. Catarina Martins (BE) esteve em Abrantes e em Torres Novas. Foto de Andreia Quartau

A coordenadora bloquista considerou em Abrantes e em Torres Novas que a Comissão Nacional de Eleições está a fazer bem o seu papel na advertência sobre promessas eleitorais porque existe “sempre uma enorme tentação de instrumentalizar uma ação governativa” para ganhos partidários.

Na primeira ação do quarto dia de campanha para as eleições autárquicas, Catarina Martins esteve junto ao Tejo, acompanhada pelo vereador do Bloco de Esquerda (BE) e recandidato à Câmara de Abrantes, Armindo Silveira, para denunciar os riscos e o impacto ambiental do Açude Insuflável de Abrantes, uma obra que, denunciaram, ao fim de 15 anos continua ilegal. Em Torres Novas – onde a antiga deputada e vereadora Helena Pinto é recandidata à Câmara – Catarina Martins apontou o dedo ao PS e aos partidos de direita em relação a uma das discussões que tem animado esta corrida eleitoral: o Programa de Recuperação e Resiliência.

Os vários membros candidatos das listas autárquicas do BE de Abrantes voltaram a denunciar os “graves problemas do açude e da escada passa-peixe”, numa “obra que se mantém ilegal há 15 anos e provoca importantes prejuízos ambientais e económicos” na região, e cuja situação, afirmaram, “evidencia continuada incompetência e irresponsabilidade da Câmara Municipal de Abrantes, com a conivência da APA”.

Questionada sobre uma notícia avançada pelo Expresso de que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) advertiu o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, sobre promessas eleitorais em período de campanha autárquica, a líder do BE respondeu que este organismo “toma as suas posições e bem”.

“E o Bloco de Esquerda ouve sempre com muita atenção tudo o que diz a Comissão Nacional de Eleições, que está aliás a fazer o seu papel e nós não nos substituímos a esse papel”, afirmou.

Perante a insistência dos jornalistas sobre se concordava ou não com este aviso, Catarina Martins defendeu que “existe sempre uma enorme tentação de instrumentalizar uma ação governativa para o ganho partidário”.

“Não é propriamente novo, não há aqui nenhuma novidade, a CNE está a fazer e bem o seu papel que deve fazer e a mim só me cabe ouvir o que diz a CNE”, reiterou.

Confrontada com as críticas do líder do PSD, Rui Rio, de que Costa está a usar o PRR para fazer campanha, a coordenadora do BE disse compreender que o presidente social-democrata “não tenha muita proposta para fazer nestas eleições e, portanto, fale de outra coisa qualquer”.

A coordenadora bloquista, Catarina Martins, que esteve também num comício em Torres Novas, defendeu que, em matéria de fundos comunitários, o BE “tem currículo na defesa do povo”, enquanto o PS e a direita “têm cadastro a alimentar a economia de privilégio”.

Na quinta-feira à noite, na chegada da caravana da campanha autárquica do BE a Torres Novas – onde a antiga deputada e vereadora Helena Pinto é recandidata à câmara – Catarina Martins apontou o dedo ao PS e aos partidos de direita em relação a uma das discussões que tem animado esta corrida eleitoral: o Programa de Recuperação e Resiliência.

“Quando se decidir o que se vai fazer com os milhões do Programa de Recuperação e Resiliência, quando se decidir se os milhões são no interesse do povo ou para uma elite privilegiada, o Bloco de Esquerda tem currículo na defesa do povo e o Partido Socialista e a direita têm cadastro a alimentar essa economia de privilégio que tem vindo a retirar recursos ao nosso povo”, acusou, na intervenção no comício.

Catarina Martins em Torres Novas. Foto: BE

É por isso mesmo, na perspetiva da líder do BE, que “é tão importante a escolha” nas eleições autárquicas de 26 de setembro.

“Se conhecem o Bloco de Esquerda e a forma intransigente como defende este povo, conhecem também o que tem sido o Partido Socialista, o que tem sido a direita a lidar com o privilégio e com o poder económico, a forma como deixaram que a habitação ficasse entregue ao mercado, que os carros fossem a única forma de as pessoas se deslocarem, como fecharam os olhos a quem polui, a quem põe em causa a saúde, o ambiente”, comparou.

A coordenadora do BE recordou que, no próximo mandato autárquico, cujos elencos governativos vão sair destas eleições, “as autarquias vão ser parte da decisão do que se faz a 60 mil milhões de euros, entre quadro comunitário de apoio, política agrícola comum, Programa de Recuperação e Resiliência”.

“O que eu pergunto a qualquer pessoa aqui em Torres Novas e em todos os concelhos deste país é qual a força política que vai defender este povo que vive do seu trabalho na altura de fazer escolhas”, questionou.

Helena Pinto, atual vereadora, é a candidata do BE à CM Torres Novas. Foto: BE

Na ótica de Catarina Martins, “em todo o país não há ninguém que duvide que o Bloco de Esquerda é essa força determinada, capaz de enfrentar o privilégio em nome do interesse do povo que trabalha”.

“E é para isso que nos apresentamos nestas eleições”, frisou.

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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