O ambientalista Arlindo Marques, membro do Movimento pelo Tejo – proTEJO, filmou e denunciou esta terça-feira, 21, uma nova descarga de poluição no rio, na zona de Constância, situação para a qual havia sido alertado por pescadores da zona e que filmou e registou em vídeo com o seu drone.

De acordo com o cidadão da rede de vigilância do Tejo, e membro do proTEJO, Arlindo Marques, a descarga de poluição foi feita através de um tubo de efluentes na margem esquerda do rio Tejo, que imputou pertencer à empresa Caima, do grupo Altri, que opera no concelho de Constância, tendo referido ao mediotejo.net que o cheiro a químicos era “nauseabundo e igual ao de Vila Velha de Rodão, onde opera a Celtejo, do mesmo grupo”.

Fonte oficial da empresa disse hoje ao mediotejo.net que “a Caima é desde há mais de um século uma empresa de referência internacional e que cumpre escrupulosamente as suas responsabilidades, nomeadamente ambientais. A empresa capta água no Tejo para a sua laboração, devolvendo ao rio os seus efluentes devidamente tratados e cumprindo escrupulosamente o normativo em vigor”.

Na informação enviada ao nosso jornal, a mesma fonte referiu que “os efluentes são tratados na sua ETAR de acordo com as melhores práticas e não produzem qualquer impacto relevante na fauna e flora do meio aquático. A empresa faz com regularidade análises e é objeto de um escrutínio permanente por parte das autoridades competentes sem que tenha sido identificada qualquer situação de incumprimento. Situações como as veiculadas como a coloração do efluente não têm qualquer relevância para a descrição da composição química do mesmo, que é a variável que objectivamente é e deve ser considerada. Movimentos alarmistas em nada contribuem para o objetivo comum de respeito e sustentabilidade ambiental, nomeadamente de um recurso essencial como é o Tejo”.

Arlindo Marques havia referido que a filmagem ocorreu “depois de várias denuncias de pescadores da zona de Constância. Fui investigar e não gostei do que vi a sair dos tubos de descarga da Caima, hoje, dia 21 de fevereiro de 2017. Penso que todos os que são amigos do Tejo também não vão gostar. Comentem e digam de vossa justiça”, disse o ambientalista na sua página do Facebook, pedindo aos seus milhares de seguidores que partilhassem as imagens que registou. Certo é que, poucas horas depois, o seu vídeo (que aqui reproduzimos) foi partilhado e comentado por milhares de cidadãos.

Instado a comentar a participação massiva de cidadãos na resposta ao seu apelo e denúncia, Arlindo Marques disse ao nosso jornal que os portugueses “estão mais despertos para as causas de cidadania” tendo referido que as pessoas “já não são coniventes com os crimes ambientais”.

“As pessoas estão mais sensibilizadas para as causas ambientais e as situações estão a mudar em termos de participação e de cidadania ativa, não permitindo que se calem estas situações de poluição ambiental. Os rios são de todos nós e quem prevarica está a prejudicar a sociedade global, o nosso meio ambiente, o nosso bem-estar e a própria economia de todo o país”, afirmou.

Arlindo Marques, guarda prisional de profissão, investiu recentemente num drone para poder “filmar as ocorrências num plano diferente, mais elevado”, e que “foi importante no sentido de permitir filmar e registar outras perspetivas dos casos e das descargas poluentes que ocorrem no rio Tejo e seus afluentes”, afirmou, tendo apelado, uma vez mais, à participação e envolvimento da população e dos autarcas dos municípios ribeirinhos na manifestação popular contra a poluição no rio Tejo de dia 4 de março, em Vila Velha de Rodão.

Paulo Constantino, porta-voz do proTEJO, disse esta madrugada ao mediotejo.net que a descarga registada pelo ambientalista Arlindo Marques – “aparentemente excessiva” -, vai ser “reportada à Agência Portuguesa do Ambiente, SEPNA/GNR e demais entidades com responsabilidades ambientais para a devida averiguação e identificação do foco poluidor e controlo da matéria poluidora descarregada no rio Tejo”.

Segundo o dirigente ambientalista do proTEJO, com sede em Vila Nova da Barquinha, as denúncias sobre a fábrica de Constância “não são de agora”, tendo referido que “só hoje foi possível registar com imagens nítidas uma descarga aparentemente em desconformidade com as normas legais, quer pela tonalidade quer pelo cheiro do que foi vertido nas águas” do rio Tejo.

“Não sabemos qual o tipo de licença de descarga que a Caima tem, mas é isso que vamos averiguar, questionar, e querer ver respondido pelas autoridades competentes. Em Vila Velha de Rodão, o grupo que explora a celulose é o mesmo, o grupo Altri. E ali o Governo permitiu triplicar a descarga poluente até ao final de 2018, sendo de registar esta permissividade da Agência Portuguesa do Ambiente. No caso do Caima, em Constância, não temos informações sobre o que se passou, mas é isso que vamos querer ver respondido e esclarecido”, afirmou.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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