Em todo o distrito de Santarém há registo de oito casos confirmados com o novo coronavírus, cinco na região da Lezíria e três no Médio Tejo. A região do Médio Tejo teve hoje [terça-feira] os primeiros casos registados de pessoas infetadas, no caso, uma mulher de Tomar e ainda dois cidadãos de Constância e Ourém. Relativamente ao COVID-19, a situação no distrito de Santarém evoluiu de domingo para ontem, com um novo caso reportado, desta vez em Benavente. Portugal registou na segunda-feira a primeira morte, anunciou a ministra da Saúde, Marta Temido.
Uma mulher de Tomar foi o primeiro caso confirmado com Covid-19 na região do Médio Tejo, a que se juntaram mais duas situações em Ourém e Constância. A informação foi confirmada esta terça-feira ao mediotejo.net pela Delegada de Saúde Pública, Maria dos Anjos Esperança, tendo acrescentado que a mulher de Tomar foi encaminhada para o hospital [de Tomar] e que as pessoas com quem esteve em contacto foram já identificados e ficam em isolamento durante os próximos 14 dias. Os cidadãos de Ourém e Constância estão internados em Lisboa.
O presidente da Câmara de Benavente declarou na segunda-feira situação de alerta, no dia em que foi conhecido o primeiro caso confirmado de infeção pelo novo coronavírus no concelho, e acionou esta terça-feira o Plano Municipal de Emergência.
Até hoje [terça-feira] sem casos registados na sua área de influência, o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo teve hoje o primeiro caso confirmado em Tomar. A região do Médio Tejo tem 2.706 quilómetros quadrados e abrange 11 municípios com cerca de 225 mil utentes/frequentadores, sendo composto pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.
Na área abrangida pelo Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria (nove concelhos do distrito de Santarém – Almeirim, Alpiarça, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Golegã, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém), até ao momento, foram confirmados cinco casos de Covid-19, três deles em Coruche, um em Almeirim e um em Benavente.
Benavente declara situação de alerta e aciona Plano Municipal de Emergência
O presidente da Câmara de Benavente (Santarém) declarou na segunda-feira situação de alerta, no dia em que foi conhecido o primeiro caso confirmado de infeção pelo novo coronavírus no concelho, e acionou esta terça-feira o Plano Municipal de Emergência.
Numa nota publicada na página do município, Carlos Coutinho afirma que a delegada de saúde local confirmou hoje um caso de infeção pelo Covid-19, uma pessoa que está em internamento domiciliário com isolamento social, “não tendo tido contacto anterior com residentes do município”.
O autarca considera que a declaração de situação de alerta feita sexta-feira pelo Governo para todo o território nacional “só é viável com maior detalhe e adaptação à realidade municipal” das medidas que foram determinadas.
Assim, determinou a ativação do Plano Municipal de Emergência da Proteção Civil desde as 09:00 de hoje, terça-feira, com o posto de comando municipal instalado no Serviço Municipal de Proteção Civil e “informação diária à população” às 09:30, 12:30 e 18:30, através de vários meios de comunicação.
Por outro lado, proibiu a realização de atividades públicas e privadas sociais, culturais, recreativas, desportivas e religiosas que envolvam mais de 20 pessoas, bem como a utilização de esplanadas dos estabelecimentos de restauração e bebidas, públicos e privados.
Decretou ainda a proibição de utilização de parques infantis e geriátricos e jardins com equipamentos lúdico-desportivos, ringues desportivos e similares a céu aberto.
O comunicado alerta que a desobediência às entidades competentes e a recusa do cumprimento obrigatório do determinado será sancionada com penas que serão agravadas em um terço nos seus valores mínimo e máximo.
O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 180 mil pessoas, das quais mais de 7.000 morreram.
Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 75 mil recuperaram da doença.
O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 145 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.
Depois da China, que regista a maioria dos casos, a Europa tornou-se o epicentro da pandemia, com mais 67 mil infetados e pelo menos 2.684 mortos.
A Itália com 2.158 mortos registados até segunda-feira (em 27.980 casos), a Espanha com 491 mortos (11.191 casos) e a França com 148 mortos (6.663 casos) são os países mais afetados na Europa.
Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.
Dos casos confirmados, 242 estão a recuperar em casa e 206 estão internados, 17 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).
O boletim divulgado pela DGS assinala 4.030 casos suspeitos até hoje, dos quais 323 aguardavam resultado laboratorial.
Das pessoas infetadas em Portugal, três recuperaram.
De acordo com o boletim, há 6.852 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.
Atualmente, há 19 cadeias de transmissão ativas em Portugal, mais uma do que no domingo.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou uma reunião do Conselho de Estado para quarta-feira, para discutir a eventual decisão de decretar o estado de emergência.
Portugal está em estado de alerta desde sexta-feira, e o Governo colocou os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança em prontidão.
Entre as medidas para conter a pandemia, o Governo suspendeu as atividades letivas presenciais em todas as escolas desde segunda-feira e impôs restrições em estabelecimentos comerciais e transportes, entre outras.
O Governo também anunciou o controlo de fronteiras terrestres com Espanha, passando a existir nove pontos de passagem e exclusivamente destinados para transporte de mercadorias e trabalhadores que tenham de se deslocar por razões profissionais
c/LUSA
