Foto: Paulo Jorge de Sousa

Ontem senti falta da rádio. Da nossa rádio, da rádio local, a que nos dá notícias sobre nós, sobre o que se passa aqui no cruzamento mais próximo. Bem, devo esclarecer que não me refiro aos profissionais que conheço e que me conhecem e que trabalham para a rádio, para a internet e ainda escrevem para jornais, esses que por vezes ainda conseguem fazer o impossível, ainda conseguem trabalhar durante a semana e no fim de semana sempre que é preciso, muitas vezes para além do horário que lhes competia. Nem falo dos proprietários desses órgãos de comunicação social. 

Falo da rádio mesmo, daquela das ondas hertzianas. Da rádio da informação. Eu explico. Ontem deflagrou um incêndio aqui bem perto de Sardoal, em Mouriscas, concelho de Abrantes. As primeiras notícias até diziam que era em Cabeça das Mós, Sardoal.

Nessa altura, tive de sair e fazer uma viagem de algumas dezenas de quilómetros e pensei que sintonizando a rádio poderia acompanhar mais de perto os acontecimentos, nem que fosse nas passagens da hora, como habitual. Mas não.

Durante algum tempo, as únicas notícias que tinha, vinham dos carros de bombeiros da região que passavam com as luzes a piscar e a marcha característica de quem ia em socorro. E da paisagem, ora mais escura, ora mais clara. Na verdade, verifiquei depois que existiam notícias mas apenas nos sites oficiais e nas redes sociais, na internet.

Isto fez-me pensar que o tal kit de emergência que devemos ter todos em casa, contempla um rádio a pilhas, para sabermos notícias. Mas ao mesmo tempo pergunto-me para quê, se depois não há notícias sobre o que se está a passar por perto. Este problema não é da rádio, é de todos nós.

Fotografia – Avião de combate aos incêndios, Moinhos de Entrevinhas, Sardoal, Ontem.

Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.

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