Centro de Vacinação de Abrantes. Foto arquivo: CMA

Os Centros de Vacinação de Abrantes, Ourém, Tomar e Torres Novas, do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, vão manter-se a funcionar três dias por semana até maio ou junho, altura em que é esperado um novo pico de afluência à dose de reforço, anunciou a diretora executiva do ACES. Tendo com conta os números de novos casos de infeção por covid-19 e os surtos que ainda vão surgindo, Diana Leiria disse que se mantêm em funcionamento vários serviços dedicados a acompanhar o evoluir da doença.

“Sim, nós mantemos várias atividades exclusivamente relacionadas com a covid, quer ao nível da saúde pública, que continua a acompanhar os surtos que vão acontecendo em ambiente de circuitos fechados, seja em escolas, nas empresas, nos lares, quer ao nível dos inquéritos epidemiológicos, quer ao nível da medicina geral. Mantemos os atendimentos de doentes agudos respiratórios, designadamente ainda no Entroncamento, e mantemos os centros de vacinação abertos”, afirmou Diana Leiria, dando conta que, apesar da pouca afluência atual, a expectativa é que um pico de afluência possa ser registado aos centros de vacinação em maio ou junho, para inoculação da dose de reforço.

ÁUDIO | DIANA LEIRIA, DIRETORA ACES MÉDIO TEJO:

“Neste momento, como temos muito pouca afluência e praticamente todas as pessoas que queriam e podiam ser vacinadas já o foram, mantemos ainda só em funcionamento os quatro grande CVC’s de Ourém, Tomar, Abrantes e Torres Novas, três vezes por semana, às terças, quintas e sábados, das 9h00 às 13h00. Ainda não sabemos até quando, também dependerá naturalmente das orientações que vierem quer da Direção Geral da Saúde quer da nossa ARS e da TaskForce da vacinação nacional”, disse a responsável, apontando para um pico de afluência entre maio e junho.

“Pensamos que iremos manter até maio-junho, porque há muita gente que se infetou na altura de dezembro/janeiro, e portanto ainda não pôde, porque ainda não está elegível, para fazer a dose de reforço, e nós estamos a contar ter mais um pico de afluência a meio de maio, junho, e portanto não desativámos os meios porque estamos a preparar-nos para dar resposta nessa altura”, afirmou.

A transmissibilidade do coronavírus SARS-CoV-2 em Portugal é “muito elevada” e a mortalidade específica por covid-19 “mantém a tendência crescente” desde a segunda quinzena de março, avança o relatório sobre a situação epidemiológica divulgado no dia 8.

Na segunda-feira, a mortalidade específica por covid-19 estava nos 28,6 óbitos a 14 dias por um milhão de habitantes, o que corresponde a um aumento de 2% relativamente ao período anterior, o que revela uma “tendência ligeiramente crescente”, indicam a DGS e o INSA.

Este valor continua a ser superior ao limiar de 20 óbitos a 14 dias por um milhão de habitantes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) e que constitui uma das referências determinadas pelo Governo para o país passar para um nível sem restrições de controlo da pandemia.

“A mortalidade por todas as causas encontra-se dentro dos valores esperados para a época do ano, o que indica um reduzido impacto da pandemia na mortalidade”, adianta ainda o relatório da autoridade de saúde.

Quanto à pressão da covid-19 sobre os serviços de saúde, o documento refere que o número de doentes em cuidados intensivos correspondia, na passada segunda-feira, a 23,5% do limiar definido como crítico de 255 camas ocupadas, ligeiramente mais reduzido do que os 23,9% do que na semana anterior.

Os hospitais das regiões Norte e Centro são os que apresentam maior ocupação das unidades de cuidados intensivos, “mas ainda distante do seu nível de alerta”, adianta o relatório, ao considerar que o sistema de saúde “apresenta capacidade de acomodar um aumento de procura por doentes com covid-19”.

O documento avança ainda que a percentagem de testes positivos entre 29 de março e 04 de abril foi de 21%, valor que se encontra acima do limiar dos 4% e com tendência ligeiramente decrescente.

A frequência da linhagem BA.2 da variante Ómicron, considerada mais transmissível do que a BA.1, é de 98% em Portugal, enquanto a BA.1 é agora apenas responsável pelos restantes 2% das infeções no país.

“Deve ser mantida a vigilância da situação epidemiológica da covid-19 e recomenda-se a manutenção das medidas de proteção individual nos grupos de maior risco e a vacinação de reforço”, aconselham a DGS e o INSA.

A covid-19 é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

c/Lusa

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