãos de comunicação social e confirmada à Lusa por fonte da direção-executiva do SNS, que referiu que se realizarão várias reuniões ao longo do dia, mas sem especificar quantas estão agendadas.

Nas últimas semanas, alguns hospitais do país estão a enfrentar dificuldades em garantir escalas completas das equipas, sobretudo para os serviços de urgência, uma vez que vários médicos estão a recusar-se fazer mais do que as 150 horas extraordinárias anuais previstas na lei.

Num levantamento feito esta semana sobre a entrega de minutas de recusa de horas extraordinárias, a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) salientou que a situação está a provocar encerramentos e constrangimentos nos serviços de urgências, mas também nas escalas de outros serviços hospitalares.

Segundo a FNAM, cerca de 2.000 médicos já se recusaram fazer mais horas extras do que as legalmente previstas.

Também esta semana, a porta-voz do movimento Médicos em Luta disse à Lusa que o Sistema Nacional de Saúde “está a ruir” e que os médicos já não conseguem travar essa “demolição”, registando-se constrangimentos em 27 hospitais do país.

O Hospital de Santa Maria – o maior do país – apelou hoje para que apenas recorram à sua urgência os doentes que necessitam de cuidados urgentes e emergentes, alegando que o serviço está sob grande pressão por estar a receber utentes de outros hospitais.

c/LUSA

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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