Equipa austríaca conquista EuRoC pela terceira vez em edição marcada por estreias. Foto: AEP

A Aerospace Team Graz (ASTG) conquistou o EuRoC Award, principal distinção da competição universitária organizada pela Agência Espacial Portuguesa, repetindo os triunfos de 2023 e 2025 e tornando-se vencedora pelo segundo ano consecutivo. A equipa austríaca arrecadou ainda o prémio de melhor voo na categoria de propulsão líquida com objetivo de altitude de 9.000 metros.

A sétima edição do European Rocketry Challenge decorreu entre 15 e 21 de outubro, reunindo cerca de 700 estudantes universitários de 13 países. Ao longo dos quatro dias de operações, realizados no Campo Militar de Santa Margarida, foram efetuados 12 lançamentos de foguetes desenvolvidos pelas equipas participantes.

O principal prémio distingue o desempenho global das equipas, tendo em conta critérios como a conceção dos veículos, a documentação técnica, o trabalho de equipa e os resultados obtidos durante os voos.

Uma das novidades deste ano foi a criação da categoria Rookie, destinada a equipas com pouca ou nenhuma experiência anterior na competição, permitindo alargar a participação sem alterar os requisitos técnicos e de segurança.

A equipa grega White Noise destacou-se nesta categoria, conquistando dois prémios na sua primeira participação: o Rookie of the Year, atribuído à melhor equipa estreante, e o Payload Award, que distingue a melhor carga útil, valorizando a inovação, fiabilidade e potencial de aplicação da tecnologia desenvolvida.

“Esta edição demonstrou que é possível abrir a competição a novas equipas sem comprometer a exigência técnica que caracteriza o EuRoC”, afirmou Marta Gonçalves, gestora dos programas de Educação e Ciência da Agência Espacial Portuguesa.

Segundo a responsável, a competição proporcionou aos estudantes a oportunidade de transformar meses de desenvolvimento em projetos reais, enfrentando desafios técnicos e de segurança semelhantes aos encontrados na indústria aeroespacial.

Universidade do Minho faz história na estreia

Entre os destaques da participação portuguesa esteve a Minho Aerospace Students’ Team (MAST), da Universidade do Minho, que se tornou a primeira equipa nacional a conseguir lançar e recuperar um foguete na sua edição de estreia.

Fundada em 2024, a equipa apresentou o foguete Mirage, desenvolvido para atingir os 3.000 metros de altitude, tendo ultrapassado esse objetivo durante o lançamento realizado no Campo Militar de Santa Margarida.

O feito já tinha sido destacado pela organização no balanço do terceiro dia de operações, altura em que o EuRoC contabilizava dez lançamentos bem-sucedidos.

Universidade do Minho faz história na estreia. Foto: AEP

Portugal esteve representado na fase final por duas equipas universitárias. Além da MAST, participou a Rocket Experiment Division (RED), do Instituto Superior Técnico, presença regular na competição desde 2021, que este ano não conseguiu efetuar o lançamento devido a problemas técnicos que não foram resolvidos dentro do prazo.

A North Space, que reúne estudantes das universidades do Porto e de Lisboa, também tinha sido selecionada, mas acabou por não participar na fase final devido a contratempos no desenvolvimento do foguete.

Dez prémios distinguem equipas de oito países

A edição de 2026 terminou com a atribuição de dez prémios, distribuídos por diferentes categorias técnicas e de voo.

Além das duas distinções conquistadas pela Aerospace Team Graz e das duas atribuídas à White Noise, a equipa suíça ARIS venceu o Technical Award, enquanto a italiana Skyward Experimental Rocketry recebeu o Design Award e o prémio de melhor voo na categoria de propulsão líquida com objetivo de 3.000 metros.

O Team Award foi atribuído à húngara BME Suborbitals. Nas restantes categorias de voo, foram distinguidas a espanhola LEEM-UPM, em propulsão sólida a 3.000 metros, e a CTU Space Research, da Chéquia, em propulsão híbrida para a mesma altitude.

Para o presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, o EuRoC constitui atualmente um exemplo da capacidade nacional para desenvolver iniciativas de referência no setor espacial europeu.

Neil deGrasse Tyson com o presidente da Agência Espacial Portuguesa e o Presidente da Câmara de Constância. Foto: EuRoC

“O EuRoC tornou-se uma referência europeia porque conseguimos criar um ambiente em que as novas gerações desenvolvem tecnologia em condições próximas da indústria”, afirmou, acrescentando que antigos participantes trabalham atualmente em empresas do setor ou criaram os seus próprios negócios.

Constância reforça ligação ao setor espacial

Criado em 2020 pela Agência Espacial Portuguesa, o European Rocketry Challenge desafia estudantes universitários a conceber, construir e lançar foguetes com diferentes sistemas de propulsão, destinados a atingir altitudes entre os 3.000 e os 9.000 metros.

Em Constância, o Pavilhão Desportivo Municipal acolheu as equipas e o paddock, espaço de montagem, preparação e verificação dos foguetes, enquanto o Campo Militar de Santa Margarida recebeu as operações de lançamento, com o apoio do Exército Português.

A edição deste ano arrancou com a presença do astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson, um dos mais conhecidos divulgadores científicos internacionais, que participou na cerimónia oficial de abertura e contactou com os estudantes envolvidos na competição.

O EuRoC contou também com um reforço da participação da Agência Espacial Europeia (ESA) e com a presença de empresas ligadas ao setor aeroespacial, nomeadamente a Neuraspace, TEKEVER e Momentum Aerospace, promovendo o contacto entre estudantes, investigadores e profissionais da indústria.

A organização contou com a colaboração da Câmara Municipal de Constância e do Exército Português, parceiros na realização de uma competição que voltou a colocar o concelho no centro da atividade aeroespacial universitária europeia.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply