Todos gostamos de receber bem os nossos convidados, mas no caso do acolhimento da VII Convenção Nacional do Chega pelo município do Entroncamento poderá dizer-se que os seus mais de mil delegados se irão sentir ali como em casa.
Nas eleições de 12 de outubro de 2025, o Entroncamento foi uma das três autarquias conquistadas pelo partido de André Ventura, com Nelson Cunha a ser eleito com 37,34% dos votos.
E se os congressos são sempre momentos importantes na vida dos partidos, este poderá ter uma maior relevância, não só para o Chega mas também para o país, uma vez que irá realizar-se nos dias 20, 21 e 22 de novembro – terminando, portanto, a dois dias da votação final do Orçamento do Estado para 2027. O sentido do voto dos 60 deputados que formam o segundo maior grupo parlamentar será um dos temas quentes do encontro e provavelmente a primeira decisão da Direção Nacional que ali for eleita.
A liderança do Chega não estará em debate, uma vez que as eleições diretas do partido estão marcadas para 31 de outubro, com André Ventura a ser o único candidato, mas a própria idoneidade do partido vai estar em cima da mesa, uma vez que terão de ser forçosamente ali resolvidos problemas jurídicos que se arrastam há cinco anos, de natureza orgânica e estatutária, sucessivamente chumbados pelo Tribunal Constitucional.
O congresso do partido chegou a estar previsto para maio e foi adiado para o último trimestre do ano porque, como então explicou André Ventura, havia primeiro que garantir ser possível “ratificar as questões estatutárias e orgânicas levantadas pelo Tribunal Constitucional”.
Desde a Convenção Nacional de Évora, em 2020, que o Tribunal Constitucional tem recusado anotar as alterações aos estatutos que foram sendo feitas por considerar que a convocatória foi ilegal. Nos congressos seguintes, de Coimbra (maio de 2021), Viseu (novembro de 2021), Santarém (janeiro de 2023) e Viana do Castelo (janeiro de 2024) foram sempre apontadas novas falhas jurídicas.
No Pavilhão Municipal do Entroncamento, o partido vai apresentar propostas de alteração aos estatutos de 2019, para evitar mais contrariedades. E, claro, fazer a proclamação e tomada de posse de André Ventura como presidente do partido que o próprio fundou em 2019, e que veio a revelar-se um fenómeno da política portuguesa.
