Tempos estranhos estes que atravessamos. De facto, a pandemia veio-nos obrigar a reconsiderar certezas e a colocar outras dúvidas sobre as quase outras certezas que tínhamos. Olhemos o turismo, por exemplo. O governo sensibiliza-nos com os números e estatísticas, incentivando-nos ao consumo do mercado nacional para as férias de verão.
Faça férias cá dentro, diz-se muita vez por aí. E os empreendimentos que fazem parte dessas rotas apressam-se a mostrar as garantias de condições de segurança e higiene das casas de turismo rural com piscina (pois claro), dos restaurantes, das praias fluviais e de tudo o mais. Tudo a bem da tão preocupante retoma da economia do setor.
No entanto a realidade pode ser bem diferente.
Quem vive pelas regiões do interior pode estar ainda na dúvida com os percursos das populações da grande Lisboa para o interior, vindos da zona que atualmente é das mais críticas do país em novos casos de infeção. É um misto de “não venham” que ainda não arrumámos a casa e “fique em casa” que isto ainda não está para brincadeiras.
Fotografia: Sardoal, subida para o Convento de Santa Maria da Caridade, junho de 2020.
