Capela de Nossa Senhora do Carmo, em Sardoal, com os tradicionais tapetes de flores da Semana Santa. Foto arquivo: mediotejo.net

A Câmara Municipal de Sardoal tem em fase de conclusão um investimento de 300 mil euros num projeto global de recuperação da Capela de Nossa Senhora do Carmo e respetiva conversão daquele templo num Centro de Interpretação da Semana Santa, equipamento que, todavia, e devido a derrapagens temporais da empreitada, não estará pronto a tempo de integrar as festividades da Semana Santa deste ano. O objetivo é combater a sazonalidade turística e que a Semana Santa possa ali ser recriada e visitada durante os 365 dias do ano.

O presidente da autarquia, Miguel Borges (PSD), que conta o apoio de fundos comunitários, “a recuperação da capela e conversão em Centro de Interpretação representa um investimento de cerca de 300 mil euros, dos quais 150 mil euros são para obras, com recuperação da estrutura e do telhado, e os restantes 150 mil euros para os conteúdos a criar para o Centro de Interpretação da Semana Santa.

“Há uma primeira fase que já está concluída há bastante tempo, o parque de restauro e de recuperação da Igreja de Nossa Senhora do Carmo que é a única das capelas e igrejas do Sardoal que é do município, e agora o que está a atrasar, e acredito que tenha de estar pronto até final deste mês, tem a ver com a produção de conteúdos” para o Centro de Interpretação, disse o autarca ao mediotejo.net.

ÁUDIO | MIGUEL BORGES, PRESIDENTE CM SARDOAL:

“A capela é muito importante para nós, porque a nossa estratégia passa pelo turismo cultural, religioso e patrimonial, e é importante que a autarquia sinta como prioritária a recuperação de um imóvel que é seu”, afirmou Borges, relativamente a uma das fases que está concluída, esperando que, até ao final deste mês de abril, a obra fique pronta.

“Oficialmente, o contrato com a empresa está até ao final deste mês, tem havido pedidos de prorrogação de prazo, sobre várias situações e, claro, a pandemia não é inocente no meio de tudo isto, ou seja, usando argumentação que consideramos válida a produção e entrega de alguns materiais, muitos deles vindos do estrangeiro, isso fez com que, na verdade, há aqui uma derrapagem temporal, só temporal, não há financeira, em relação àquilo que é o Centro de Interpretação da Semana Santa”, disse Miguel Borges.

“Todos nós estamos a fazer o esforço para que assim seja, tem a ver com a produção de conteúdos, e a apresentação desses mesmos conteúdos e identificação de todas as capelas e igrejas da vila com um pouco do histórico dessas mesmas capelas, e também áudio guias, ou seja, aquilo que se pretende com este Centro de Interpretação da Semana Santa e do Património Religioso é que quem nos visita em qualquer dia do ano, possa perceber aquilo que é a nossa Semana Santa, aquilo que é a riqueza deste nosso património material mas também imaterial”.

“Em poucas localidades do país, sejam elas cidades, vilas ou aldeias, poderemos encontrar, num curto percurso de 1.500 metros, no seu centro histórico, três igrejas e seis capelas, com um valiosíssimo espólio artístico e que importa potenciar numa lógica de património de fé e religiosidade”, salientou o autarca.

A criação de um Centro de Interpretação da Semana Santa nesta capela do Sardoal passa por “criar um conjunto de elementos, através das novas tecnologias, que possam ajudar os visitantes a perceber a importância da Semana Santa de Sardoal” quando visitam o município fora do período da Páscoa.

O projeto integra assim conteúdos multimédia que dão a conhecer o Património Imaterial do concelho, nomeadamente a Procissão dos Fogaréus, as Festas do Espírito Santo ou as capelas enfeitadas com tapetes de flores, ao longo dos 12 meses do ano e sem os turistas estarem dependentes das sazonalidades dos eventos para apreciarem a cultura, o património e as tradições sardoalenses, nomeadamente as religiosas.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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