Centroliva, em Vila Velha de Ródão. Foto:DR

Um grupo de cidadãos de Vila Velha de Ródão apresentou um abaixo-assinado ao executivo local, através do qual se exige a intervenção das autoridades ambientais face às emissões poluentes da empresa Centroliva, foi hoje anunciado.

Em comunicado divulgado pelo município de Vila Velha de Ródão, é explicado que o documento, que reúne cerca de 600 assinaturas, foi entregue na reunião pública do executivo, onde os subscritores manifestam a sua preocupação com a poluição gerada pela Centroliva, empresa com sede em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.

“Fumos densos que pairam sobre toda a parte baixa da vila, habitações, espaços verdes e agrícolas, tornando o ar irrespirável e enjoativo” são algumas das queixas expressas no documento.

Os subscritores sublinham ainda que a colocação de filtros na primavera de 2017, após a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro (CCDRC) ter detetado o não cumprimento das normas de qualidade de ar, “não resolveu o problema”.

“O quadro não só não melhorou, como se agravou, com especial incidência no período de laboração noturno e no fim de semana, originando (…) um cheiro verdadeiramente nauseabundo, colocando em causa a qualidade de vida da população, a sua fixação em Vila Velha de Ródão, bem como todos os investimentos concretizados na área do turismo”, lê-se no abaixo-assinado.

Neste âmbito, os cidadãos pedem a intervenção das autoridades ambientais e solicitam a suspensão da laboração da fábrica até que seja demonstrado que cumpre todas as exigências legais em matéria ambiental.

A Câmara de Vila Velha de Ródão assumiu o compromisso de enviar o abaixo-assinado ao primeiro-ministro, ao ministro do Ambiente e à Comissão do Ambiente da Assembleia da República.

A Centroliva, empresa que se dedica à produção de energia elétrica a partir da combustão de biomassa (bagaço de azeitona e resíduos florestais), foi alvo de um despejo administrativo por parte da autarquia em janeiro de 2017, por terem sido detetadas irregularidades no processo de licenciamento.

Nesse ano, após a realização de cinco ações inspetivas e subsequente despacho da Inspeção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), foi determinada a suspensão da atividade da fábrica.

Contudo, em novembro de 2017, a empresa interpôs uma providência cautelar com vista à suspensão dos despachos proferidos pela IGAMAOT, que foi aceite pelo Tribunal Administrativo de Castelo Branco (TACB).

Já em janeiro de 2018, o TACB indeferiu também o recurso apresentado por parte do Ministério do Ambiente, permitindo que a Centroliva continue a laborar provisoriamente.

Agência de Notícias de Portugal

Deixe um comentário

Leave a Reply