De 11 a 13 de setembro, Tomar transforma ruas, praças e espaços históricos em palcos para três dias de arte, circo, dança, música e teatro. O Art’InRua – Festival Internacional de Artes de Rua, arrancou esta sexta-feira no Claustro da Micha, no Convento de Cristo, com “Kairós”, da companhia luso-francesa Fika e prossegue pela cidade com dezenas de espetáculos e propostas para todos os públicos.
É a quinta edição do festival internacional de artes de rua e, segundo o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, esta edição representa um reforço de uma iniciativa que considera já consolidada. “Vamos já para a quinta edição e nesta quinta edição temos um reforço, nesta que já não é uma aposta, é um projeto já consolidado destes 5 anos”, afirmou.
Esse crescimento traduz-se, de acordo com o autarca, no aumento do número de companhias participantes e da programação prevista para os três dias. “Há um reforço, desde logo do número de companhias que vão participar, como há também um reforço da programação e do número de ações que vamos ter ao longo destes 3 dias.”


A sessão de abertura teve como cenário o Claustro da Micha, no Convento de Cristo, um dos espaços patrimoniais mais emblemáticos do concelho. O Art’InRua arrancou com “Kairós”, da companhia Fika, uma criação que cruza dança contemporânea, hip-hop e acrobacia, interpretada por Maria Pinho e Charline Nolin. O espetáculo parte do conceito grego kairós, associado ao momento certo ou à oportunidade, e explora a relação entre as duas intérpretes através do movimento e da acrobacia.
Para Tiago Carrão, a presença do festival no Convento de Cristo insere-se numa estratégia mais abrangente de valorização e utilização do património do concelho. “Quando olhamos para o território, temos aqui um conjunto de mais-valias e daquilo que, por muito que todos se possam esforçar, ninguém pode replicar. E o Convento de Cristo, este complexo monumental do convento, da mata, do castelo, do aqueduto, é aquilo que ninguém nos pode tirar e, portanto, faz todo o sentido que as experiências do concelho e da cidade sejam vividas com o convento.”

O presidente da Câmara Municipal sublinha ainda que a utilização do património para iniciativas culturais não é uma experiência isolada. “Não é caso inédito ao longo do mandato. (…) Ainda a semana passada tivemos aqui, em que envolvemos também o Exército Português… temos outras iniciativas em que envolvemos o convento, a Universidade Politécnica de Tomar e, portanto, é um parceiro de excelência”
A ideia, acrescenta, é que o património não seja apenas contemplado, mas vivido. “Queremos, cada vez mais, aproveitar que temos este património, mas o património é também ele para ser vivido e, neste caso, para ser experienciado.”





Ao longo dos próximos dias, o Art’InRua vai estender-se a vários pontos de Tomar, com uma programação que reúne companhias, artistas portugueses e estrangeiros e diferentes linguagens, do circo contemporâneo à dança, teatro, música, instalações e arte participativa.
A programação foi pensada, segundo Tiago Carrão, para chegar a diferentes públicos. “É um festival de rua para todos”, afirmou, destacando o facto de ser uma iniciativa aberta e realizada no espaço público. “A programação é muito variada também e esse é também um dos pontos atrativos. Eu acho que ao longo dos 3 dias vai haver momentos para descobrir para todas as idades, para todo o tipo de gostos.”
A sexta-feira prosseguiu com a parada de abertura pelo Centro Histórico e espetáculos na Várzea Pequena e na Praça da República. No sábado, a programação distribui-se por espaços como o Mouchão, a Rua Serpa Pinto, A Moagem – Fábrica das Artes e o Claustro do Convento de São Francisco. Domingo será dedicado a mais uma jornada de espetáculos, oficinas e propostas participativas, com destaque para a concentração de iniciativas no Mouchão e para os espetáculos na Praça da República.

Além dos espetáculos, o festival conta ainda com o Pátio Art’InRua, na Várzea Pequena, espaço de restauração, convívio, programação musical, mercado artístico e venda de produtos locais. A programação complementar inclui também a instalação “Cidade das Cores | Plastic City”, de Sofia Cantarino, e a criação “Ossos de Ofício”, de Inês Vieira e Tiago Vieira.
A ambição, garante Tiago Carrão, é continuar a fazer crescer o festival. “A ambição existe sempre, a ambição de passar ao próximo nível.” O autarca admite que, estando o Art’InRua já consolidado, é tempo de pensar na sua evolução. “Se o festival neste momento é um projeto já consolidado, como eu dizia há pouco, quando assim é, é começar a pensar na próxima fase, pensar de que forma podemos continuar.”




E essa evolução poderá passar por observar outras experiências e referências existentes no país. “Nós temos também alguns bons exemplos no país nesta área, é perceber o que é que estão a fazer, (…) perceber como é que podemos trabalhar cada vez melhor esta área da arte de rua.”
Com a cidade como palco, o presidente da Câmara deixa o convite para estes três dias de festival: “Este convite é para viver a cidade, para viver o nosso património também e é para viver uma experiência que não é todos os dias que temos a possibilidade.”
“Este é um nível, é uma camada que devemos acrescentar ao território. É dinâmica, é a arte. Nós queremos um território cada vez mais de bem-estar, um território criativo”, afirmou, considerando que esse objetivo se concretiza através de iniciativas como o Art’InRua. “Vale muito a pena vir a Tomar por estes dias.”




PROGRAMA
Sexta-feira, 11 de setembro
A programação arrancou às 18h00, com a sessão de abertura institucional no Convento de Cristo, onde a companhia Fikä (PT/FR) apresentou Kairós, um espetáculo de circo contemporâneo. À mesma hora, no Pátio Art’InRua, na Várzea Pequena, o CIRE Tomar apresentou Ritmos Inclusivos, marcando a abertura do festival ao público.
Às 19h30, o Centro Histórico recebeu a Parada de Abertura, com a participação de Wetumtum, Produções Cria, Palhaço Manu + Leanimenteur e Tomar-lhe o Gosto. A música continuou às 20h00, no Pátio Art’InRua, com a atuação de Tomar-lhe o Gosto.
A noite prossegue na Praça da República, onde, às 21h00, a companhia Fikä volta a apresentar Kairós. Segue-se, às 22h00, Yûgen, da La Banda Teatro Circo (Espanha), e, às 23h00, Back2Classics, da companhia Planeta Trampolí (Espanha), encerrando o primeiro dia com duas propostas de circo contemporâneo.
Sábado, 12 de setembro
A programação começa às 10h00, com “Ossos de Ofício”, de Inês Vieira & Tiago Vieira, no Claustro do Convento de São Francisco, e prolonga-se pela tarde e noite com contadores de histórias, oficinas, clown, arte participativa, música, dança vertical, teatro e circo contemporâneo.
Entre os destaques estão “Queria? Já Não Quer!?”, dos Wetumtum; “Tri-Fabrica”, da Look Up Company (IE); “Caricature”, da PIA – Projectos de Intervenção Artística; e “Inânia”, do Teatro do Mar. Os principais espetáculos noturnos acontecem na Praça da República.
Domingo, 13 de setembro
O último dia concentra uma parte significativa da programação no Mouchão, com teatro de objetos, oficinas, contadores de histórias, arte participativa e dança. Ao longo do dia haverá ainda propostas no Centro Histórico, na Várzea Pequena e na Rua Serpa Pinto.
Entre os espetáculos previstos estão “Fantasie Minor”, de Marco da Silva Ferreira; “Wonderland”, de El Goma (AR/DE); “EH?!”, dos Flying Pikimis (ES); e “TENET”, da Eunoia Kolektiva (ES), com o encerramento da programação na Praça da República.
O Pátio Art’InRua, na Várzea Pequena, funciona sexta-feira das 18h00 às 00h00, sábado das 12h00 às 00h00 e domingo das 12h00 às 18h00, com restauração, convívio, programação musical, mercado artístico e produtos locais.
O Art’InRua 2026 decorre de 11 a 13 de setembro, com entrada livre, numa organização do município de Tomar e da Tenda Produções.
