Número de casos aumenta em Portugal e a mortalidade por covid-19 atinge o dobro do limiar definido a nível europeu. A taxa de ocupação hospitalar aumentou 27%. Foto: DR

Portugal registou, entre 17 e 23 de maio, 188.970 infeções pelo coronavírus SARS-CoV-2, 230 mortes associadas à covid-19 e um aumento dos internamentos em enfermaria e cuidados intensivos, indicou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS). A mortalidade por covid-19 em Portugal atingiu o dobro do limiar definido a nível europeu e a ocupação hospitalar aumentou 27%, indica o relatório da evolução da pandemia, que recomenda fortemente o reforço das medidas de proteção individual.

Segundo o boletim epidemiológico semanal da DGS, em relação à semana anterior, registaram-se mais 12.699 casos de infeção, verificando-se também mais 38 óbitos na comparação entre os dois períodos.

Quanto à ocupação hospitalar em Portugal continental por covid-19, a DGS passou a divulgar às sextas-feiras os dados dos internamentos referentes à segunda-feira anterior à publicação do relatório.

Com base nesse critério, o boletim indica que, na última segunda-feira, estavam internadas 1.842 pessoas, mais 392 do que no mesmo dia da semana anterior, com 99 doentes em unidades de cuidados intensivos, mais 15.

De acordo com os dados da DGS, a incidência a sete dias estava, na segunda-feira, nos 1.835 casos por 100 mil habitantes, tendo registado um crescimento de 7% em relação à semana anterior, enquanto o índice de transmissibilidade (Rt) do coronavírus SARS-CoV-2 desceu dos 1,23 para 1,13 a nível nacional.

Por regiões, Lisboa e Vale do Tejo registou 66.341 casos entre 17 e 23 de maio, mais 14.818 do que no período anterior, e 56 óbitos, menos um.

A região Centro contabilizou 28.986 casos (menos 2.346) e 56 mortes (mais duas) e o Norte totalizou 71.057 casos de infeção (menos 813) e 85 mortes (mais 34).

No Alentejo foram registados 8.758 casos positivos (mais 390) e 18 óbitos (mais dois) e no Algarve verificaram-se 6.548 infeções pelo SARS-CoV-2 (mais 550) e 10 mortes (mais três).

Quanto às regiões autónomas, os Açores tiveram 5.280 novos contágios entre 17 e 23 de maio (menos 61) e duas mortes (menos duas), enquanto a Madeira registou 2.000 casos nesses sete dias (mais 161) e três óbitos (o mesmo número do que na semana anterior).

De acordo com a DGS, a faixa etária entre os 40 e os 49 anos foi a que apresentou maior número de casos a sete dias (33.255), seguida das pessoas entre os 50 e os 59 anos (29.691), enquanto as crianças até nove anos foram o grupo com menos infeções (9.115) nesta semana.

Dos internamentos totais, 805 foram de idosos com mais de 80 anos, seguindo-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (398) e dos 60 aos 69 anos (241).

A DGS contabilizou ainda 22 internamentos no grupo etário das crianças até aos nove anos, oito dos 10 aos 19 anos, 31 dos 20 aos 29 anos, 35 dos 30 aos 39 anos, 63 dos 40 aos 49 anos e 128 dos 50 aos 59 anos.

O boletim refere também que, nestes sete dias, morreram 179 idosos com mais de 80 anos, 33 pessoas entre os 70 e 79 anos, 10 entre os 60 e 69 anos, cinco entre os 50 e 59 anos, uma entre os 40 e 49 anos, uma entre os 30 e 39 anos e uma entre 10 e 19 anos.

Relativamente à vacinação contra a covid-19, o boletim refere que 100% dos grupos etários das pessoas com mais de 80 anos, entre 65 e 79 anos e entre os 50 e 64 anos têm a vacinação completa contra a covid-19.

Quanto à dose de reforço da imunização contra o SARS-CoV-2, 96% dos idosos com mais de 80 anos já a recebeu, assim como 97% das pessoas entre os 65 e 79 anos, 84% entre os 50 e 64 anos, 60% entre os 25 e os 49 anos e 46% entre os 18 e 24 anos.

A DGS indica ainda que 7% dos idosos com 80 ou mais anos levou a segunda dose de reforço da vacina.

Mortalidade em Portugal atinge o dobro do limiar europeu – relatório

A mortalidade por covid-19 em Portugal atingiu o dobro do limiar definido a nível europeu e a ocupação hospitalar aumentou 27%, indica o relatório da evolução da pandemia, que recomenda fortemente o reforço das medidas de proteção individual.

“Observou-se uma tendência crescente da ocupação hospitalar por casos de covid-19, com 1.842 casos internados a 23 de maio (+27% em relação à semana anterior)”, avança o documento da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Mortalidade em Portugal atinge o dobro do limiar europeu – relatório. Foto: DR

Segundo o documento, todos as faixas etárias apresentaram uma “tendência crescente” nos internamentos em enfermaria na última semana, sendo expectável que, dada a subida da incidência de novas infeções, se verifique ainda um aumento da procura de cuidados de saúde e da mortalidade, em especial nos grupos mais vulneráveis.

Quanto aos cuidados intensivos, a DGS e o INSA adiantam que, na segunda-feira, o número de camas ocupadas nessas unidades correspondia a 38,8% do limiar definido como crítico de 255 camas ocupadas, quando no mesmo dia da semana anterior era de 32,9%.

Os dados hoje divulgados indicam ainda que os hospitais do Norte são os que registam maior ocupação em cuidados intensivos, estando a 57% do nível de alerta estipulado de 75 camas para doentes de covid-19, enquanto as “restantes regiões encontram-se ainda distantes dos seus níveis de alerta”.

Na segunda-feira, a mortalidade específica por covid-19 atingiu os 41 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, revelando também uma tendência crescente e que é cerca do dobro do limiar de 20 mortes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC).

“A mortalidade por todas as causas encontra-se acima dos valores esperados para a época do ano, com um z-score de 2,4, o que indica um excesso de mortalidade por todas as causas, associado ao aumento da mortalidade específica por covid-19”, alerta o relatório da DGS e do INSA.

De acordo com a autoridade de saúde, a percentagem de testes positivos para SARS-CoV-2 entre 17 e 23 de maio foi de 51,9%, tendo-se registado um aumento do número de despistes da infeção realizados, que passou de cerca de 355 mil para mais de 367 mil.

Relativamente à linhagem BA.5 da variante Ómicron, mais transmissível e que apresenta mutações com impacto na entrada do vírus nas células ou na sua capacidade de afetar a resposta imunitária, já é responsável por 78,7% das infeções em Portugal, substituindo-se à BA.2, que regista agora uma prevalência de 21.3%.

O número de novas infeções por 100 mil habitantes acumulado nos últimos sete dias foi de 1.835 casos, com tendência crescente a nível nacional e nas várias regiões do país, e o índice de transmissibilidade (Rt) do vírus está nos 1,13 a nível nacional.

Perante estes indicadores, que demonstram que a “epidemia de covid-19 mantém uma incidência muito elevada com tendência crescente”, o documento da DGS e do INSA aconselha a que seja mantida a vigilância da situação epidemiológica, “recomendando fortemente o reforço das medidas de proteção individual e a vacinação de reforço”.

Em 18 de maio entrou em vigor a contabilização das suspeitas de reinfeção, com a atualização retrospetiva dos casos acumulados.

De acordo com a DGS, os novos casos passam a incluir as primeiras infeções e as reinfeções pelo SARS-CoV-2 e os indicadores apresentados neste relatório refletem esta atualização.

Agência Lusa

Agência de Notícias de Portugal

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