“O processo tem avançado. Temos feito várias reuniões com os promotores e há um acompanhamento quase semanal” da evolução do projeto, afirmou o vice-presidente da Câmara de Abrantes, João Gomes (PS), indicando que o município continua a “acompanhar de perto” um investimento que considera “estruturante para o concelho, para a região e para o país”.
O ponto de situação foi feito hoje pelo autarca na reunião do executivo municipal, na sequência de questões colocadas pela vereadora do PSD Ana Oliveira sobre o andamento do investimento anunciado em setembro de 2025, avaliado em sete mil milhões de euros (7 MME) e destinado à instalação de um centro de dados na Zona Industrial do Pego.
Segundo João Gomes, os cerca de 83 hectares destinados ao projeto já foram adquiridos pelos promotores, tendo essa transação imobiliária, na ordem dos 27,5 ME, dado origem à isenção de cerca de 1,8 milhões de euros em IMT, à taxa de 6.5%, aprovada pelo município.
“Se alguém investe tantos milhões num terreno no nosso território, não será para o deixar sem qualquer atividade económica”, afirmou, considerando que esse investimento representa um sinal de confiança dos investidores no potencial do projeto.

O vice-presidente revelou ainda que já foi apresentado à Câmara um pedido de demolição das antigas instalações existentes no local e que deu igualmente entrada um pedido de informação prévia (PIP), atualmente em análise pelos serviços municipais.
Segundo explicou, o PIP deverá ser apreciado após a entrada em vigor do novo Plano Diretor Municipal (PDM), cuja publicação é esperada para setembro, por o projeto prever índices de construção superiores aos atualmente permitidos.
Paralelamente, acrescentou, os promotores já asseguraram uma potência de 300 megawatts (MW) junto da Rede Elétrica Nacional, investimento que classificou como “estruturante e importantíssimo” para a concretização do centro de dados junto à central do Pego.

“O processo continua a andar e está mais próximo do que estava há um ano. Houve muita evolução e houve concretização de realidades que hoje podemos falar porque são factos”, afirmou.
Na reunião do executivo, a vereadora do PSD voltou a manifestar dúvidas sobre a evolução do investimento, questionando o estado do licenciamento, o financiamento do projeto e as garantias dadas ao município, defendendo que deveria ter sido exigida uma garantia bancária correspondente ao valor da isenção de IMT concedida na aquisição dos terrenos.
João Gomes rejeitou as críticas, sustentando que o município está salvaguardado pelas cláusulas previstas no protocolo celebrado com a empresa, que permitem reverter os benefícios fiscais caso os compromissos assumidos não sejam cumpridos.
Segundo o autarca, esse mecanismo já foi aplicado anteriormente relativamente ao mesmo terreno, no âmbito de um anterior projeto de investimento que não chegou a concretizar-se.
O vice-presidente indicou ainda que uma das preocupações inicialmente associadas ao projeto – o elevado consumo de água para arrefecimento dos equipamentos – foi entretanto atenuada pela evolução tecnológica dos centros de dados, que permitem sistemas de arrefecimento em circuito fechado, reutilizando a mesma água.
“A informação que a empresa nos tem transmitido é que 2028 continua a ser o objetivo para a entrada em funcionamento do primeiro bloco”, afirmou, ressalvando que todo o processo de licenciamento terá de ser efectuado junto da administração central, nomeadamente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).
Questionado sobre as críticas que têm surgido em torno deste tipo de infraestruturas, João Gomes considerou que, com a informação atualmente disponível, “são mais os prós do que os contras”, apontando o investimento, a criação de emprego qualificado e o impacto económico esperado para o território.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos (PS), afirmou que o município continuará a criar “boas condições” para atrair investimento para o concelho, indicando que, nas últimas semanas, recebeu “mais de 10 investidores” de diferentes áreas, embora sem divulgar projetos enquanto os processos não estiverem suficientemente consolidados.
O autarca sustentou ainda que o objetivo do município é criar condições para a instalação de empresas em Abrantes, independentemente do setor de atividade, afirmando que “os abrantinos querem que as coisas aconteçam” e que a autarquia manterá disponibilidade para prestar esclarecimentos sobre o processo sempre que solicitado.
Em setembro de 2025, a Câmara de Abrantes declarou o projeto de interesse municipal e aprovou isenções de IMI, IMT e derrama no valor global de 16,2 milhões de euros para apoiar um investimento então estimado em 7 MME na Zona Industrial do Pego.
O projeto prevê a criação de 450 postos de trabalho diretos e 700 indiretos até 2030.
c/Lusa
