Concurso para projetos de barragem no Alto Alentejo deve ser lançado este mês

O concurso público para a elaboração dos projetos de engenharia para a construção da Barragem do Pisão, no Alto Alentejo, deverá ser lançado este mês, admitiu hoje à agência Lusa o deputado Luís Moreira Testa (PS). “Muito provavelmente, o concurso público de todos os projetos será lançado até ao final deste mês”, disse o deputado socialista, eleito pelo círculo eleitoral de Portalegre.

O concurso público engloba, segundo Luís Moreira Testa, os projetos de engenharia do paredão principal e de um outro que ficará a jusante para efetuar a bombagem para a albufeira, além do estudo de impacte ambiental.

A Barragem do Pisão, no concelho do Crato, distrito de Portalegre, prevê um investimento total de 168 milhões de euros, devendo o projeto estar concluído em 2027.

Além dos 168 milhões de euros para a construção da barragem, acresce ainda um outro investimento de 50 milhões de euros para regadio que deverá abranger uma área de “10 a 12 mil hectares”, conforme disse, em junho do ano passado, o então ministro da Agricultura Capoulas Santos.

Em dezembro último, a atual ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, também garantiu que a construção da barragem “vai ser uma realidade” e que já existe financiamento para desenvolver os trabalhos preparatórios.

Luís Moreira Testa explicou que o financiamento para a albufeira “não é construído” com base no Orçamento do Estado (OE), dependendo de fundos comunitários e de um acordo com o Banco Europeu de Investimento (BEI).

A Barragem do Pisão, com um espelho de água de sete quilómetros quadrados, prevê produzir energia suficiente para abastecer 75% da população do distrito de Portalegre.

A energia elétrica produzida através de uma central solar fotovoltaica com potência de 150 megawatts (MW) será capaz de gerar cerca de 275 gigawatt-hora (GWh) com entrega à rede através da linha de alta tensão existente.

A água para o abastecimento público terá mananciais anuais de cerca de 3,3 milhões de metros cúbicos.

De acordo com o resultado apresentado por um grupo de trabalho criado por várias entidades, este é um empreendimento “técnica, financeira, ambiental e socialmente viável”, que projeta uma área de rega de 12 mil hectares, dispondo de 67 mil metros cúbicos de água anuais para esse efeito.

“Produzirá 275 GWh/ano e perspetiva uma receita de 25,2 milhões de euros por ano, através da central solar fotovoltaica a ser instalada numa área de dois quilómetros quadrados”, concluiu o grupo de trabalho.

O Governo anunciou em junho de 2019 que aprovou o relatório do grupo de trabalho que avaliou a viabilidade técnico-financeira do projeto hidráulico de fins múltiplos da Barragem do Pisão.

O grupo de trabalho foi constituído por um representante do ministro da Economia, que coordenou, e elementos da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, Direção-Geral de Energia e Geologia, Grupo Águas de Portugal, Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva e da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo.

Este projeto hidroagrícola, que prevê a submersão da pequena aldeia do Pisão, com 60 habitantes, já foi anunciado por três primeiros-ministros, Mário Soares, António Guterres e Durão Barroso, mas continua por construir.

Agência de Notícias de Portugal

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