“Um prémio é sempre um motivo de orgulho para toda a equipa. Mas os prémios em si não são o que nos move, mas sim o que representam: reconhecimento público e por especialistas da qualidade do trabalho que desenvolvemos”, disse ao mediotejo.net o enólogo Nuno Falcão Rodrigues, que partilha a responsabilidade pela enologia do Casal da Coelheira com a também enóloga Margarida Rodrigues, sua esposa.
As distinções foram anunciadas na Gala dos Vinhos do Tejo, realizada no sábado, 26 de setembro, em Almeirim, onde foram entregues os prémios do 16.º Concurso Vinhos do Tejo, que reuniu 165 referências avaliadas por 36 jurados, e da 12.ª edição do Tejo Gourmet – Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo.
Além da Medalha de Excelência atribuída ao Private Collection Alicante Bouschet 2023, que o colocou como Melhor Tinto do concurso, o produtor de Tramagal arrecadou três Medalhas de Ouro: Mythos 2023, Casal da Coelheira Private Collection Blend 2023 e Casal da Coelheira Private Collection Fernão Pires 2025.

Para Nuno Falcão Rodrigues, os prémios constituem também uma ferramenta para reforçar a presença comercial da empresa, cujos vinhos chegam atualmente a cerca de 20 países.
“O nosso grande objetivo é consolidar a presença dos vinhos do Casal da Coelheira nos cerca de 20 países onde estamos e, se possível, alargar. Este reconhecimento vem facilitar o nosso trabalho de comunicação e abordagem aos mercados”, salienta.
Mais de 30 anos a trabalhar Alicante Bouschet
O vinho agora distinguido dá continuidade a um percurso de reconhecimento do Casal da Coelheira com a casta Alicante Bouschet. Em 2025, o Private Collection Alicante Bouschet 2022 tinha conquistado uma medalha Grande Ouro no mesmo concurso.
Mais do que atribuir o resultado às características particulares da colheita de 2023, Nuno Falcão Rodrigues aponta para a experiência acumulada pela equipa ao longo de mais de três décadas.
“Naturalmente que a ‘Mãe-Natureza’ tem um papel essencial nos perfis dos vinhos, mas diria antes que é um pouco o fruto do nosso amadurecimento e aprendizagem de trabalhar com esta casta ao longo de mais de 30 anos”, explica.
A Alicante Bouschet tornou-se, segundo o enólogo, “uma das nossas castas de eleição”, tendo dado também origem a uma variante produzida em ânforas de barro, diferentes das tradicionais talhas do Alentejo, e com curtimenta prolongada.

É uma produção muito limitada devido ao tipo de recipientes utilizados e ao exigente trabalho manual envolvido, acrescenta Nuno Falcão Rodrigues.
Consistência para conquistar e manter mercados
Os resultados deste ano sucedem a uma edição particularmente marcante para o produtor de Tramagal. Em 2025, o Casal da Coelheira foi distinguido como Empresa Excelência Vinhos do Tejo e conquistou quatro medalhas Grande Ouro e uma de Ouro.
Nuno Falcão Rodrigues considera que a regularidade com que os vinhos da empresa têm sido reconhecidos em concursos nacionais e internacionais demonstra uma consistência que assume junto dos parceiros como um argumento “tão ou mais importante que a qualidade em si”.




“O mercado não aceita que tenhamos um ano de qualidade excecional mas, no ano seguinte, passemos a ter um vinho vulgar. Isso não nos permitiria criar a fidelização do mercado aos nossos vinhos e é essa fidelização que nos dá a estabilidade comercial necessária para irmos crescendo”, sustenta.
Onze Ouros para produtores do Médio Tejo
A presença de produtores do Médio Tejo estendeu-se a outras distinções do Concurso Vinhos do Tejo, com um total de 11 Medalhas de Ouro entre Abrantes, Sardoal e Tomar.
Aos três Ouros conquistados pelo Casal da Coelheira juntou-se, no Sardoal, o Quinta do Côro Reserva Arinto e Verdelho 2025. Em Tomar, o Casal das Freiras conquistou Ouro com o Reserva Vinhas Velhas branco 2025 e o Colheita branco 2025, enquanto Pedro Sereno foi distinguido com o Alvarinho & Encruzado branco 2022 e o Vinhas Velhas branco 2021.
A Santos & Seixo somou dois Ouros, com o Pena Vermelha Reserva tinto 2023 e o Encosta do Sobral Reserva branco 2024. Tomar arrecadou ainda outro dos prémios de referência do concurso, com o Casal das Freiras x Niepoort Castelão tinto 2023, da Quinta do Casal das Freiras (Agrovalente), considerado o Melhor Castelão pelo painel de jurados.
Também em Tomar, o Casal Improvável Reserva tinto 2022, da Quinta dos Pegões, foi distinguido com Medalha de Ouro. Segundo os produtores, trata-se do primeiro vinho lançado no mercado por este projeto e a distinção foi alcançada logo na sua primeira participação num concurso vitivinícola.
No conjunto do concurso, o Varandas branco 2024, da Adega de Almeirim, foi eleito Melhor Branco, com Medalha de Excelência, e Melhor Fernão Pires. A Adega de Almeirim recebeu ainda o título de Empresa de Excelência, enquanto António Ventura e Romeu Gonçalves foram distinguidos como Enólogos do Ano.
A Fiuza Wines recebeu, pelo segundo ano consecutivo e pela terceira vez, depois de 2023, o Prémio Dinamismo, enquanto o Prémio Carreira foi atribuído a José Saldanha, presidente da Adega de Benfica do Ribatejo.




Tejo Gourmet distingue restaurantes de Torres Novas e Tomar
A Gala integrou também a entrega dos prémios Tejo Gourmet, com vários restaurantes do Médio Tejo entre os distinguidos. O Sushiday, de Torres Novas, conquistou Grande Ouro, enquanto A Lúria e O Picadeiro, ambos de Tomar, receberam Ouro.
Também com Ouro, o De’Gustar, de Torres Novas, recebeu o prémio de Melhor Carta de Vinhos da Região. O Mouchão, de Tomar, e o Tum Tum, de Torres Novas, foram distinguidos com Prata.
No conjunto do Tejo Gourmet, o NUMA, de Portimão, foi considerado Melhor Restaurante e Melhor Cozinha de Autor, enquanto o Amassa, de Santarém, venceu pelo segundo ano consecutivo na categoria de Melhor Restaurante Internacional.
Apesar das distinções alcançadas pelo Casal da Coelheira, Nuno Falcão Rodrigues rejeita uma leitura do concurso centrada na competição entre produtores.
“Apesar de nem todos poderem ser premiados e apenas um vinho poder ser considerado como o melhor nesse concurso, não competimos contra ninguém”, afirma.
Para o enólogo, “o mais importante é a evidência da afirmação e da consolidação da qualidade dos Vinhos do Tejo como um todo ao longo das últimas décadas”, destacando a união entre os produtores e as ações conjuntas de promoção.

“A Gala dos Vinhos do Tejo é a celebração dos vinhos da nossa região, em que todos partilhamos os sucessos de todos”, afirma Nuno Falcão Rodrigues, deixando ainda “uma palavra de grande reconhecimento” ao trabalho desenvolvido pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo na união dos produtores e na afirmação dos Vinhos do Tejo dentro e fora do país.
