O novo Presidente da Câmara em casa a tomar o pequeno almoço com a sua mulher, Joana Moreira (Foto: mediotejo.net)

Hora e meia antes da tomada de posse como novo Presidente da Câmara de Constância, eleito pelo PS, Sérgio Oliveira concedeu uma entrevista ao mediotejo.net na sua própria casa, em Santa Margarida da Coutada. Enquanto tomava o pequeno almoço com a sua mulher, Joana Moreira, fomos conversando num registo mais familiar e intimista. É o retrato de um jovem recém-casado, de bem com a vida, que vive numa casa acabada de reconstruir.

2017 foi um ano marcante na vida de Sérgio Oliveira, que completa 32 anos no dia 27 de outubro. Reconstruiu a sua casa, em julho casou-se, e a 1 de outubro foi eleito Presidente da Câmara. “Só falta a criança”, completa Joana Moreira, considerando que seria “a cereja no topo do bolo”. Mas não se pense que o jovem casal vive sozinho. Partilha a casa com dois gatos e, no quintal, estão dois cães.

Sérgio preocupa-se com o seu bem-estar físico e costuma fazer caminhadas e corridas, sem carácter competitivo. Para complementar, tem um terceiro hobby, a horta. Enquanto planta uma couve ou uma alface diz que se abstrai de tudo o resto, além de aliviar o stress. E não se pense que, pelo facto de ter sido eleito Presidente da Câmara, tenciona abandonar esta atividade. “Apesar da exigência do cargo, espero poder continuar a cuidar da minha horta”, anuncia.

O primeiro café da manhã no Central Park, em Vale de Mestre (Foto: mediotejo.net)

Quando lhe perguntamos se tinha delineado com antecedência o objetivo de ser Presidente da Câmara, responde que tal não lhe passava pela cabeça. Não colocou tal desiderato como um objetivo obsessivo. “Na minha vida as coisas foram surgindo naturalmente, as oportunidades foram aparecendo e eu fui agarrando”.

Recuando no tempo, refere que foi militante do PS algum tempo, mas na era de José Sócrates decidiu desfiliar-se e afastar-se “por não concordar com algumas coisas que estavam a ser feitas”.

Nunca deixando de ser socialista, com a eleição de António Costa como secretário-geral do PS sentiu motivação para voltar a ser militante.

Na vida de Sérgio Oliveira a política e a participação cívica estiveram sempre presentes. Desde a participação na Associação Académica de Coimbra quando cursava na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra ou no Grupo Recreativo e Desportivo de Vale de Mestre “Os Relâmpagos”, coletividade a que presidiu desde 2013 até ser eleito Presidente da Câmara. Decidiu suspender o mandato de presidente da associação, não que fosse incompatível, mas por uma questão ética.

“Tudo bom pra ti, ‘mê’ filho”, despede-se a moradora (Foto: mediotejo.net)

Vale de Mestre, na freguesia de Santa Margarida da Coutada, é a terra dos seus pais e foi ali que foi registado e cresceu, apesar de ter nascido na maternidade Alfredo da Costa.

Frequentou o jardim de infância e a escola primária na Portela, perto de Santa Margarida. Do 5° ao 12° ano frequentou a escola Octávio Duarte Ferreira, no Tramagal, localidade onde o pai trabalhava.

Seguiu-se a licenciatura e o mestrado em Coimbra que terminou com uma média de 12. Para a época, e tendo em conta o grau de exigência da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, “não era uma má média”.

No final do curso aproveitou o programa de estágios profissionais na administração local e concorreu, ficando colocado no Município de Reguengos de Monsaraz onde esteve um ano.

Gorada a hipótese de ser contratado para esta Câmara, ficou desempregado em casa dos pais cerca de cinco meses. Em 2012, o Centro Hospitalar do Médio Tejo abriu concurso para o lugar de jurista. Sérgio Oliveira concorreu e foi selecionado ficando a trabalhar na unidade de Torres Novas. Completaria cinco anos nestas funções em dezembro próximo.

Os pais de Sérgio Oliveira, orgulhosos pelo seu filho, na tomada de posse (Foto: mediotejo.net)

Com a vitória a 1 de outubro, Sérgio Oliveira tem consciência de que a sua vida vai mudar, “será outra entrega” em prol do concelho.

Já definiu a sua rotina diária enquanto Presidente da Câmara. Pensa sair de casa todos os dias pouco depois das 8 horas e vai beber café cada dia a um sítio diferente para ter contacto e falar com as pessoas. Para começar o dia de trabalho a sua ideia é dar uma volta pelo concelho para acompanhar os trabalhos do Município e falar com os trabalhadores para saber o que precisam e ouvir as suas opiniões.

Durante o dia, na câmara tem de fazer despachos e participar em reuniões entre outras tarefas inerentes à Presidência.

Faz questão de ir almoçar todos os dias a casa. Ao final do dia tem intenção de dar outra volta ao concelho para saber o que falta, o que está mal. “Só assim, com esta proximidade, se consegue ajudar a resolver os problemas das pessoas”, garante. Para estas voltas vai dispensar o motorista a que tem direito. Apenas vai ser necessário para as deslocações a Lisboa ou a outras grandes cidades, por causa do trânsito.

Vivendo na margem sul do Tejo sente diariamente na pele a necessidade de uma nova ponte sobre o rio. Considera uma obra fundamental e defende que deve ser construída dentro dos limites do concelho de Constância. Na sua opinião, só com uma nova travessia a freguesia de Santa Margarida conseguirá ter mais desenvolvimento.

Momento da tomada de posse (Foto: mediotejo.net)

Com a Presidente cessante, Júlia Amorim (CDU), Sérgio Oliveira teve uma reunião “tranquila” no dia 18, entre as 9 e as 13 horas onde foram passados alguns dos dossiês mais importantes.

O novo Presidente da Câmara Municipal de Constância gostaria que, daqui a quatro anos, o concelho tivesse infraestruturas “num estado minimamente aceitável”. Objetivos prioritários são os de ver lançada a primeira pedra da nova ponte, ver crescer o número de empresas e de empregos no concelho, que o povo de Montalvo volte a ter extensão de saúde e médico de família, e que a população aumente.

“Pessoalmente, o meu desejo é que ao fim dos quatro anos as pessoas olhem para mim e digam que efetivamente fui o Presidente da Câmara de todos, que não discriminei os cidadãos em função da sua cor partidária, que tive sempre as portas abertas à população”, refere.

Para já não pensa num segundo mandato nem noutros voos políticos mais altos. Não é sua intenção seguir a carreira política até porque acredita que ser Presidente da Câmara é mais gratificante do que ser deputado, por exemplo. E quanto ao segundo mandato, “no final, logo se vê”.

Terminada a conversa em sua casa, acompanhámos Sérgio Oliveira ao café Central Park, em Vale de Mestre, onde bebeu café com a sua mulher.

Pelo caminho e no café os moradores cumprimentam o Presidente prestes a tomar posse. Sente-se um carinho especial da população por este filho da terra.

À saída do café e antes de ir para a Câmara ainda conversa com um casal que anda na apanha da azeitona. “Este ano ela está muito agarrada!”, lamenta a moradora, que se despede com um maternal “tudo bom pra ti, ‘mê’ filho”.

Já no edifício da Câmara, meia hora antes do início da tomada de posse, é tempo de acertar alguns pormenores com a Presidente cessante com quem reúne no gabinete.

No salão nobre, a abarrotar, quatro pessoas acompanham com muito orgulho e uma atenção especial a cerimónia: os pais, a irmã (mais velha) e a mulher de Sérgio. Não conseguem esconder a emoção daquele momento histórico para a sua família e para a vida política de Constância que, ao fim de 32 anos, regista uma mudança na governação autárquica.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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