Os resultados preliminares dos Censos 2021 mostram que o concelho de Constância perdeu cerca de 255 habitantes em 10 anos. Situação que não deixa o presidente do Município satisfeito, admitindo, porém, que tal decréscimo “não é novidade” e que só poderá ser combatido com políticas de âmbito nacional e não somente com esforços das Câmaras Municipais.
De 4056 habitantes em 2011 para 3801 em 2021. São estes os resultados preliminares dos Censos 2021 em Constância, números nos quais o sexo feminino continua, tal como há 10 anos, a ser predominante: existem atualmente no concelho 1981 mulheres e 1820 homens.
Na região do Médio Tejo, onde os números apontam para o decréscimo da população em todos concelhos do Médio Tejo, Constância foi o nono município a sofrer mais perda de habitantes. A freguesia de Santa Margarida da Coutada foi aquela onde se registou maior quebra populacional – de 1788 habitantes em 2011 para 1601 em 2021 (ou seja, menos 187 pessoas).
Já nas freguesias de Constância e de Montalvo, a perda também aconteceu mas com valores “residuais”, conforme classifica o presidente do Município, Sérgio Oliveira. Em Constância, houve perda de 35 habitantes (de 993 em 2011 para 958 em 2021), e em Montalvo o decréscimo foi menor, de 33 pessoas (de 1275 em 2011 para 1242 em 2021).
“Para nós, não foi novidade”, admite o autarca constanciense ao mediotejo.net sobre a perda de população no concelho. “[Os resultados preliminares] efetivamente não nos deixaram satisfeitos porque o concelho perdeu população, à semelhança do que se passa nos concelhos que estão da faixa litoral para o lado de Espanha”, referiu.
No caso de Santa Margarida da Coutada, a freguesia onde o declínio foi maior, a autarquia tem levado a cabo um conjunto de medidas na tentativa de inverter a situação que vão desde a descida dos preços de lotes para 5,00€ por metro quadrado até à isenção de taxas.
No entanto, Sérgio Oliveira mostra-se convicto de que “por mais esforços que façam, isto vai muito além daquilo que é a possibilidade de medidas das Câmaras”. “Este ciclo de queda populacional só será invertido com políticas de âmbito nacional. (…) Tem que ser o Governo que defina políticas efetivamente que tragam pessoas para estes territórios. E as pessoas só vêm para estes territórios se houver cá emprego”, declara.
ÁUDIO | Presidente do Município de Constância reage aos resultados preliminares dos Censos 2021
“Os investimentos que muitas vezes são feitos nas áreas metropolitanas, o Governo tem de começar a deslocalizá-los mais para o interior do país, de forma a fixar aqui mais pessoas”, reitera.
