O tradicional Círio de Nossa Senhora da Piedade realiza-se em Tomar nos dias 12 e 13 de setembro, com o cortejo a sair da Mata dos Sete Montes e a conduzir o Círio até à ermida, onde decorrerá a missa campal.
As celebrações começam no sábado, dia 12, às 19h00, com a recitação do Terço na Ermida de Nossa Senhora da Piedade, seguindo-se, às 20h00, um jantar naquele espaço, mediante inscrição prévia.
No domingo, a concentração de cavaleiros, charretes, fogaças e banda está marcada para as 09h00, na Mata dos Sete Montes, estando a saída do cortejo prevista para as 09h30.
O percurso seguirá pela Praça Infante D. Henrique, Avenida Cândido Madureira, Praceta Alves Redol, Ponte Nova, Rua de Santa Iria, Rua Marquês de Pombal e Rua Serpa Pinto, chegando à Praça da República às 10h00, onde será feita a entrega do Círio.
A procissão prosseguirá depois pela Rua Silva Magalhães, Rua de Leiria e Rua Cónego Manuel Formigão, em direção à Ermida de Nossa Senhora da Piedade.
A missa campal está marcada para as 11h00, no recinto da ermida, sendo presidida pelo padre Aníbal Vieira, vigário-geral da Diocese de Santarém. A celebração será transmitida pela Rádio Cidade de Tomar e pela página de Facebook da Paróquia de Tomar.
Após a missa realiza-se o tradicional leilão de fogaças, seguindo-se, às 12h30, um almoço com serviço de restaurante e porco no espeto.

Os lucros obtidos com as festividades revertem a favor das obras de manutenção da Ermida de Nossa Senhora da Piedade, segundo a organização. A inscrição para o jantar e para levar ou oferecer fogaças pode ser feita na Igreja de São João Baptista.
Uma tradição com vários séculos de ligação à cidade
O Círio de Nossa Senhora da Piedade é uma das manifestações religiosas tradicionais de Tomar e realiza-se habitualmente no início de setembro, levando fiéis da cidade até à ermida situada no alto de um monte, com vista sobre Tomar e o Convento de Cristo.
O cortejo integra tradicionalmente cavaleiros, charretes, animais, crianças vestidas de anjos e mulheres transportando fogaças, sendo o Círio, uma vela de grandes dimensões, transportado a cavalo. A procissão é acompanhada por música e culmina com a missa campal junto à ermida.
Segundo o historiador Luís Marques, citado pelo mediotejo.locais.net/ a partir da obra “Tradições Religiosas entre o Tejo e o Sado”, um círio corresponde a uma confraria popular que anualmente se desloca a um santuário, por vezes distante, em cumprimento de uma promessa coletiva associada à comunidade.
O itinerário atual não corresponde ao percurso tradicional que, em tempos, incluía a subida das cerca de 300 escadinhas de Nossa Senhora da Piedade. O trajeto foi alterado devido à presença de animais no cortejo.
As fogaças, por sua vez, mantêm um papel central na celebração, sendo tradicionalmente leiloadas depois da missa e revertendo os valores obtidos para obras de recuperação e manutenção da ermida.







Em 2020 e 2021, devido à pandemia de covid-19, o tradicional cortejo do Círio não se realizou, tendo as celebrações ficado limitadas à recitação do Terço e às missas na ermida.
Em 2020, o Círio de Nossa Senhora da Piedade integrou ainda a lista de patrimónios do Médio Tejo candidatos às “7 Maravilhas da Cultura Popular”, na categoria de Procissões e Romarias.


O escritor online Fernando Santos (“O Peixe de Ferro” (2021); “Navio de Guerra” (2023); “Liberdade de Expressão” (2026), devoto de Nossa Senhora e frequentador assíduo da ermida da Senhora da Piedade aos domingos, esteve na procissão em 2025 com sua mulher. Ambos vestidos de branco – ele segurando um quadro com a imagem de Nossa Senhora da Piedade, ela, uma rosa vermelha – pela originalidade, foram mandados passar para a cabeça da procissão por alguns participantes, pois “Você tem a imagem de Nossa Senhora, fica bem é ir à frente!”, e assim um repórter de um jornal regional lá os apanhou num vídeo e lhes deu destaque na Net. Este ano, por questões de saúde, já não pôde participar…