“É a coisa que mais custa a um executivo é ter o financiamento, é ter a tesouraria, é ter tudo para as obras arrancarem e elas não arrancarem. Gostava que estivesse já tudo concluído, perfeitamente, e se estivéssemos agora a fazer umas inaugurações melhor ainda, mas não é esse o objetivo. O objetivo é que os procedimentos sejam feitos com clareza, com transparência e da melhor maneira possível”, afirmou o presidente da Câmara da Chamusca a propósito de não ter havido concorrentes em cinco concursos lançados este ano pela autarquia.
Paulo Queimado (PS), que falava no período de antes da ordem do dia na reunião de Câmara do dia 13, não escondeu a frustração de ter tudo preparado e não surgirem empresas interessadas nas obras.
“Temos projetos, temos financiamentos, temos concursos. Não é por vontade deste executivo que as coisas não andam. As coisas andam, não andam é a velocidade que a gente queria”, lamentou o autarca em resposta a uma questão da vereadora Gisela Matias (CDU).
Os quatro projetos de regeneração urbana na vila ficaram por concretizar uma vez que os quatro concursos, num investimento a rondar os 4 milhões de euros, ficaram desertos.
Também o concurso de construção do arquivo histórico e municipal, no valor de 1 milhão e 900 mil euros, não registou empresas interessadas.
Paulo Queimado explica que o problema reside no valor base definido que é baixo tendo em conta o recente aumento do preço e escassez dos materiais. Dá o exemplo do preço do ferro que, “nos últimos dois meses, aumentou 30 por cento”. Acrescenta que nem sequer tijolo há para entrega aos construtores.
Mas nem tudo é mau. O concurso para requalificação da Escola Secundária da Chamusca, que tem como preço base 4.443.658.20 euros + IVA, registou quatro concorrentes. O processo está agora em fase de audiência prévia dos concorrentes.
Outra boa notícia avançada por Paulo Queimado é que no concurso para a construção do novo Centro de Saúde também houve um concorrente já vencedor. O processo está neste momento em fase de cabimentação para seguir para o Tribunal de Contas e posterior adjudicação. “Parece que é desta vez que o concurso vai para a frente”, congratulou-se o autarca.
“Nem com sorte, provavelmente conseguimos que até ao final do mandato se inicie pelo menos uma obra. Temos as obras todas paradas”, criticou a vereadora Gisela Matias (CDU).
O presidente da Câmara argumentou que as obras começam na fase do projeto, “a parte física das obras é que ainda não arrancou”.
