No dia 16 de julho, assistimos ao debate do Estado da Nação, por tradição, um dos momentos políticos mais importantes do ano parlamentar. Realiza-se habitualmente em julho, já no final da sessão legislativa, e pretende ser a oportunidade para fazer um balanço do estado do país, confrontando a ação do Governo com a realidade vivida pelos portugueses.
É também um debate que, pela sua própria estrutura, tende a favorecer o Governo. É o Executivo que abre e encerra a discussão, procurando marcar a narrativa e apresentar uma leitura positiva da sua governação.
No entanto, o debate deste ano deixou uma imagem bem diferente. Em vez de um Governo capaz de apresentar resultados sólidos, vimos um Executivo distante da realidade e sem respostas para os principais problemas do país.
O crescimento económico continua aquém do esperado, a inflação continua a pesar no orçamento das famílias, o acesso à habitação permanece uma das maiores preocupações dos portugueses, o investimento fica abaixo das previsões e as exportações dão sinais de abrandamento.
São indicadores que justificam preocupação e que exigem mais do que discursos otimistas.
Também a postura do Primeiro-Ministro levantou dúvidas. Em plena crise de incêndios, esperava-se liderança, presença no terreno e capacidade de coordenação. Em vez disso, ficou a sensação de que se privilegiou a comunicação em detrimento da ação, numa atitude que pouco contribuiu para reforçar a confiança dos portugueses.
A somar a tudo isto, a gestão da época de exames acabou por expor fragilidades no Ministério da Educação. A confusão sobre os exames, onde o Ministério da Educação se deixou amarrar? Mau demais. A sucessão de problemas e a incapacidade de lhes dar uma resposta rápida deixaram alunos, famílias e escolas numa situação de incerteza que poderia e deveria ter sido evitada.
Portugal precisa de estabilidade, mas a estabilidade não se constrói apenas com maiorias parlamentares ou com discursos bem preparados. Constrói-se com decisões, competência e capacidade de resolver os problemas concretos das pessoas.
É essa a expectativa dos portugueses. E é essa a responsabilidade de quem governa.
