Constância promove oficinas para preservar a arte tradicional do calafate. Foto: mediotejo.net

Constância promove em setembro um ciclo de oficinas dedicado à arte do calafate, com orientação de Sérgio Silva, num estaleiro junto ao rio Tejo, numa iniciativa que pretende transmitir e valorizar um saber-fazer ligado à construção e reparação de embarcações tradicionais.

As oficinas “A Arte do Calafate em Constância” realizam-se nos dias 3, 10, 17 e 24 de setembro, entre as 09h00 e as 11h00, proporcionando aos participantes contacto com diferentes etapas da construção e recuperação de barcos tradicionais em madeira.

A iniciativa é promovida pelo Município de Constância, através do Museu dos Rios e das Artes Marítimas, e integra as estratégias de salvaguarda e valorização das artes e ofícios tradicionais do concelho. Uma iniciativa semelhante decorreu já em fevereiro, também com Sérgio Silva.

Ao longo das sessões, os participantes poderão conhecer técnicas que vão desde a carpintaria à calafetagem, passando pela aplicação de breu e pela pintura, num processo artesanal que durante séculos esteve associado à vida económica e social da vila.

A calafetagem consiste, essencialmente, em vedar as juntas entre as tábuas das embarcações, tradicionalmente através da introdução de estopa, seguindo-se a impermeabilização com breu. Em Constância, estas técnicas faziam parte de um processo mais amplo de construção naval, desenvolvido nos estaleiros a céu aberto existentes nas margens do Tejo e do Zêzere.

Os calafates construíam e reparavam diferentes tipos de embarcações, escolhendo inclusive a madeira adequada para cada componente. Segundo informação do Município, eram utilizados, entre outros, pinho manso nas cavernas e vaus, pinho bravo nas forras e pavimento, eucalipto nos mastros e vergas e freixo nos remos e outros elementos.

A importância desta atividade está diretamente relacionada com o passado de Constância enquanto porto fluvial. Até meados do século XX, o transporte fluvial, a construção naval e a pesca desempenharam um papel central na economia local, tendo a decadência da navegação provocado também o desaparecimento progressivo dos estaleiros e da profissão de calafate.

É neste contexto que ganha particular importância o trabalho de Sérgio Silva, que tem desenvolvido atividades ligadas à preservação e divulgação das tradições fluviais de Constância. Barqueiro, pescador e calafate, Sérgio Silva é apontado pelo Museu dos Rios e das Artes Marítimas como um dos poucos profissionais que ainda constroem e reparam embarcações tradicionais na região.

A ligação de Sérgio Silva ao património fluvial tem também sido explorada pelo Museu através de passeios em embarcações tradicionais, incluindo o “Borda Rio”, permitindo aos visitantes conhecer o Tejo e, simultaneamente, contactar com conhecimentos associados à navegação, pesca e construção naval.

O Museu dos Rios e das Artes Marítimas, inaugurado em 1998, tem precisamente entre as suas missões recolher, estudar, valorizar e divulgar a memória de uma Constância profundamente ligada aos rios. O seu acervo inclui ferramentas, utensílios, miniaturas de embarcações e uma pequena oficina de calafate, com um barco em fase de construção.

As oficinas de setembro terão participação gratuita, mas sujeita a inscrição prévia. As inscrições podem ser feitas no Museu dos Rios e das Artes Marítimas, através do telefone 249 730 053 ou do endereço de correio eletrónico museu.rios@cm-constancia.pt.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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