Tenho recebido via CTT inúmeras cartas (iguais) da ANACOM, que integram um folheto com duas perguntas e em letras generosas, se eu vejo televisão gratuita ou se eu conheço quem veja. E fiquei várias vezes a pensar: televisão gratuita? Mas então nós não pagamos todos uma taxa de audiovisuais para isso mesmo, para contribuir para um serviço público de televisão e rádio?
E a ANACOM, que é a Autoridade Nacional das Comunicações, aquela entidade que deveria ser a nossa aliada na defesa do bom funcionamento disto tudo e da qual nos deveríamos socorrer sobre o não cumprimento dos privados na garantia que nos deram de que todos os portugueses iriam ter televisão sem estarem a pagar rios de dinheiro a privados com este negócio da TDT (e que afinal é mentira), entra-me casa adentro a perguntar se eu vejo televisão de borla?
Fico chateado, com certeza que fico chateado, tal qual um gato fedorento.
Aqui, pela nossa região, são conhecidas através das redes sociais as preocupações da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia do Sardoal que recentemente se manifestaram publicamente sobre a falta de comunicações móveis e rede de internet, em Andreus.
Esta localidade que fica a dois quilómetros da sede do Concelho de Sardoal, fazendo parte ou não do “interior” com tudo o que isso possa significar, mesmo estando a uma hora e pouco do aeroporto de Lisboa e do mar, como refere muitas vezes o presidente da Câmara, não permite que possamos comunicar com o exterior através da rede móvel e da internet.
A fotografia é em Abrantes, cidade, mas representa todos os “Andreus” da região do Médio Tejo e do país, que década após década, continuam à deriva e em várias direções, mesmo que o vento do sistema sopre sempre na mesma direção.
Fotografia: Abrantes, agosto de 2020.
