A Confraria Ibérica do Tejo (CIT) defendeu hoje que a políticas de transvases no rio Tejo “não é aceitável” e que os problemas que afetam o rio devem ser encarados como um problema europeu.

“Há necessidade de rever algo que não está bem, por exemplo a politica dos transvases, que não é aceitável. O Tejo tal e qual como está nos dois países [Portugal e Espanha] necessita de uma intervenção que vai além das intervenções governamentais ibéricas, porque o Tejo é um rio europeu. Este problema deve ser encarado como um problema europeu”, afirmou João Serrano.

Este responsável da CIT falava à margem do II Seminário Transfronteiriço sobre Desenvolvimento das Comunidades Ribeirinhas do Rio Tejo, que está a decorrer em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.

Apesar dos problemas que afetam o rio, João Serrano mostrou-se otimista, mas defendeu que o Tejo necessita de acompanhamento e de atenção para que sejam encontradas formas de, em conjunto, resolver os problemas que o afetam.

“O que está a acontecer hoje aqui em Vila Velha de Ródão revela a vontade de fazer em parceria. Estamos disponíveis para ajudar e colaborar. Temos recolhidas 41 propostas de investimento para três áreas, economia, ambiente e cultura e todas elas são complementares. Estão cá as entidades que podem olhar para estas propostas e dizer que vale a pena”, frisou.

O responsável da CIT, entidade organizadora do seminário, explicou ainda que vão apresentar uma carta de intenções para recuperar o rio Tejo, sendo que o documento será levado à Assembleia da República, ao Presidente da República e ao Governo.

Vai ser também entregue na embaixada de Espanha em Portugal e ao presidente do Governo espanhol, sendo que o objetivo passa também por apresentá-lo ao Parlamento Europeu e ao presidente da Comissão Europeia.

“O Tejo é um problema que tem que ser visto no contexto da União Europeia, em relação aos rios. Este é um problema europeu e o que aqui está [no Tejo] não pode ser resolvido com boas intenções e boas vontades politicas dos dois governos [português e espanhol], exige investimentos muito pesados”, sustentou.

João Serrano entende que os mecanismos europeus têm que funcionar em relação aos dois governos ibéricos, para que sejam encontradas formas práticas para resolver os problemas do rio Tejo que, de outra maneira, considera não ser possível resolver.

Agência de Notícias de Portugal

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