Concertos pagos dividem Câmara de Tomar e alteração da Feira de Santa Iria passa com voto de qualidade. Foto: DR

A alteração da Feira de Santa Iria para permitir a vedação da Várzea Grande nos dias de concertos pagos foi aprovada com o voto de qualidade do presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão (PSD), após os vereadores do PS votarem contra. A gratuitidade até aos 11 anos foi, por sua vez, aprovada por unanimidade.

A divergência em torno do novo modelo do Iria Music Fest voltou a marcar a reunião do executivo municipal de 6 de outubro, com PS e maioria liderada por Tiago Carrão (PSD) a defenderem posições distintas sobre a cobrança de bilhetes para alguns dos concertos integrados na Feira de Santa Iria.

O ponto relativo à alteração da planta de implementação da feira, na zona da Várzea Grande, previa a vedação daquele espaço, necessária à realização dos espetáculos com entrada paga.

A proposta acabou por ficar empatada (na sequência da ausência de um vereador do executivo), com os vereadores do Partido Socialista a votarem contra, levando Tiago Carrão a exercer o voto de qualidade enquanto presidente da Câmara para permitir a aprovação.

A votação ocorreu depois de um longo debate em que os vereadores socialistas voltaram a contestar a opção de cobrar entrada nos concertos, defendendo que a Feira de Santa Iria deve manter uma dimensão cultural e social acessível a toda a população.

A vereadora Filipa Fernandes (PS) centrou parte das críticas no impacto da bilheteira nos orçamentos familiares, nomeadamente na classe média, considerando que uma família com dois adultos e duas crianças poderá ter dificuldade em suportar o custo de vários concertos.

A eleita socialista argumentou que, perante o aumento das despesas com habitação, alimentação, energia e transportes, a cultura e o lazer acabam frequentemente por ser das primeiras despesas a ser cortadas.

“Cultura não é luxo, convívio não é luxo, pertencer à nossa própria comunidade não pode, não deve tornar-se um luxo”, afirmou Filipa Fernandes durante a discussão.

Também o vereador socialista Hugo Cristóvão contestou a separação feita pelo executivo entre a feira e os concertos, considerando que estes têm sido apresentados pelo próprio município como uma componente central da programação da Santa Iria.

Do lado do executivo, Tiago Carrão defendeu o modelo adotado, sublinhando que a Feira de Santa Iria continua a ter entrada livre e que apenas alguns concertos do Iria Music Fest são pagos.

“Quando ninguém paga, pagam todos”, afirmou o presidente, defendendo que, sem receita de bilheteira, os espetáculos acabam por ser integralmente suportados pelos contribuintes.

Carrão referiu que, tomando como referência custos anteriores da Feira de Santa Iria, esse encargo representaria, em termos médios, cerca de 11 euros por cidadão, considerando mais justo que uma parte do custo seja suportada por quem assiste aos concertos.

O autarca admitiu que o novo modelo terá de ser avaliado depois da realização do evento, afirmando que será então possível perceber a adesão e os resultados da opção tomada.

Na mesma reunião, mas num ponto distinto, o executivo aprovou por unanimidade a entrada gratuita de crianças até aos 11 anos no Iria Music Fest nos dias 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de outubro.

A gratuitidade fica dependente da emissão de uma pulseira, a levantar presencialmente nas bilheteiras físicas, na presença de um adulto, podendo ser exigida prova da idade à entrada. As crianças abrangidas contam para a lotação máxima do recinto.

A Feira de Santa Iria decorre entre 16 e 25 de outubro.

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