Foto arquivo: mediotejo.net

Os recentes casos de surtos de covi-19 em dois lares no distrito de Santarém (em Casével e em Carvalhal), a par da atual situação na área da grande Lisboa, que tem registado o maior numero de casos diários no país, aumentaram a pressão hospitalar nas unidades de saúde do Centro Hospitalar do Médio Tejo, tendo a instituição dado conta da necessidade de “repartir esforços” no acolhimento de casos covid-19 provenientes de lares ou de outras instituições do distrito de forma a poder manter o apoio a necessidades da área de Lisboa e a hospitais que estejam em situação de rutura.

“Vamos ter de repartir este esforço com o hospital de Santarém porque é um número considerável”, deu conta Carlos Andrade Costa, poucos dias após o hospital de Abrantes acolher cerca de três dezenas de doentes covid provenientes dos dois lares. “ Temos 39 doentes internados e a maioria não são do Médio Tejo”, notou, tendo acrescentado que o CHMT está a receber também “doentes de outros hospitais fruto de uma articulação que o Ministério da Saúde está a fazer em relação a hospitais mais sobrecarregados e que continuam a precisar desse apoio”, nomeadamente da área de Lisboa, mas não só.

Um primeiro acolhimento de 12 utentes de um lar da aldeia do Carvalhal, (Abrantes) a par de uma segunda transferência para aquele Hospital do CHMT de 19 utentes de um lar em Casével (Santarém) decorreu do facto de ser esta a única unidade referenciada no plano distrital de proteção civil para estas situações, mas fez soar as campainhas em termos de pressão hospitalar, tendo em conta a necessidade do CHMT poder manter a disponibilidade de apoiar os hospitais da área da grande Lisboa.

Lisboa, com 2.447 casos, é o concelho com mais infetados do país. Na região de saúde Lisboa e Vale do Tejo, o número está a crescer entre os 200 e os 300 novos casos diários, com destaque recente para um foco na plataforma logística da Azambuja.

“Temos de puxar para este esforço do distrito de Santarém os nossos colegas do hospital de Santarém no sentido de haver uma divisão deste esforço para que o CHMT continue a dar o apoio que estava a dar a outros hospitais que têm uma sobrecarga de doentes covid”, reiterou.

No âmbito do Plano de combate à Pandemia por Covid-19, o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) preparou há cerca de dois meses uma nova área na Unidade Hospitalar de Abrantes como reserva estratégica para o distrito de Santarém destinada a receber idosos provenientes de lares que testem positivo ao novo coronavírus e estejam assintomáticos.

Com capacidade para 26 utentes, esta Unidade, que depois foi aumentada e duplicada, conta com o apoio de uma equipa multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, assistentes operacionais, assistentes técnicos, assistente social e, se necessário, psicólogo, sendo que esta medida pretende colmatar as dificuldades que algumas instituições residenciais e lares de idosos têm em isolar casos positivos por SARS-Cov2.

“Desta forma”, deu conta o CHMT, “elimina-se o risco de transmissão da doença a outros residentes ou funcionários dessas mesmas instituições, evitando-se uma eventual contaminação alargada”.

Disponibilidade que o presidente do CA do CHMT, Carlos Andrade Costa, reiterou, tendo, no entanto, alertado para a necessidade de “repartir este esforço com o hospital de Santarém”, e feito notar que “as estratégias têm de ser redesenhadas em função do momento”, tendo dado conta que alguns dos idosos que chegaram de Santarém precisavam de efetivos cuidados hospitalares.

“Há várias situações de pneumonia e, portanto, estes doentes precisavam, muito mais de uma unidade que os recebesse de apoio ao plano de contingência da Proteção Civil, precisavam de efetiva prestação de cuidados hospitalares”, disse Carlos Andrade ao mediotejo.net.

“Há dois meses a situação em Lisboa e Vale do Tejo era uma, hoje a taxa de incidência da infeção é outra e há maior pressão hospitalar”, afirmou o responsável, tendo feito notar a necessidade de “redesenhar a estratégia em função dos dados de cada momento e temos hoje mais pressão hospitalar do que tínhamos há um mês meio atrás”.

Contactado pelo mediotejo.net, o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil do distrito de Santarém, Miguel Borges, reconheceu a necessidade de encontrar e disponibilizar outros espaços que possam dar apoio a acolhimento, a exemplo da disponibilidade evidenciada pelo CHMT, a única instituição no distrito que presta este importante apoio às franjas populacionais necessitadas do mesmo.

Lisboa e Vale do Tejo (LVT) é hoje a região com mais casos de novos infetados por coronavírus, com 81,02% dos 195 casos reportados, seguida do Norte, com 14,87%, segundo a Direção-Geral da Saúde.

A cidade de Lisboa, com um total de 2.447 (+38 do que no dia anterior), é também o concelho com maior número de infetados no país, e a região de saúde de LVT a que tem hoje mais novos casos, um total de 158, em comparação com segunda-feira, de acordo com o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS), hoje divulgado.

De acordo com um estudo desenvolvido pela COTEC e pela Universidade Nova de Lisboa, o pico da pandemia em LVT deverá ocorrer na terceira semana de junho, com casos concentrados sobretudo nos municípios de Alenquer, Amadora, Barreiro, Loures, Odivelas, Seixal, Sintra e Lisboa, mas os investigadores não encontraram relação entre os novos casos e o desconfinamento.

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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