Ontem na tv foi uma enchente de documentários, de não acontecimentos (cancelados) pela pandemia, de iniciativas parlamentares mal interpretadas e manipuladas pelas fake news, de filmes alusivos à revolução e, claro, da Covid19.
Mas hoje, amanhã, depois de amanhã e para o mês que vem seria conveniente que todas as pessoas continuassem a respeitar os valores que a revolução deixou e serem mais interventivas politicamente, mais exigentes com eles próprios e com os políticos em geral e, sobretudo, que tivessem consciência de que não vale a pena virem para as redes sociais escrever isto e aquilo sobre os políticos e as suas decisões politicas. Seria bom que fossem mais interventivos e que pudessem honrar a luta e o poder que os Capitães de Abril lhes deram no dia da revolução: o voto livre.
Claro que a elevada abstenção a que estamos habituados nos atos eleitorais só vai ser assunto de reflexão e debate lá para o fim do ano que vem, em altura de eleições. Até lá não vale a pena pensar nisso!
E os partidos políticos também parecem só estarem preocupados com isso nessas alturas.
Esta fotografia simboliza, para mim, a revolução de abril. Um cravo com um rádio antigo, um Saba Villinger, que o meu pai usava antes da revolução para tentar saber às escondidas e de ouvidos colados ao aparelho, mais alguma coisa de Portugal pelas rádios de outros países. E, claro, que no dia 24 de abril teria comentado com a minha mãe que se estava a passar alguma coisa, a emissão nacional estava estranha…
Fotografia : Sardoal 25 de abril de 2020
