É discreto e reservado quando anda por aí. E em palco uma qualquer luz branca basta. Ele não quer luzes nem efeitos especiais, quer apenas que os únicos protagonistas sejam as suas palavras e as suas músicas.
O Vipe MC é assim, tem uma imensidão de pensamentos gravados em discos, com a colaboração de outros amigos. Em 2018 lançou o disco “As Sessões do Livro Negro, volume 5 – Underhated”. Esta obra foi materializada em função das pré-encomendas, logo que tivesse um número razoável de interessados a coisa era iria passar em suporte físico, o CD.
Tem um público específico que precisa à sua volta para que todo o espetáculo aconteça em pleno. A última apresentação nas Festas do Concelho de Sardoal, com mais nomes Sardoalenses, foi a prova disso.
O Ricardo “Vipe” como é conhecido por aqui, no Sardoal, escreve sobre a alma, sobre a inquietação, sobre o fantástico e a forma como vê e vive a vida. É um poeta nas novas linguagens ou estilos musicais (não sei bem como catalogar, ou se é preciso). Tem novo trabalho pronto a sair, mas esta coisa do Covid 19 adiou-lhe o calendário.
Tem Canal próprio no Youtube (Vipe Witchcraft), está no Spotify, ITunes, Deezer, Apple Story, Napster, MySpace, Hi5 e Badoo.
E cada vez que ouço este último disco, faixas como “Alma iluminada”, “Diabo no Corpo”, “Aquilo que Precisas”, “Kendrick” ou Dragonborn”, assalta-me a sensação de que o Vipe tem trabalhos “do caraças”, e sem me armar em crítico musical (longe disso) até desconfio que já ouvi muitas referências nacionais neste tipo de expressão musical em programas e apontamentos, como o Rimas e Batidas, na Antena3 do Rui Miguel Abreu, e que ficam a alguma distância da pertinência das palavras e das composições do Vipe.
O que lhe falta então para poder ser mais reconhecido e valorizado e talvez chegar aos canais nacionais? Pode ser discutível, mas para mim falta a distância. Por mais que nos digam que as redes sociais e a internet são uma nova forma de estar em todo o lado, isso acaba por ser uma treta, estamos num país altamente centralizado e ou se está em Lisboa ou Porto perto do meio, perto dos produtores, perto da indústria ou então…
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Fotografia: Festas do Concelho de Sardoal, setembro de 2019
