O Manel andou na escola. E tirou a carta para conduzir o seu automóvel. O Manel gosta de passear, de ir às compras, de estar confortável. E às vezes está tão bem com ele mesmo que até desconfia que é o centro do universo. E gosta dele assim.
É frequente vê-lo de costas bem encostadas no banco do seu automóvel e braços esticados no volante. O Manel não se importa com os outros. Está-se a borrifar para isso. Não faz piscas, anda à velocidade que lhe apetece, cola-se ao carro da frente se este vai devagar, atira as beatas janela fora e estaciona onde quer.
O Manel ouviu uns rumores de que ia haver uma greve e que podia ficar sem combustível. Foram 6 os recipientes que conseguiu arranjar. “Ah, não me apanham desprevenido, isso é que era bom. A mim não me enganam”, pensou ele. E está contente com isso. Não pára de se auto-elogiar.
O Manel não sabe, mas um dia vai reparar que também pode pensar, e que isso o pode levar a mundos que ele nunca imaginaria que pudessem existir.
