Quando o telefone tocou, Sandrina Alves não fazia ideia de que, poucas semanas depois, estaria a atravessar o Atlântico para assistir a um jogo de Portugal no Mundial.
Do outro lado da linha estava a amiga Rita Coutinho, de 36 anos, com uma notícia difícil de acreditar: tinha ganho um concurso promovido pela Unilever que oferecia uma viagem para duas pessoas aos Estados Unidos, quatro dias de estadia em Houston, no Texas, e bilhetes para assistir ao encontro entre Portugal e o Uzbequistão.
Rita, que trabalha em Tomar, não teve dúvidas sobre quem queria ao seu lado naquela aventura: a amiga Sandrina, de 35 anos, natural de Abrantes e a trabalhar em Tramagal, no posto de abastecimento da Repsol.
A notícia foi recebida com enorme entusiasmo. “A Rita ligou-me assim que soube. Eu nem queria acreditar”, recorda Sandrina. Depois da surpresa inicial, também ela não pensou duas vezes antes de aceitar o convite para viver uma experiência que dificilmente voltará a repetir.




O concurso, de âmbito nacional, desafiava os participantes a comprar pelo menos dez euros em produtos de marcas da Unilever, como Dove, Rexona, Axe, TRESemmé, Sunsilk, Vaseline, Linic ou Lux, e a escrever um relato de golo criativo utilizando uma dessas marcas. A originalidade da participação valeu a Rita o prémio que acabaria por proporcionar às duas amigas uma viagem de sonho.
Durante cerca de três meses prepararam a aventura. Pesquisaram tudo o que podiam sobre os Estados Unidos, os costumes locais e os locais a visitar. Na mala seguiram roupa leve, devido às temperaturas elevadas, artigos de higiene e um objeto que não podia faltar: a camisola da Seleção Nacional.
Houston revelou-se uma cidade muito diferente daquilo que imaginavam. As largas avenidas, a dimensão da cidade, a simpatia das pessoas e o ambiente criado em torno do Mundial deixaram-nas impressionadas. Mas houve um detalhe que as surpreendeu particularmente: a quantidade de adeptos estrangeiros vestidos com camisolas de Portugal e, sobretudo, de Cristiano Ronaldo.
“Ficámos muito admiradas. Havia pessoas de muitos países com camisolas de Portugal e do Cristiano Ronaldo. Percebemos a dimensão que ele tem. É um ídolo para milhares de pessoas”, conta Sandrina.
O momento mais aguardado chegou no dia do jogo. Portugal venceu o Uzbequistão por expressivos 5-0, naquela que foi uma das exibições mais conseguidas da seleção nacional no torneio, antes da eliminação nos oitavos de final frente à Espanha.
Mas, para Sandrina e Rita, a experiência começou ainda antes do apito inicial. Por serem convidadas da organização, tiveram a oportunidade de entrar no relvado, conhecer parte dos bastidores do estádio e estar junto da bola que seria utilizada no encontro.
“Quando pisámos o relvado e aparecemos no ecrã gigante do estádio pensei: ‘Como é que eu vim aqui parar?'”, conta Sandrina, entre risos.

Já nas bancadas, virou-se para a amiga e resumiu tudo numa frase: “Rita, isto é incrível! Obrigada!”. A emoção voltou a sentir-se quando ecoou o hino nacional. “Foi um momento de grande emoção e de honra. Só aproveitámos o momento.”
Entre todas as recordações, há uma que continua bem viva: o golo de Cristiano Ronaldo e a saída do estádio, com milhares de adeptos a gritarem o nome do capitão da seleção.
A viagem ainda lhes reservou uma surpresa inesperada. No regresso, um voo cancelado obrigou-as a permanecer oito horas em Amesterdão. O que podia ter sido um contratempo acabou por se transformar numa das melhores recordações da aventura.
As duas amigas aproveitaram para sair do aeroporto, passear junto aos canais, descobrir o centro histórico, provar a gastronomia local e conhecer uma cidade que as conquistou. O entusiasmo foi tal que já decidiram qual será o próximo destino: querem regressar à Holanda para explorar com mais tempo aquilo que ficou por conhecer.
De volta à rotina, Sandrina regressou ao posto de abastecimento da Repsol, no Tramagal, enquanto Rita retomou o trabalho numa livraria e papelaria, em Tomar. Os colegas acompanharam a viagem à distância e vibraram com cada fotografia e vídeo partilhados. Hoje, quando olham para trás, continuam a sentir que viveram algo difícil de explicar.

“Foi algo inexplicável, uma oportunidade única de viver o futebol de perto e de viajar aos Estados Unidos. Ainda hoje parece um sonho… um sonho que espero que um dia se repita”. Com ou sem Mundial…
