Foto: mediotejo.net

Inaugurado no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Centro Tecnológico Especializado (CTE) de Informática da Escola Básica e Secundária Dr. Solano de Abreu representou um investimento de cerca de um milhão de euros e integra a rede de Centros Tecnológicos Especializados criada para reforçar o ensino profissional e aproximar a formação das necessidades do mercado de trabalho.

Em Abrantes, o projeto veio reforçar a oferta nas áreas da informática e multimédia, numa aposta que se articula também com o tecido empresarial e com o ensino superior existente no concelho.

Um ano depois da entrada em funcionamento do espaço, a diretora do Agrupamento de Escolas n.º 1 de Abrantes considera que as expectativas estão a ser plenamente correspondidas.

“O Centro Tecnológico representa uma oportunidade para os nossos alunos. Proporciona uma formação mais próxima das exigências tecnológicas atuais, permite desenvolver competências técnicas avançadas e prepará-los melhor para o ensino superior e para o mercado de trabalho”, afirmou Ana Rico.

Na sua perspetiva, o investimento veio “ampliar e incrementar” tudo aquilo que já era desenvolvido no ensino profissional da área das ciências informáticas, tornando-se igualmente um elemento diferenciador para a escola e para a região.

“É um fator diferenciador entre escolas, inclusive ao nível do Médio Tejo e do concelho de Abrantes. Representa um enorme valor para a nossa comunidade educativa”, sublinhou.

Um milhão de euros em tecnologia e espaços flexíveis

O Centro Tecnológico Especializado implicou um investimento de cerca de 900 mil euros, acrescido de IVA, rondando um milhão de euros.

Embora vocacionado para os cursos profissionais ligados à informática, Ana Rico explica que o equipamento está disponível para toda a comunidade educativa e pode também ser utilizado pelos parceiros da escola, no âmbito dos protocolos existentes.

“O principal objetivo é servir o ensino profissional, mas é um equipamento que temos todos à nossa disposição quando não está ocupado por estes alunos. Também está disponível para os nossos parceiros”, explicou.

O CTE apoia, sobretudo, os atuais cursos de Desenvolvimento de Software – antiga designação de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos e de Multimédia.

O investimento permitiu renovar completamente os espaços, dotando-os de mobiliário flexível e adaptado a diferentes metodologias de ensino, além de novos computadores portáteis, tablets, equipamentos audiovisuais e quadros digitais de grande formato, bem como de um pequeno auditório reorganizado para responder a diferentes contextos de aprendizagem.

“As salas permitem várias organizações, em grupo, individualmente ou em diferentes configurações, criando dinâmicas de aprendizagem muito diversificadas”, explicou.

Se a escola ganhou novos equipamentos, os alunos ganharam também novas condições de aprendizagem. Segundo Ana Rico, o entusiasmo foi imediato: “O impacto foi grande porque os alunos ficaram muito motivados. Tinham à sua disposição equipamentos já datados e, com este upgrade, passaram a trabalhar com tecnologia de alta qualidade”, referiu.

O envolvimento dos próprios estudantes começou ainda antes das aulas. “Muitos deles participaram na montagem das salas, ajudaram os professores e demonstraram logo uma enorme vontade de começar a utilizar os novos equipamentos.”

A diretora recorda igualmente que vários alunos solicitaram autorização para utilizar o Centro Tecnológico antes do final do ano letivo para desenvolver os seus Projetos de Aptidão Profissional (PAP), sinal do interesse despertado pelas novas instalações.

Apesar de o Agrupamento dispor de um corpo docente estável e especializado na área da informática, a chegada dos novos equipamentos obrigou também a um processo de formação.

“Os nossos professores têm formação na área da informática, mas relativamente aos novos equipamentos foi necessária formação específica, assegurada pelas empresas fornecedoras, tanto ao nível do hardware como do software”, explicou.

Essa atualização incidiu sobre computadores, tablets, equipamentos multimédia, câmaras e restantes tecnologias disponibilizadas pelo Centro Tecnológico.

Erasmus e ligação às empresas reforçam ensino profissional

Para Ana Rico, o CTE integra uma estratégia mais ampla de valorização do ensino profissional. Além dos novos equipamentos, destaca a internacionalização através do programa Erasmus+, que permitiu, pela primeira vez, aos alunos dos cursos profissionais realizarem estágios de um mês em empresas de vários países europeus.

“Foi uma grande satisfação e um grande orgulho para nós. Todos os alunos regressaram com classificação máxima nos estágios realizados”, afirmou.

A diretora considera que esta experiência demonstra a qualidade da formação ministrada pelo agrupamento e reforça a preparação dos jovens para a integração no mercado de trabalho.

Ao mesmo tempo, sublinha a importância da ligação às empresas do concelho e da região, que continuam a acolher os alunos em contexto de formação.

“É esse caminho que queremos continuar a construir: investir no Centro Tecnológico, investir no futuro dos nossos alunos e responder aos desafios de uma sociedade cada vez mais digital, inovadora e tecnológica.”

Um percurso completo sem sair de Abrantes

Olhando para o futuro, Ana Rico considera que um dos maiores pontos fortes do concelho passa precisamente pela possibilidade de os jovens realizarem todo o seu percurso formativo sem necessidade de sair de Abrantes.

Depois do ensino básico, podem frequentar os cursos profissionais apoiados pelo Centro Tecnológico Especializado e prosseguir estudos na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes.

“É muito gratificante saber que os nossos jovens podem fazer aqui todo o seu percurso escolar e depois continuar no ensino superior, também em Abrantes”, concluiu.

O objetivo para os próximos anos, de acordo com a diretora, passa por consolidar este caminho, continuar a investir no CTE e reforçar a ligação ao tecido empresarial, garantindo que a escola continua a formar profissionais preparados para responder às necessidades de uma economia cada vez mais tecnológica.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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