Foto: mediotejo.net

A Câmara de Abrantes anunciou hoje que vai notificar a empresa Abrantáqua para proceder às devidas correções na ETAR da Fonte Quente, na sequência do anúncio que a mesma encontra-se em incumprimento dos parâmetros a que está obrigada. Já a ETAR de Mação e as unidades industriais Paper Prime e Navigator cumprem os valores a que estão obrigadas, avançou o responsável do IGAMAOT, Nuno Banza. Sobre a dificuldade de recolha de amostras na Celtejo, o movimento pelo Tejo já afirmou que o caso é “inconcebível”.

Em comunicado, a autarquia de Abrantes, refere que, “relativamente às inspeções realizadas no território de Abrantes, os resultados dão conta de incumprimento de parâmetros ocorridos na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Fonte Quente, em relação aos níveis de carência bioquímica e química de oxigénio e de sólidos suspensos totais”, tendo acrescentado que a Abrantáqua, concessionária de águas residuais no concelho de Abrantes, “será notificada para proceder às devidas correções”.

O inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) revelou hoje que a ETAR de Abrantes “encontra-se em incumprimento dos parâmetros a que está obrigada”, tendo Nuno Banza referido não considerar aqueles incumprimentos “expressivos uma vez que esta ETAR apenas contribui com 5% da carga orgânica despejada no Tejo””, no âmbito de uma conferência de imprensa de apresentação dos resultados das análises efetuadas aos efluentes das ETAR urbanas e industriais descarregados no rio Tejo.

Sobre os dados hoje revelados, a Câmara Municipal de Abrantes afirmou “congratular-se com as diligencias dos serviços do ministério do Ambiente com vista a apurar responsabilidades sobre o cenário devastador de poluição no Rio Tejo (…) tendo sublinhado “assumir as suas responsabilidades” e que, “enquanto entidade responsável pela concessão deste serviço, vai solicitar à entidade concessionária, a Abrantáqua, esclarecimentos sobre a situação aludida pelo resultado das inspeções”.

A autarquia, liderada pela socialista Maria do Céu Albuquerque, “refuta que uma situação que eventualmente tenha acontecido e que é de caráter pontual”, seja apontada como estando na origem do manto de espuma no rio”, ocorrido nas últimas semanas.

“Não há descargas de ETAR´s urbanas capazes de provocar o que se tem assistido no Rio Tejo, nomeadamente no território de Abrantes, bem como a montante de Abrantes com episódios constantes de espuma”, advogou, tendo afirmado que este é “um problema nacional que urge respostas urgentes, sob pena de se perder um grande ativo nacional que é o rio Tejo” .

“Abrantes assume as suas responsabilidades, sendo disso exemplo o investimento que tem feito ao longo dos últimos anos em matéria de recolha de tratamento de águas residuais”, pode ler-se no documento enviado pela autarquia.

As análises realizadas pela IGAMAOT realizaram-se a partir do dia 24 de janeiro, após o alerta da presença de espuma no açude de Abrantes, disse hoje o inspetor-geral Nuno Banza, indicando que foram isolados os alvos com maior risco de poderem estar na origem da ocorrência deste fenómeno de poluição no rio Tejo.

No troço do rio Tejo entre Perais e Abrantes, foram identificadas quatro ETAR urbanas nos concelhos de Abrantes e de Mação e ainda três unidades industriais, designadamente Celtejo, Paper Prime e Navigator.

Das ETAR e indústrias identificadas, a IGAMAOT deparou-se com “vários constrangimentos inusitados” na amostragem realizada na Celtejo, pelo que os resultados desta empresa de celulose “são esperados na próxima semana”, informou Nuno Banza.

Já a ETAR de Mação e as unidades industriais Paper Prime e Navigator cumprem os valores a que estão obrigadas, avançou o responsável.

“Apesar de a ETAR de Vila Velha de Rodão ter sido inicialmente sinalizada, a recolha de informação revelou que a sua contribuição, quer em termos de caudal, quer em termos de carga orgânica não tem qualquer expressão”, referiu Nuno Banza.

Assegurando que o incumprimento da ETAR de Abrantes não é expressivo, o inspetor-geral da IGAMAOT explicou que, em termos de contribuição para o caudal, é de aproximadamente 15% e, de carga orgânica, situa-se na ordem dos 5%.

Sobre a contribuição para o caudal, a Celtejo é a mais representativa com 70,82%, seguindo-se a ETAR de Abrantes (15,3%), a Navigator (6,85%), a Paper Prime (3,30%), a ETAR de Mação (2,77%) e a ETAR de Vila Velha de Rodão (0,96%).

Relativamente à carga orgânica, a Celtejo tem 89,81%, seguindo-se a ETAR de Abrantes (5,2%), a Navigator (2,73%), a ETAR de Mação (1,09%), a Paper Prime (1,04%) e a ETAR de Vila Velha de Rodão (0,32%).

A dificuldade na recolha de amostras na Celtejo que resultaram hoje na não divulgação das respetivas análises já foi criticada pelo Movimento pelo Tejo – proTEJO, que afirmaram que tal situação é “inconcebível”.

Em declarações à Lusa, Paulo Constantino, porta-voz daquele movimento ambientalista, disse ser “inconcebível não haver resultados da Celtejo”, tendo defendido que “a demora na recolha de amostras naquela empresa pode por em causa a credibilidade de todo este processo de análises recolhidas e a sua fiabilidade”.

Segundo Paulo Constantino, “importa apurar as implicações da demora de vários dias na recolha de amostras” e, defendeu, ”a APA deve explicar se existem implicações negativas”.

c/LUSA

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