Os deputados do CDS-PP Patrícia Fonseca, Ilda Araújo Novo e Hélder Amaral questionaram os ministros da Administração Interna e da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, no sentido de saber que medidas vai o Governo tomar, e quando, “para corrigir e clarificar a informação inicialmente prestada aos portugueses, sobre a ‘Campanha de limpeza de matos 2018′”.

Num comunicado enviado à Comunicação Social, os deputados referem que “tendo em conta que não é obrigatório cortar todas as árvores à volta das casas, muito menos árvores de fruto, mas apenas fazer a limpeza do mato e/ou materiais combustíveis num raio de 50 metros, bem como garantir uma distância entre copas, que medidas vai o Governo tomar, com a necessária urgência, no sentido de corrigir e clarificar a informação inicialmente prestada aos portugueses? Quando?”, questiona o CDS.

Os deputados centristas querem também saber que tipo de informação e apoio estão a ser dados às autarquias nesta área, no âmbito da “Campanha de limpeza de matos 2018”.

“É que há autarquias que, antes de autorizarem as queimas de matos, estão a exigir aos proprietários pareceres do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e, nalguns casos, até, de associações de caça e pesca locais”, sublinham os centristas.

Os deputados questionam, assim, se “esta exigência está em conformidade com a lei, ou se se trata simplesmente, e também aqui, de desinformação por parte das autarquias, e questionam ainda quais as consequências se os pareceres emitidos forem negativos”.

Em relação ao Decreto Lei N.º 10/2018, de 14 de fevereiro, que determina que a distância entre copas das árvores deve passar a ser, no caso de eucaliptos e pinheiros, de dez metros em vez dos quatro metros estipulados anteriormente, e que se mantêm para as restantes espécies, os deputados do CDS frisam que “vários especialistas vieram já criticar esta alteração, tendo em conta que a abertura de clareiras irá favorecer o crescimento dos matos, originando o efeito precisamente contrário ao pretendido”

Neste sentido, os deputados questionam “quais os fundamentos que levaram a esta distinção entre espécies e que entidades foram consultadas para o apoio à tomada de decisão”.

O Governo tem em vigor a “Campanha de limpeza de matos 2018”, da responsabilidade conjunta do Ministério da Administração Interna e do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, que estipula que “até ao dia 15 de março, os proprietários devem limpar os seus terrenos numa faixa de 50 metros à volta das casas e nos 100 metros à volta das aldeias”.

“Depois de um dramático verão de 2016, o Governo apressou-se a apresentar uma suposta reforma da floresta, que não passou, na sua  maioria, de um conjunto de alterações legislativas a diplomas já existentes”, recordam os deputados, acrescentando:

“Infelizmente, antes mesmo que essa reforma pudesse sequer produzir efeitos, em 2017 Portugal viveu o mais fatídico, devastador e mortífero ano em termos de incêndios”.

Segundo os deputados do CDS, “O Governo voltou então a fazer um conjunto de alterações avulsas aos diplomas recentemente aprovados, tantas e tão ‘bem preparadas’, que levaram à situação caricata de o Senhor Primeiro-Ministro vir, publicamente, num dia dizer uma coisa, para 15 dias depois se desdizer. Primeiro, que tinha que se cortar tudo; depois, que se cortasse só o mato; primeiro, que não podem existir árvores 50 metros em redor das casas, nem 100 metros em redor das aldeias; mas depois, que já podem desde que distem entre si quatro metros”, sublinham.

Esta “desinformação”, diz o CDS, “originou já que, em inúmeras aldeias, de norte a sul de Portugal, muitos proprietários tenham procedido ao corte, até, de árvores de fruto nos seus quintais”.

Citando o jornal ‘Público’ desta sexta-feira, dia 23, o CDS faz referência a uma notícia com o título “Não, não é para cortar todas as árvores à volta das casas”.

Interpretando esta notícia, os deputados dizem que “o que dali muitos retiram é que em volta das casas e povoações deve haver uma razia completa, caso contrário a multa será pesada. O pânico e a desinformação está a levar a ações radicais. E já há uma petição a pedir mudanças na lei. O Governo contrapõe que apenas clarificou uma legislação que não é nova e que a limpeza dos terrenos é um imperativo nacional”.

O CDS faz referência também ao portal do Governo, mais concretamente ao espaço dedicado à Campanha, no qual é transmitido um vídeo que mostra uma imagem animada de uma casa, com árvores à volta, e um dedo a apagar tudo num raio de 50 metros.

Os centristas consideram ainda que “o facto de a informação ter sido enviada aos portugueses pela Autoridade Tributária, a todos os contribuintes e não apenas a quem possui terrenos ou casas em espaços rurais, tem causado muita confusão e pânico junto da população. Tanto mais que, no referido email, se refere que, no caso de não se cumprir o prazo até 15 de março, ‘pode ser sujeito a processo de contraordenação. As coimas podem variar entre 140 a 5 mil euros, no caso de pessoa singular, e de 1500 a 60 mil euros, no caso de pessoas coletivas'”, recordam, concluindo, os deputados.

Jornalista profissional há mais de 30 anos, passou por vários jornais diários nacionais, nomeadamente pelo 'Diário de Lisboa', 'Diário de Notícias' e 'A Capital'. Apaixonada pela profissão desde a adolescência, abraçou o jornalismo nas suas diversas áreas, desde o Desporto às Artes e Espetáculos, passando pela Política e pelos temas Internacionais. O jornalismo de proximidade surge agora no seu percurso.

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