A circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa é retomada este domingo, 20 de setembro, com a reabertura do troço entre Mouriscas-A e Ródão, interrompido desde março devido aos danos provocados pela tempestade Kristin. A recuperação da infraestrutura representou um investimento de 3,4 milhões de euros.
Com a reabertura, a CP volta a assegurar os serviços Regionais e Intercidades em toda a extensão da linha, terminando o transporte rodoviário de substituição que esteve em vigor nos troços afetados.
A Linha da Beira Baixa atravessa 13 concelhos e quatro distritos, serve cerca de dois milhões de passageiros por ano e desempenha um papel relevante na mobilidade diária e no acesso ao território, segundo informação divulgada na sexta-feira pela Infraestruturas de Portugal (IP).
A poucos dias da reabertura, realizou-se uma visita técnica ao troço recuperado, com a presença do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, do presidente da IP, Paulo Carmona, e da vogal do Conselho de Administração Executivo da IP, Maria Helena Campos.

A interrupção da circulação ficou a dever-se a dois deslizamentos de terras no troço entre Mouriscas-A e Ródão, entre os quilómetros 39,150 e 39,270, que obrigaram à estabilização dos taludes, reforço da plataforma ferroviária, melhoria da drenagem e reposição da via e dos restantes sistemas afetados.
A intervenção decorreu, segundo a IP, em condições particularmente exigentes, devido à instabilidade da plataforma, aos acessos limitados ao local, ao reduzido espaço para movimentação de equipamentos e às dificuldades no transporte de materiais.
Nos trabalhos foram utilizados cerca de 5.500 metros cúbicos de enrocamento e construídas duas estruturas de betão armado fundadas em microestacas, além de uma viga de coroamento intermédia.
Foram ainda reabilitadas e melhoradas as passagens hidráulicas e repostos os sistemas de telecomunicações, terras e restantes infraestruturas ferroviárias afetadas.
A IP sublinha que os trabalhos permitiram não apenas recuperar a circulação, mas também reforçar a segurança e a resiliência da infraestrutura, através do reforço estrutural da plataforma, da melhoria da drenagem e da instalação de instrumentação geotécnica para monitorização.
O presidente da Infraestruturas de Portugal, Paulo Carmona, afirmou aquando do anúncio da reabertura que a intervenção representa o regresso de uma “ligação ferroviária essencial para as populações”, depois da interrupção causada pelas intempéries.
A reposição da circulação permite também aos operadores de mercadorias voltar a utilizar integralmente a Linha da Beira Baixa e recupera a redundância com a Linha da Beira Alta para o transporte ferroviário internacional de mercadorias.




Com cerca de 240 quilómetros, a Linha da Beira Baixa liga o Entroncamento à Guarda, passando por Abrantes, Castelo Branco e Covilhã.
Desde 16 de março, os Intercidades têm sido substituídos por transporte rodoviário entre Abrantes e a Guarda, enquanto nos serviços Regionais a alternativa rodoviária funcionou entre Mouriscas-A e Vila Velha de Ródão.
A circulação ferroviária ficou parcialmente suspensa na sequência da sucessão de tempestades que atingiu o país no início do ano e provocou danos em várias infraestruturas rodoviárias e ferroviárias.
