Depois de 400km e mais de 14 dias na estrada, passando por vários localidades como Sertã, Gavião, Abrantes, e Vila Nova da Barquinha, entre outras, a Caravana pela Justiça Climática termina com uma manifestação este sábado, às 14h30, no Parque das Nações.
O Trilho Panorâmico de Vila Nova da Barquinha foi percorrido pela Caravana pela Justiça Climática no dia 14 de abril com destino ao Parque Ribeirinho desta vila, onde se realizou uma ciranda (assembleia popular) com o tema “Projeto Tejo – o Ecocídio do Tejo pelas barragens” e “EcoParque do Relvão: Problema ou solução?” onde se refletiu sobre a importância de manter os últimos 120 km de rio Tejo livre dos novos 4 açudes e 2 barragens propostos pelo Projeto Tejo que, no entender do proTEJO, “representa um esbanjar de dinheiros públicos quando existem soluções de captação de água diretamente do rio Tejo sem mais barragens e muito mais económicas”.
Em comunicado, o Movimento pelo Tejo dá conta de ter concluído que “o Projeto Tejo pretende apenas alcançar a especulação imobiliária com a valorização dos terrenos agrícolas com impactos negativos nas regiões do Médio Tejo e Lezíria do Tejo quanto à atividade económica de turismo ecológico, rural e cultural, descaracterização do património cultural associado ao rio Tejo, como o Castelo de Almourol, as aldeias avieiras e os mouchões do rio Tejo, envolvidos por um rio que corre livremente, bem como diversos impactos ambientais negativos que se sabe que os açudes e barragens têm sobre a biodiversidade e os valores ecológicos, neste caso, do rio Tejo”.

Apelou-se ainda a todos os cidadãos de Lisboa e da Área Metropolitana de Lisboa para protegerem a fauna e a flora do estuário do Tejo, tendo afirmado que “os novos açudes e barragens irão destruir os equilíbrios dos ecossistemas do estuário do Tejo ao constituírem um obstáculo físico à passagem de nutrientes e substâncias químicas”.
Por outro lado, realçaram, “a retirada de enormes volumes de água para o regadio interromperá o ciclo ecológico da água, não permitindo a passagem de água doce suficiente, o que provoca alterações nas águas de transição (salobras) do estuário e nos ecossistemas que destas dependem. Acresce ainda que o caudal passará a ser insuficiente para transportar os sedimentos em direção ao mar, impedindo que se depositem nas praias da orla costeira”.
Lembrou-se ainda a necessidade de uma transição ecológica da agricultura para práticas agrícolas sustentáveis e os problemas relacionados com as monoculturas, tendo afirmado que a agricultura convencional é “responsável por importantes emissões de gases com efeito de estufa, poluição do ar, da água e dos solos, e a produção e aplicação de adubos de síntese a partir de gás fóssil representam níveis de emissões de gases com efeito de estufa e de poluição muito elevados”.

A Caravana pela Justiça Climática, que arrancou no dia 2 de Abril da Leirosa (Figueira da Foz), caminhando por Montemor-o-Novo, Coimbra, Podente, Ferraria de São João, Pedrógão Grande, Cernache do Bonjardim, Vila Velha de Ródão, Abrantes, Vila Nova da Barquinha e Cartaxo, chega este sábado a Lisboa.
À chegada, a caravana será recebida às 14h30 por uma manifestação de apoio, no Jardim do Passeio dos Heróis do Mar, de onde marchará até à assembleia final, sob o Oceanário.
A caravana chegará de comboio à estação de Moscavide, de onde marchará até ao ponto de partida da manifestação, no Jardim do Passeio dos Heróis do Mar. Uma marcha de bicicletas, chamada Caravana Sobre Rodas, também se juntará à manifestação vinda da direção do Rio Trancão.

No final da manifestação, frente ao Oceanário, no Jardim das Ondas, parte dos participantes partilharão as suas experiências no decurso desta jornada e apresentar-se-ão alguns eixos estratégicos para intervenção futura das mais de 40 organizações subscritoras, além de momentos musicais. A Caravana pela Justiça Climática é uma iniciativa internacional que está a decorrer em simultâneo em Portugal, na Irlanda e na Turquia.
