Convocada pelas Comissões de Utentes dos Serviços Públicos da Região do Médio Tejo, a vigília decorreu junto à Igreja de Árgea e reuniu habitantes de localidades dos concelhos de Torres Novas e Entroncamento.
Segundo a organização, participaram na iniciativa cerca de duas centenas de pessoas provenientes de Árgea, Lamarosa, Barroca, Casal Sentista, Pintainhos, Torres Novas e Entroncamento.
Durante a concentração foi reafirmada a oposição à localização prevista para a unidade de produção de biometano, insistindo os promotores que a contestação não se dirige à produção de energias renováveis, mas sim à instalação da infraestrutura junto de zonas habitacionais.
Num documento distribuído durante a vigília, os organizadores alertam para o impacto que a unidade poderá ter na qualidade de vida das populações, apontando preocupações relacionadas com o elevado tráfego de veículos pesados, o consumo de água, o tratamento diário de cerca de 270 toneladas de estrume, chorume, gorduras e outros resíduos orgânicos, possíveis impactos ambientais e a desvalorização de habitações e atividades económicas.
No final da iniciativa foram anunciadas novas formas de protesto, entre as quais contactos com as populações e entidades da região, uma exposição aos grupos parlamentares da Assembleia da República e a entrega do abaixo-assinado no parlamento, além da realização de novas reuniões públicas e outras ações de sensibilização.

Segundo as Comissões de Utentes, o abaixo-assinado contra a localização da unidade já reuniu mais de seis mil assinaturas.
O movimento de contestação ganhou recentemente o apoio de oito presidentes de câmara da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, entre os quais o presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques, que já manifestou publicamente oposição à localização escolhida para o investimento, defendendo a produção de biometano “noutro local” e sustentando que o Plano Diretor Municipal não permite aquele tipo de instalação no terreno previsto.

O projeto em consulta pública prevê uma unidade de produção de biometano com cerca de 4,8 hectares, capacidade para tratar aproximadamente 100 mil toneladas anuais de resíduos biodegradáveis e uma vida útil estimada de 30 anos.
